Timor Leste diz que ajuda militar do Brasil seria "bem-vinda"
ADRIANA STOCKda BBC Brasil
O ministro das Relações Exteriores do Timor Leste, José Ramos Horta, disse que aceitaria uma eventual oferta de assistência militar do Brasil para ajudar o país a enfrentar a pior onda de violência desde 1999, quando o país se tornou independente da Indonésia.
Em entrevista por telefone à BBC Brasil, o chanceler timorense disse que, até agora, não entrou em contato com o governo brasileiro para pedir assistência, mas ao ser perguntado se tal ajuda seria bem-vinda repondeu: "Certamente que sim".
"Eventualmente o Brasil ajudará. Não solicitamos ajuda nesta fase porque é muito longe, e o encargo é muito grande para o Brasil", afirmou.
Soldados da Austrália, Nova Zelândia e de Portugal estão sendo enviados para o país, que enfrenta uma série de confrontos desencadeada pela demissão de soldados timorenses.
"O Brasil já ajuda bastante. Estão aqui centenas de brasileiros trabalhando como missionários, professores e juristas. Por isso, achamos que não deveríamos sobrecarregar o Brasil", comentou Horta.
Tensão
Segundo Horta, a situação no Timor Leste, nesta quarta-feira, está "calma, sem violência, mas com muita tensão".
"Por causa dos incidentes de ontem e hoje, milhares de pessoas fugiram das suas casas e foram para igrejas e centros de acolhimento e também para fora da cidade. As ruas de Díli estão desertas", contou.
Os vôos para fora do país estão todos lotados e as Embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália estão dispensando alguns funcionários.
Mas o chanceler timorense disse que "nenhum estrangeiro está em perigo".
"Não há necessidade de sair do país, mas compreendemos se eles decidirem sair do Timor Leste temporariamente."

