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Kennedy Alencar

 

27/07/2012 - 11h15

Empresas devem cumprir acordo

O leilão do trem bala não saiu até hoje porque as empresas brasileiras avaliam que a margem de lucro prevista no projeto não compensa o tamanho da tarefa. Contrariada, a presidente Dilma Rousseff disse a um grande empreiteiro que eles estavam acostumados a lucrar demais e que perderiam espaço para empresas estrangeiras se não mudassem sua cabeça.

Dilma bancou pessoalmente uma cruzada contra os juros altos. Pressionou o Banco Central a reduzir a Selic, a taxa básica de juros. Agiu na contramão do que dizia o mercado, que via um fantasma inflacionário que desapareceu. Depois, a presidente peitou os bancos privados, pedindo redução dos juros nas diversas modalidades de empréstimos aos clientes.

Na última semana, o noticiário foi ocupado por uma onda de preocupação com a inadimplência e o nível de endividamento das famílias brasileiras, cujo consumo tem sido um dos motores da nossa economia. Uma razão que contribui para que as pessoas deixem de pagar é o nível extorsivo de juros dos cartões de crédito e do cheque especial. A Selic está em 8%, e o mundo não acabou.

O governo adotou uma série de medidas pontuais para dar gás à indústria numa hora de crise. A manjada redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) foi novamente feita, beneficiando a indústria automobilística nacional, que continua a produzir carroças com pouquíssimo equipamento de segurança.

Há um compromisso da indústria de evitar demissões. O que aconteceu? A GM se beneficiou da medida, mas gostaria de mandar uns trabalhadores embora.

As operadoras de celular levaram um chega pra lá após avisos de que precisavam melhorar o serviço. A casa caiu. Empresas entoaram gritos de intervenção do governo no domínio econômico. O fato é que o serviço é ruim. As agências reguladoras, sempre acusadas de serem reféns das empresas, devem tomar partido do consumidor. A Anatel fez o que já deveria ter feito. Foi criada para isso.

Não se trata de demonizar os empresários e os lucros. Empreender e gerar riqueza fará o Brasil crescer: o caminho mais rápido para redução da desigualdade social. No entanto, há uma cultura pedinte ao papai Estado na hora de privatizar lucros, de obter benefícios, de realizar obras públicas. A contrapartida, como evitar demissões, é vista como um acerto que pode ser quebrado.

Se a indústria automobilística nacional não for capaz de honrar um acordo em que obteve uma vantagem econômica relevante, melhor mesmo que o governo suspenda a redução do IPI. Seria pedagógico.

É correto cobrar do governo que tome medidas para melhorar o ambiente de negócios, reduzindo impostos, diminuindo burocracia, fornecendo crédito barato aos empreendimentos. Mas a elite brasileira precisa ter mais compromisso com o país. Correr mais riscos. E, sobretudo, cumprir acordos.

Kennedy Alencar

Kennedy Alencar escreve no site às sextas. Na rádio CBN, é titular da coluna "A Política Como Ela É", que vai ao ar no "Jornal da CBN" às 8h55 de segunda a sexta. Na RedeTV!, apresenta os programas "É Notícia" e "Tema Quente".

 

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