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21/02/2008 - 13h49

China e Rússia temem corrida armamentista após derrubada de satélite

da Folha Online

Rússia e China afirmaram nesta quinta-feira que a destruição pelos Estados Unidos de um satélite espião defeituoso com a utilização de um míssil pode levar a uma corrida armamentista no espaço.

O governo norte-americano insiste que a operação de derrubada ocorreu devido a questões de segurança, já que o satélite USA 193 perdeu controle pouco depois de seu lançamento, em 2006, e carregava combustível tóxico que poderia ser liberado em uma grande área, colocando vidas em risco.

Ainda assim, a China exigiu que os Estados Unidos forneçam todas as informações disponíveis a respeito da destruição do satélite.

Um porta-voz do Ministério do Exterior Chinês em Pequim, Liu Jianchao, afirmou que teme o impacto da operação norte-americana na segurança no espaço.

"A China continua monitorando o possível dano à segurança no espaço e o possível dano à segurança de outros países", afirmou o porta-voz.

"Exigimos que os Estados Unidos cumpram suas obrigações internacionais e esclareçam a comunidade internacional com os dados e informações necessárias para que os países interessados possam tomar as medidas preventivas", acrescentou.

A Rússia também criticou a operação, que considerou um pretexto para os Estados Unidos testarem armas de defesa anti-satélite, em resposta a uma demonstração realizada pela China no ano passado.

O Ministério do Exterior russo argumenta que outros satélites já se chocaram contra a Terra no passado sem que isso exigisse "medidas extraordinárias".

Críticas americanas

Em 2007, os Estados Unidos criticaram a China quando o governo chinês fez um teste semelhante à operação norte-americana desta quarta-feira, derrubando um satélite meteorológico obsoleto com um míssil balístico terra-ar de médio alcance.

Na época, os norte-americanos afirmaram que a ação da China foi uma ação militar deliberada e secreta. Nesta quarta-feira, os Estados Unidos usaram um sistema de armas que é parte de seu programa de defesa de mísseis.

Especialistas afirmam que, de qualquer forma, a operação norte-americana desta quarta-feira oferece informações importantes em termos de defesa com mísseis e sobre possíveis operações de destruição de satélites no futuro.

O que não ajuda os Estados Unidos é o fato de que o governo de George W. Bush foi contra uma proposta de tratado da Rússia e da China que proibiria o uso de armas no espaço.

O governo norte-americano afirma que é a favor do livre uso do espaço, mas é contra a limitação de suas opções militares.

Estados Unidos e Rússia já fizeram experiências com armas contra satélites durante a Guerra Fria. Os Estados Unidos chegaram a derrubar um satélite em um teste há 22 anos.

 

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