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Jefferson depõe hoje perante Conselho de Ética da Câmara
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da Folha Online, em Brasília
O presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), depõe nesta terça-feira, a partir das 14h30, no Conselho de Ética e Decoro da Câmara. Esta será a primeira vez que o deputado falará aos congressistas, após ter feito denúncias do esquema de pagamento de mesada, por parte do governo, a deputados da base, o chamado "mensalão".
Jefferson completa hoje 52 anos. Pela manhã, ele fez aula de canto em sua residência e recebeu uma cesta de café da manhã e flores. O deputado recebeu ainda uma encomenda dos Correios.
Desde que fez as denúncias, em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo, Jefferson não voltou ao Congresso. O deputado carioca avisou, no entanto, que não tem provas do que afirma. Na última entrevista, Jefferson afirmou que o dinheiro para o pagamento de R$ 30 mil mensais aos deputados viria de empresas, estatais e privadas.
Segundo Jefferson, os "operadores" do esquema seriam o publicitário Marcos Valério, amigo do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o líder do PP na Câmara dos Deputados, José Janene (PR), com o conhecimento do ministro José Dirceu (Casa Civil). Todos negam as acusações.
A falta de provas deve ser o principal problema de Jefferson perante o conselho. O deputado enfrenta um processo por quebra de decoro parlamentar por ter feito acusações a outros deputados sem que houvesse provas. A ação foi movida pelo presidente nacional do PL, deputado Waldemar Costa Neto (SP).
Defesa
O relator do caso Roberto Jefferson no conselho é o deputado Jairo Carneiro (PFL-BA). O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), prometeu ontem dar maior prazo para que o deputado apresente sua defesa.
Pelo regimento interno da Câmara, ele teria 20 minutos para sua exposição, prorrogáveis por mais dez. "Vou dar liberdade total a ele. Nós precisamos dar uma satisfação à sociedade. O tempo de que ele precisar para falar ele vai ter."
Jefferson, que é advogado criminalista e está em seu sexto mandato na Câmara, abriu mão da defesa prévia por escrito. Segundo seus advogados, o deputado preferiu ele próprio, na mesa do conselho, fazer sua defesa.
Após a exposição inicial de Roberto Jefferson, será dada a palavra ao relator do processo, para que faça suas perguntas. Cada integrante do conselho, formado por 15 deputados, terá dez minutos para fazer perguntas, com direito à réplica.
Os deputados que não fazem parte do órgão também poderão perguntar, mas terão a palavra por apenas cinco minutos. O depoimento de Roberto Jefferson será no plenário 2, que tem capacidade para cerca de 180 pessoas.
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