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02/04/2001 - 16h05

FHC cria cargo de corregedor para apurar denúncias de corrupção

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da Folha Online

O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou nesta tarde a criação da Corregedoria Geral da União, um órgão que terá como finalidade apurar e fiscalizar denúncias de corrupção contra o governo federal. O cargo, com status de ministro, será ocupado pela procuradora da República aposentada Anadyr de Mendonça Rodrigues.

Anadyr participou da implantação da coordenadoria de órgãos vinculados da AGU (Advocacia Geral da União). FHC, em cerimônia realizada no Salão Oval do Palácio do Planalto, anunciou nesta tarde medidas para combater a corrupção no governo federal.


Alan Marques/Folha Imagem
FHC e a corregedora Anadyr de Mendonça Rodrigues
"Ela (Anadyr) vai ter carta branca para atuar com status de ministro e para avançar nas investigações sem quaisquer empecilhos, de forma que o presidente não tenha de vir explicar o que já vem sendo feito e para que quem gosta de fazer barulho não faça com o trabalho dos outros", disse o presidente.

Em carta lida durante a cerimônia, o presidente afirmou que "nada é mais importante para fortalecer a democracia que combater a corrupção e a impunidade".

FHC fez questão de enfatizar que, na sua opinião, "todas as denúncias já passam por investigação e que o governo não tem a intenção de encobrir qualquer coisa".

O presidente afirmou que o governo federal se opôs à formação da CPI da Corrupção no Congresso Nacional por considerar que a comissão "iria misturar a investigação de questões fantasiosas com outras reais".

Economia

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que as ações do governo para combater a corrupção têm proporcionado economia aos cofres públicos.

"Isso vem acontecendo por que estou sendo leniente com a corrupção ou por que muitos viram e se calaram? Espero que não tenham visto", afirmou FHC, referindo-se às críticas sobre a lentidão para combater irregularidade em seu governo.

Segundo FHC, a apuração do processo de irregularidades no governo é complexo e lento "porque o Brasil vive num Estado democrático de direito".

"Houve época em que não era assim. Mas, havendo a democracia pela qual lutamos, e lembro que nem todos lutaram, muitos que hoje gritam não lutaram pela democracia, então é preciso apurar."

Para o presidente, "a lentidão não justifica que não se puna". Como exemplo, ele destacou a Secretaria Federal de Fiscalização e Controle Interno, que de 1996 a 2000 teria reduzido as irregularidades em convênios com o governo de 12% para 1%.

"No cotidiano é que estamos destruindo a corrupção", afirmou o presidente.

Contra-ataque

O anúncio de FHC acontece após a divulgação de uma série de acusações de corrupção envolvendo órgãos do governo federal nos últimos dois meses. Entre outros casos, há acusações de desvio de verbas na Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e no Ministério do Transporte.

No Congresso, a oposição ainda tenta instaurar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da corrupção, embora a situação esteja desfavorável para a abertura da comissão _faltam duas assinaturas no Senado e mais de 30 na Câmara.

Segundo pesquisa Datafolha, feita no final de março, 84% das pessoas ouvidas pelo instituto são a favor de CPI para investigar denúncias de corrupção no governo FHC. Para outros 71% existem casos de corrupção no governo; a maioria (56%) acha que FHC não tem combatido a corrupção.

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