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01/10/2006 - 22h04

Papa Bento 16 ajudou a acobertar pedofilia, diz documentário

da BBC Brasil

O papa Bento 16 desempenhou um papel de peso na ocultação sistemática de casos de abusos sexuais contra menores cometidos por padres católicos, segundo o documentário da BBC "Sexo, Crimes e o Vaticano", exibido na TV aberta britânica neste domingo.

A reportagem do programa examinou um documento secreto interno da igreja, que instrui bispos sobre como lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres em suas paróquias.

O trabalho de reportagem foi feito por Colm O'Gorman --que sofreu abusos por um padre católico aos 14 anos na Irlanda-- especialmente para o programa "Panorama".

Ele foi à Irlanda, Estados Unidos, Itália e Brasil onde ouviu vítimas e ex-integrantes da igreja que confirmaram a política usada pela igreja nesses casos: transferir o padre acusado de abuso de uma paróquia para outra.

Brasil

No Brasil, O'Gorman se encontrou com Elza da Silva, avó de um garoto que sofreu abuso sexual aos 5 anos de idade na cidade de Anápolis, Goiás.

Ela contou que descobriu o abuso depois que o garoto lhe disse que "sabia como fazer amor". Segundo Elza, a família tinha permitido que o padre ensinasse violão ao garoto.

De acordo com a reportagem, o padre Tarcício Tadeu Sprícigo foi transferido de uma cidade para outra quatro vezes. O bispo responsável pelo envio do padre Tarcísio a Anápolis há 6 anos sabia, segundo O'Gorman, que ele havia sido acusado de molestar um garoto de 13 anos em São Paulo em 1991.

Elza diz que foi pressionada pela igreja e pela comunidade a deixar a história de lado.

Depois de 10 anos de abuso, o padre Tarcísio foi condenado a 15 anos de prisão no ano passado.

Num diário, ele escreveu como escolhia suas vítimas. "Idade, 7, 8, 9, 10 anos. Sexo, masculino. Casse social, pobre. De preferência um filho que não tenha pai, que viva só com a mãe ou uma irmã". O padre diz ainda no diário que se aproximava dos garotos ficando amigo da família e oferecendo aulas de violão.

O'Gorman questiona como é possível que o caso brasileiro tenha acontecido em 2002, na mesma época em que alegações vieram à tona nos Estados Unidos e depois de que o então Cardeal Ratzinger ter instruído todos os bispos a enviar casos do tipo diretamente ao Vaticano.

O'Gorman chorou ao dizer que a igreja não forneceu ao menino --chamado de "mulherzinha do padre" pelos colegas de escola-- nenhum tipo de apoio psicológico.

Documento

O documento, "Crimen Sollicitationis" (latim para Crime da Solicitação), foi escrito em 1962 em latim e dstribuído a bispos do mundo inteiro, com a recomendação de que fosse guardado a sete chaves. Poucas pessoas de fora da igreja tiveram acesso a este documento.

O texto impõe um juramento, em que a vítima, o acusado e eventuais testemunhas se comprometem a manter sigilo absoluto sobre o caso.

A quebra do juramento levaria à excomunhão.

Veja cópia do documento da igreja (em inglês)

Durante mais de 20 anos, o homem encarregado de zelar pela obediência aos termos do documento foi o cardeal Joseph Ratzinger - antes de virar papa.

O programa descobriu sete padres acusados de abusos contra menores vivendo no Vaticano ou em seus arredores.

Um deles, o padre Joseph Henn, foi indiciado, em um tribunal nos Estados Unidos, por 13 acusações de abuso de menores.

Durante as filmagens, O'Gorman descobriu que o padre Henn respondia aos pedidos de extradição do escritório de sua ordem religiosa no Vaticano.

A produção do documentário começou em março de 2002. O Vaticano recusou os vários pedidos feitos pela equipe para que fossem respondidos casos apresentados no filme.

A igreja católica tem cerca de 50 milhões de crianças em suas congregações.
 

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