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08/11/2005 - 00h50

Lula nega "mensalão", mas admite caixa 2 no PT

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou, durante entrevista na TV Cultura nesta segunda-feira, a existência do "mensalão", mas admitiu que a denúncia do deputado cassado Roberto Jefferson trouxe à tona o caixa dois do PT em parte de suas campanhas eleitorais, o que ele classificou como uma ação "contra a história do próprio partido".

"Ele [ex-o deputado Roberto Jefferson] foi cassado justamente porque não provou as denúncias que ele fez, no que diz respeito, por exemplo, aos mensalões. O que ele provou foi que o PT teve uma prática de financiamento de campanhas totalmente contra a história do próprio partido e isto está sendo apurado nas CPIs", afirmou Lula.

Lula foi entrevistado pelo apresentador Paulo Markun e mais quatro ex-apresentadores do programa Roda Viva, que completou 19 anos de existência e sua milésima entrevista nesta segunda-feira.

O presidente confirmou parte da história de Jefferson, relatada muitas vezes, quando contou pela primeira vez a Lula sobre o "mensalão". Na versão do ex-deputado, Lula teria chorado e lhe dado um abraço após o fim de seu relato.

Lula não confirmou o choro, não mencionou o abraço e também contrariou a versão de que o então ministro da Casa Civil José Dirceu estivesse presente. Ele afirmou que questionou aos parlamentares Aldo Rebelo (PC-do B-SP), então do líder do governo no Congresso, e Arlindo Chinaglia, então líder do PT na Câmara, sobre o assunto.

"Eles categoricamente disseram que isso era uma peça de ficção, que não existia mensalão dentro do Congresso Nacional. E pelo que consta, até agora, não foi provado que tem mensalão. Até agora, o que foi cassado, foi cassado porque contou uma inverdade sobre o Congresso Nacional", disse Lula.

Sobre a polêmica envolvendo uma suposta doação de recursos feita por Cuba ao PT, apontada em reportagem da revista "Veja", Lula disse que a acusação é "inverossímil" e que não acredita. Para o presidente, que disse conhecer o "miserê" que o país liderado por Fidel Castro está vivendo, Cuba não tem dinheiro para distribuir. "Posso dizer de coração que não acredito que Cuba tenha dinheiro para dar", afirmou.

O presidente atravessou toda 1h40 de entrevista de forma bastante calma, até mesmo quando inquirido sobre o investimento da Telemar na empresa de seu filho. O acordo foi criticado porque a operadora de telefonia fixa tem participação de fundos de pensão em seu quadro de acionistas.

O presidente somente se mostrou mais irritado quando lembrou as críticas à compra de um avião para as viagens presidenciais, que recebeu o apelido de "Aerolula", e chamou seus críticos de "hipócritas".

Reeleição

O presidente também disse, por várias vezes, que ainda não decidiu se vai sair candidato a um segundo mandato e que, na verdade, é contrário ao instituto da reeleição. "Defendo a tese de que deveríamos ter um mandato de cinco anos sem direito à reeleição", afirmou.

O presidente ainda respondeu um pequeno bloco de perguntas sobre a situação de seu ex-ministro José Dirceu, que enfrenta um processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara e corre o risco de ter seu mandato cassado.

Para o presidente, Dirceu fatalmente será cassado pelo Congresso mas que será por motivações políticas. Também afirmou que não surgiram provas materiais contra o deputado e o comparou ao ex-parlamentar Ibsen Pinheiro, que foi cassado para posteriormente ser inocentado.

Sobre a saída de Dirceu da Casa Civil, ele disse que, quando surgiram as denúncias do caso Waldomiro Diniz, ele pediu que o ministro permanecesse. "Na segunda fase, quando começaram a atacar muito o José Dirceu, eu tive uma reunião com ele e disse: 'José Dirceu, eu acho que chegou o momento de você pensar se não é melhor você voltar para o Congresso Nacional, porque lá está o centro do debate sobre a crise", disse Lula.

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