Executiva do PT aprova cobrança em eleição e manda missão à China
CATIA SEABRA
da Folha de S.Paulo
A Executiva do PT aprovou ontem proposta de cobrança de contribuição extra aos filiados interessados em participar da eleição da direção do partido, em dezembro. A receita servirá para abater parte da dívida de cerca de R$ 45 milhões, herança da gestão de Delúbio Soares.
O secretário de Finanças, Paulo Ferreira, ficou encarregado de criar o modelo de "contribuição militante", que foi definida na mesma reunião em que o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que não concorrerá à reeleição.
A proposta será submetida ao Diretório Nacional. Além da anuidade de 12% do salário e da cobrança de "dízimo" aos ocupantes de cargo público, o filiado teria que pagar a contribuição para votar. Em 2005, foram 314 mil eleitores. Para este ano a expectativa é maior. "Com a proximidade de 2008, será inevitável que quem queira se posicionar vá querer [contribuir]", avaliou Ferreira. Mas, para o secretário de Movimentos Populares, Renato Simões, "não pode ser imposta".
Como a ameaça de Berzoini de não concorrer à reeleição foi feita a portas fechadas, ela ganhou ares de recado para o Palácio do Planalto. Segundo petistas, ele se queixa da falta de aval do governo. "O presidente do PT tem que ter prestígio junto à coalizão. Para isso, faltando uma relação com o centro do governo mais robusta", disse Ferreira.
Oito dos 16 titulares da Executiva Nacional do PT --entre eles Berzoini-- embarcam segunda para uma viagem de dez dias à China. Serão onze integrantes do comando do partido na comitiva. A viagem faz parte de cooperação com o Partido Comunista chinês. As passagens são pagas pelo PT e as despesas em terra, pelos chineses.
O convite era destinado a sete petistas. Mas o secretário de Relações Internacionais, Valter Pomar, explica: "O protocolo prevê viagens periódicas. Como não fomos em 2005 e 2006, fizemos um três em um."
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