29/11/2005
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18h07
da Folha Online, em Brasília
O escritor Yves Hublet, 67, agrediu nesta terça-feira o deputado José Dirceu (PT-SP) com uma bengala que tinha um ponta de ferro. Foram dois golpes que atingiram a cabeça do deputado. A agressão ocorreu na saída do plenário da Câmara.
Hublet, que foi detido logo depois do episódio, disse à polícia que não tinha a intenção de agredir Dirceu. Ele contou que foi visitar a Câmara e que teve um "súbito ataque de nervosismo".
Dirceu estava na Câmara e pouco antes de deixar o plenário conversava com jornalistas e dizia estar "muito bem e tranqüilíssimo" para a votação de amanhã. "Eu mesmo não acredito que consegui chegar aqui como estou. Só eu sei o que passei."
Logo após o episódio, Dirceu comentou: "É mais uma agressão contra mim".
Mesmo assim, o deputado afirmou que continua tranqüilo e sereno. "É inaceitável o que aconteceu, é uma tentativa de me agredir. Eu não conheço o cidadão que praticou esse ato. Eu não tenho palavras para descrever o que aconteceu, mas vou continuar a minha luta. Nada me intimida, nada me fará voltar atrás na minha determinação de provar a minha inocência", declarou.
Dirceu afirmou que foi criada uma cultura na política brasileira agressiva quando se fala, por exemplo, em surrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Recentemente, os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Heloisa Helena (PSOL-AL) e o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) ameaçaram agredir Lula.
Por meio de sua assessoria, Dirceu enviou ao escritor um documento que foi distribuído aos parlamentares com os argumentos de sua defesa.
Dirceu informou que está disposto a prestar queixa, mas deverá avaliar melhor.
O escritor foi liberado pela polícia e saiu sem falar com a imprensa.
Ação
Amanhã, o ministro Sepúlveda Pertence, do STF (Supremo Tribunal Federal), deve desempatar o julgamento do mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado pela defesa do deputado.
A ação foi julgada na última quarta-feira e terminou empatada em 5 a 5. Como Pertence não estava na sessão, caberá a ele o voto de desempate. Caso o ministro indefira o pedido de Dirceu, o plenário da Câmara votará amanhã mesmo o parecer do Conselho de Ética que pede a cassação do ex-ministro da Casa Civil.
No mandado de segurança, os advogados de Dirceu argumentam que, no desenrolar do processo, houve desrespeitos ao princípio do contraditório e da ampla defesa, pois testemunhas de acusação foram ouvidos depois que depuseram testemunhas de defesa. Somente esse argumento foi aceito por parte dos ministros do STF.
Além disso, a defesa ponderou que o Conselho de Ética não deveria ter dado continuidade ao processo porque o autor do pedido, o PTB, decidiu posteriormente retirar a representação contra Dirceu.
Os advogados também alegaram que documentos sigilosos sobre os dados bancários, fiscais e telefônicos, que estavam em poder da CPI dos Correios, foram repassados ao Conselho de Ética de forma irregular e por isso não deveria ter sido incluído do processo. Os documentos já foram retirados, mas mesmo assim a defesa contesta a regularidade do processo.
Por fim, os advogados de Dirceu contestaram a prorrogação do prazo de 90 dias de tramitação do processo. No entanto, nenhum dos últimos três argumentos foi aceito pelos ministros do Supremo.
Especial
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Escritor agride José Dirceu com uma bengala na saída do plenário da Câmara
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FELIPE RECONDOda Folha Online, em Brasília
O escritor Yves Hublet, 67, agrediu nesta terça-feira o deputado José Dirceu (PT-SP) com uma bengala que tinha um ponta de ferro. Foram dois golpes que atingiram a cabeça do deputado. A agressão ocorreu na saída do plenário da Câmara.
Hublet, que foi detido logo depois do episódio, disse à polícia que não tinha a intenção de agredir Dirceu. Ele contou que foi visitar a Câmara e que teve um "súbito ataque de nervosismo".
Dirceu estava na Câmara e pouco antes de deixar o plenário conversava com jornalistas e dizia estar "muito bem e tranqüilíssimo" para a votação de amanhã. "Eu mesmo não acredito que consegui chegar aqui como estou. Só eu sei o que passei."
Logo após o episódio, Dirceu comentou: "É mais uma agressão contra mim".
Mesmo assim, o deputado afirmou que continua tranqüilo e sereno. "É inaceitável o que aconteceu, é uma tentativa de me agredir. Eu não conheço o cidadão que praticou esse ato. Eu não tenho palavras para descrever o que aconteceu, mas vou continuar a minha luta. Nada me intimida, nada me fará voltar atrás na minha determinação de provar a minha inocência", declarou.
Dirceu afirmou que foi criada uma cultura na política brasileira agressiva quando se fala, por exemplo, em surrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Recentemente, os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Heloisa Helena (PSOL-AL) e o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) ameaçaram agredir Lula.
Por meio de sua assessoria, Dirceu enviou ao escritor um documento que foi distribuído aos parlamentares com os argumentos de sua defesa.
Dirceu informou que está disposto a prestar queixa, mas deverá avaliar melhor.
O escritor foi liberado pela polícia e saiu sem falar com a imprensa.
Ação
Amanhã, o ministro Sepúlveda Pertence, do STF (Supremo Tribunal Federal), deve desempatar o julgamento do mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado pela defesa do deputado.
A ação foi julgada na última quarta-feira e terminou empatada em 5 a 5. Como Pertence não estava na sessão, caberá a ele o voto de desempate. Caso o ministro indefira o pedido de Dirceu, o plenário da Câmara votará amanhã mesmo o parecer do Conselho de Ética que pede a cassação do ex-ministro da Casa Civil.
No mandado de segurança, os advogados de Dirceu argumentam que, no desenrolar do processo, houve desrespeitos ao princípio do contraditório e da ampla defesa, pois testemunhas de acusação foram ouvidos depois que depuseram testemunhas de defesa. Somente esse argumento foi aceito por parte dos ministros do STF.
Além disso, a defesa ponderou que o Conselho de Ética não deveria ter dado continuidade ao processo porque o autor do pedido, o PTB, decidiu posteriormente retirar a representação contra Dirceu.
Os advogados também alegaram que documentos sigilosos sobre os dados bancários, fiscais e telefônicos, que estavam em poder da CPI dos Correios, foram repassados ao Conselho de Ética de forma irregular e por isso não deveria ter sido incluído do processo. Os documentos já foram retirados, mas mesmo assim a defesa contesta a regularidade do processo.
Por fim, os advogados de Dirceu contestaram a prorrogação do prazo de 90 dias de tramitação do processo. No entanto, nenhum dos últimos três argumentos foi aceito pelos ministros do Supremo.
Especial

