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Lula quer ministro para abrir "canal de diálogo" com a mídia
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VALDO CRUZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca um nome para ocupar o Ministério das Comunicações que possa estabelecer um "canal de diálogo" com os donos e diretores de empresas de comunicação.
O ministério ficará vago em abril com a saída do cargo de Hélio Costa (PMDB-MG) para disputar o governo mineiro.
Segundo um auxiliar de Lula, ele tem se queixado do que classifica de "atitude agressiva" de alguns setores da mídia e avalia nomear um ministro das Comunicações com "capacidade de interlocução" com a mídia.
A relação de Lula com a imprensa desde que chegou ao poder nunca foi amistosa. Ele costuma dizer que não lê jornais e chegou a afirmar que o "papel da imprensa não é o de fiscalizar, e sim de informar".
Na semana passada, disse que, "neste país, eles [empresários da mídia] não estavam acostumados a ter um presidente da República que não precisa almoçar com eles, jantar com eles e tomar café com eles para governar este país."
A ideia, segundo assessores de Lula, é que o sucessor de Hélio Costa seja alguém que faça uma "conexão com as TVs e jornais impressos" na busca não só de dialogar com os empresários mas também transmitir o pensamento do presidente acerca de críticas feitas pela mídia contra seu governo.
Lula está preocupado principalmente em defender sua candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Sua equipe tem debatido estratégias para tentar melhorar a relação de Dilma com a imprensa.
Até agora, Lula ainda não citou nomes que poderiam se encaixar nesse perfil, mas já avisou a cúpula do PMDB, responsável pela indicação política para o Ministério das Comunicações, de sua intenção.
Segundo a Folha apurou, os peemedebistas vão tentar buscar um nome que agrade o presidente e possa exercer a função pretendida por Lula.
O presidente avalia que esse novo ministro poderia dividir com Franklin Martins (Comunicação Social) o trabalho de diálogo com a imprensa.
Deslocar Martins para o ministério de Hélio Costa está fora de cogitação, por ele hoje desempenhar também um papel de conselheiro político do presidente no Palácio do Planalto.
A intenção inicial do PMDB era apoiar a indicação do nome preferido do ministro Hélio Costa, que gostaria de fazer seu atual chefe de gabinete, José Artur Filardi, seu substituto à frente do ministério.
No discurso da semana passada, Lula também criticou os editoriais dos jornais. "De vez em quando é bom ler [editoriais de jornais] para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas, que dizem que são democratas, mas que agem querendo que o editorial deles seja a única voz pensante no mundo", disse.
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