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27/03/2006 - 17h26

Palocci pede afastamento da Fazenda após quebra do sigilo de caseiro

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da Folha Online, em Brasília

O ministro Antonio Palocci Filho pediu há pouco o seu afastamento do cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a assessoria de imprensa. Como Palocci pediu afastamento --e não demissão--, ele mantém o foro privilegiado que dá direito de responder a eventuais processos somente no STF (Supremo Tribunal Federal).

"O ministro Antonio Palocci Filho decidiu solicitar ao presidente da República seu afastamento do cargo. O ministro está encaminhando ao presidente Lula carta explicando suas razões", diz a nota da Fazenda.
Folha Imagem
Palocci pede afastamento
Palocci pede afastamento


O conteúdo completo da carta será divulgada após a entrega ao presidente. O Palácio do Planalto não soube informar se Lula aceitou o pedido de afastamento.

Desgastado por denúncias não comprovadas de corrupção quando era prefeito de Ribeirão Preto, Palocci deixa o Ministério da Fazenda após quase 39 meses no cargo.

A situação de Palocci se agravou após ser desmentido pelo caseiro Francenildo Costa, que disse ter visto o ministro na casa alugada em Brasília pelos ex-assessores de Ribeirão Preto para "negócios suspeitos" e festas com prostitutas.

A derrocada foi motivada pela quebra do sigilo bancário de Francenildo. A quebra ilegal dos dados bancários configura violação da lei de sigilo bancário (nº 105/2001) e a pena é de um a quatro anos de reclusão para o autor da quebra.

Palocci ganhou notoriedade nacional ao coordenar a campanha de Lula para a Presidência da República em 2002. Foi ele quem ajudou a levar o PT da esquerda para o centro ao fazer o elo entre o partido e o empresariado e o mercado.

Começou a vida política na esquerda, onde militou na Libelu (Liberdade e Luta) --movimento de tendência trotskista-- e entrou no PT em 1981. No entanto, só foi assumir um posto na direção nacional do partido mais de 20 anos depois, em 2002, quando assumiu a coordenação do programa de governo de Lula, substituindo o prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro daquele ano.

Após a campanha vitoriosa, coordenou a equipe de transição. Ao deixar a Fazenda, Palocci também reduziu o número de integrantes do 'núcleo forte' da transição que permanecem no governo Lula. José Dirceu deixou a Casa Civil em junho do ano passado, após as denúncias de Roberto Jefferson que o acusavam de ser o operador do mensalão.

Na mesma onda de denúncias, Luiz Gushiken deixou a Secretaria de Comunicação, onde tinha status de ministro, para assumir ao Núcleo de Assuntos Estratégicos. Apenas Luiz Dulci (Secretaria Geral) permanece no posto original.

No período em que comandou o Ministério da Fazenda, a economia do país cresceu 0,5% em 2003, 4,9% em 2004 e 2,3% no ano passado. Com um forte esforço fiscal, a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB (Produto Interno Bruto) passou de 55,5%, em dezembro de 2002, para 51,6%, em dezembro do ano passado. Também sob a gestão de Palocci o Brasil conseguiu melhorar a composição da sua dívida, com a redução do endividamento externo e da menor participação de títulos cambiais e atrelados à Selic na composição na dívida interna. Por outro lado, aumentou a participação dos títulos prefixados --para o governo, isso é melhor, porque se sabe antes o quanto vai pagar.

Quando já sofria as denúncias de seus ex-assessores Buratti e Poleto na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Bingos, Palocci enfrentou também um embate público com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Ela criticou, em novembro do ano passado, que a política de juros altos fazia o rigoroso ajuste fiscal 'enxugar gelo' --isso porque o governo cortava gastos, mas tinha uma despesa elevada com juros da dívida pública. Foi nessa época em que começaram os rumores de que Palocci poderia deixar o cargo.

Agora, Palocci pode tentar se eleger deputado federal e manter o foro privilegiado para responder a suspeitas de corrupção de sua gestão em Ribeirão Preto.

Palocci é médico sanitarista e nasceu em Ribeirão Preto, em 1960. Elegeu-se em 1989 para a Câmara de Ribeirão Preto e foi prefeito da cidade entre 1993 e 1996. Em 1998, Palocci foi o quarto mais votado do PT para o cargo de deputado federal, com 125 mil votos. Em 2000, ele foi eleito pela segunda vez prefeito de Ribeirão Preto, vencendo a eleição já no primeiro turno.

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