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julia sweig

 

18/07/2012 - 03h00

Amor e ódio aos ricos nos EUA

As campanhas de Obama e Romney estão explorando um dos elementos mais antigos na política americana: nossa relação de amor e ódio com os ricos. A mitologia sugere que amamos os ricos porque eles representam a promessa da meritocracia: o trabalho duro pode proporcionar riqueza a qualquer pessoa.

Mas odiamos os ricos porque desconfiamos que eles exploraram o sistema para engordar suas contas bancárias, às expensas do emprego ou meio de subsistência de outras pessoas.

No ano passado, os estrategistas de Obama decidiram usar contra Romney o fato de ele ter comandado a Bain Capital. Foi inteligente, porque Romney declara que sua maior qualificação para ser presidente não é o período que passou como governador de Massachusetts, mas sua experiência à frente de uma grande firma de investimentos.

A acusação básica é que muitas das firmas que a Bain Capital comprou e reestruturou, sob a liderança de Romney, eliminaram empregos que eram de americanos e os "terceirizaram" fora do país.

O histórico do próprio Obama com relação à geração de empregos tem sido fraco: ao invés disso, ele priorizou a reforma da saúde.

Mas não é apenas Obama que é vulnerável no quesito empregos. Bill Clinton, os líderes do Partido Democrata no Congresso e todos os seus principais doadores em Wall Street compreendem que o capital naturalmente busca condições ótimas --salários baixos--, e que se danem as fronteiras nacionais.

A desregulamentação financeira, os acordos de livre-comércio, os impostos regressivos, o passar por cima de falhas importantes na governança corporativa e dos bancos: o Partido Democrata ajudou a perpetuar ou legislar essas tendências que vêm ocorrendo há décadas, muitas das quais são responsáveis pela perda de bons empregos.

Ame-o ou odeie-o, o capitalismo nos EUA é uma questão para ambos os partidos principais. Também democratas comandam, reestruturam e auferem as recompensas de firmas de "private equity". Mas os dois partidos não são iguais em alguns quesitos fundamentais.

O Partido Republicano de hoje tem um nível muito mais alto de tolerância da desigualdade, argumentando que o acúmulo privado de riqueza em última análise traz benefícios públicos, até mesmo sociais.

Romney critica os gastos governamentais e o atendimento à saúde universal, que implica gastos públicos, apesar de ter promovido as duas coisas no passado, principalmente porque, se não o fizer, sua base não votará nele.

O drama envolvendo a Bain Capital está ficando entediante. Ao invés disso, Obama deveria explicar a todos os eleitores que a única maneira de renovar nossa meritocracia historicamente bipartidária é mudar de abordagem e transformar a receita tributária gerada pela riqueza capitalista em investimentos em elementos fundamentais de uma sociedade forte: empregos, saúde, educação, ciência, transportes, defesa. Romney terá dificuldade em demonstrar que o setor privado, por si só, é capaz de realizações da mesma monta. E tem consciência disso.

@JuliaSweig

Tradução de CLARA ALLAIN

julia sweig

Julia Sweig é diretora do programa de América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations, centro de estudos da política internacional dos EUA. Escreve às quartas-feiras, a cada duas semanas.

 

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