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27/08/2006 - 09h59

PT paga e dá comida para Mercadante ter militantes nas ruas

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ROGÉRIO PAGNAN
da Folha de S.Paulo

Sob as bandeiras que engrossam os eventos de campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista, se escondem desempregados, estudantes e até crianças de dez anos que dizem desconhecer o petista, mas são atraídos pelas promessas de churrascos, dinheiro e bolas de futebol.

Aliciada por candidatos a deputado, essa "militância de aluguel" integra o que o PT considera a mola propulsora para levar a eleição ao segundo turno.

"Nas pesquisas eu estou crescendo, até esse momento, por causa da militância que tem garra, que está na rua, está trabalhando e é a melhor militância desse país", disse Mercadante, no último dia 17, em Carapicuíba (Grande São Paulo).

O petista apareceu na semana passada com 18% das intenções de voto no Datafolha, contra 48% do tucano José Serra. "Essa luta, essa história da militância do PT, é a alma da nossa campanha", complementou.

Entre os militantes em Carapicuíba, estava o catador de papelão Alexandre Roberto de Oliveira, 20, de Francisco Morato, que foi fisgado pelo estômago.

"Disseram que vai ter um almoço aqui e, mais tarde, um churrasco lá [Francisco Morato]. Não vou mentir para você, foi por isso que eu vim. Estou desempregado", disse ele que segurava a bandeira do candidato à Assembléia Marcos Martins (PT), de Osasco.

O estudante Manoel Jovino Rios da Silva, 10, também participou de uma caminhada de Mercadante, em Jandira, carregando um cartaz do candidato a deputado estadual do PT Reginaldo Santos, o Zezinho.

Silva era um dos 18 jogadores de futebol do "Força da Juventude" que participou do evento com a promessa de receber bolas e camisas. "Disseram para a gente gritar bem alto: Zezinho! Zezinho!", disse outro "militante", Guilherme de Souza, 11.

Momentos antes, em Barueri, Mercadante disse ser um fato histórico do PT a presença de muitas pessoas. "A militância sempre esteve presente na nossa história. Eu, por exemplo, fui cabo eleitoral durante mais de 15 anos. Seguramente, a grande maioria da militância que está aí acredita no Lula, no Mercadante e no PT", disse.

Do lado de fora do restaurante onde o petista concedeu a entrevista, um grupo de militantes afirmou à Folha ter sido contratado para gritar durante a visita do petista por R$ 350.

Nesse valor estariam inclusos mais 44 dias de trabalho, ou R$ 7,80 por dia. "Mas não temos certeza se vamos receber. É o primeiro dia", disse o estudante Diego Rodrigues Souza, 16, carregando a bandeira do candidato estadual Baltasar Rosa.

Ainda em Barueri, os estudantes Welligton Ezequiel, 15, e Jean Rafael Lima, 14, foram contratados por R$ 15 pelo candidato Agnério Neri Ferreira. "Meu sonho é comprar um tênis. Vou juntar o dinheiro até comprar", disse Lima.

Nesse mesmo evento, mãe e filho carregavam cartazes de Ferreira.
"O que a gente queria ganhar mesmo é um emprego", afirmou a desempregada Sirlene Aparecida Dias da Paz, 37, ao lado do filho Rafael, 18.

A Folha conversou com 14 militantes dos eventos petistas, e todos disseram desconhecer Mercadante e negaram interesse político na participação.

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