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02/11/2004 - 23h30

Com Fogaça eleito, fórum social ameaça deixar Porto Alegre

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LÉO GERCHMANN
da Agência Folha, em Porto Alegre

Os organizadores do Fórum Social Mundial querem que o evento deixe Porto Alegre já em sua próxima edição, a ser realizada em janeiro, por conta da eleição de José Fogaça (PPS) para a prefeitura da cidade e do conseqüente encerramento do ciclo de prefeitos petistas, que durava 16 anos. O segundo turno foi disputado com Raul Pont (PT).

O sociólogo Emir Sader, coordenador do evento, defende a mudança. "Deixou de haver sentido Porto Alegre ser a sede permanente, o que sempre defendi. Por mais bonita que seja a cidade, não foi isso que nos atraiu, mas a natureza das administrações públicas. Não é revanchismo, mas perdeu sentido ficar em Porto Alegre. Belo Horizonte, Recife e Salvador já se ofereceram."

A posição faz coro com nota distribuída por organizadores do fórum na semana passada. "A mudança das políticas democráticas desenvolvidas em Porto Alegre, com o retorno daqueles que sempre estiveram com FHC [o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso] e implementaram o desastre neoliberal no país, comprometeria a condição de Porto Alegre como capital do Fórum Social Mundial", diz a nota.

O evento ocorre entre 26 e 30 de janeiro, e há até a possibilidade de adiamento para uma definição sobre o local. É possível, também, que se torne bienal.

Uma definição sobre o tema poderá ocorrer em reunião a ser realizada entre os dias 13 e 15 deste mês. Amanhã, em São Paulo, haverá um encontro entre os organizadores do fórum em que o assunto será abordado.

Em resposta a nota dos organizadores do evento, Fogaça afirmou: "Diante da insegurança de alguns segmentos vinculados à organização do Fórum Social Mundial, queremos reafirmar nosso compromisso de receber de braços abertos todos os movimentos sociais de todas as origens culturais e lugares do mundo para celebrarmos juntos, em janeiro de 2005, mais uma edição desse evento que representa a pluralidade".

Os empecilhos para a mudança são a proximidade da data e o compromisso assumido pelo atual prefeito de Porto Alegre, João Verle (PT), que já garantiu R$ 2 milhões para sua organização. Outro fator é o compromisso assumido por Fogaça, antes e após as eleições, de manter o Fórum Social Mundial em Porto Alegre.

Será a quinta edição do fórum. As três primeiras foram em Porto Alegre, e a deste ano, na Índia.

Esquerda democrática

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, afirmou que, com Fogaça, Porto Alegre não só continuará sendo administrada pela esquerda como, agora, será por uma "esquerda democrática".

"O problema do PT em Porto Alegre foi o isolamento, o sectarismo e a intransigência. Somos a esquerda com história. O PT pensa que inaugurou a esquerda no Brasil, e isso não é verdade", disse.

Freire afirmou que uma vitória importante como essa no Estado de origem do ex-governador Leonel Brizola ajuda a impulsionar diálogos com o PDT, em uma possível fusão. "A esquerda no Brasil ainda não está governando com o seu projeto. O PT ganhou como esquerda, mas seu projeto em nada difere do governo do PSDB. Em alguns aspecto, está sendo até reacionário", afirmou.

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