Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
09/09/2006 - 02h46

Fafá de Belém diz que PT não pode mais sustentar imagem de "santa no bordel"

Publicidade

MALU DELGADO
da Folha de S.Paulo

Em duas horas e meia de conversa, Fafá soltou 66 das suas longas e típicas risadas. "Sem Anos de Solidão" é o nome de batismo do livro --escolhido por Millôr Fernandes-- em que ela contará sua trajetória.

Um caminho onde a política é a protagonista. Personagem ímpar da campanha das Diretas, Fafá cresceu ouvindo o pai falar de política. "Penso a vida como uma ação política", define.

Com a autoridade de quem conviveu na intimidade com "políticos de A a Z", ela afirma que o atual momento é "fantástico" porque todos os cacoetes da política foram revelados, e o PT não pode mais sustentar a imagem de "santa no bordel".

Antecipando alguns trechos do livro, ela fala das desavenças com a esquerda na época das Diretas, conta mágoas com o PMDB e critica a ditadura da estética. Votou em Lula na eleição passada, mas agora está indecisa. "O Brasil cada vez mais amadurece politicamente. São tirados todos os véus. Ou será que o primeiro mensalão foi esse? Fala sério, né!"

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Folha - Música e política sempre se misturaram na sua vida?
Fafá de Belém - Sempre. E alegria, claro. Sem prazer eu não existo. Dentro da minha casa eu aprendi a olhar o mundo sem preconceito. As pessoas eram bem-vindas, contanto que tivessem caráter e retidão. Papai não agüentava linhas transversas. Boas pessoas, não interessava a opção religiosa, sexual, política e futebolística, eram bem-vindas. Eu acompanhei isso, fascinada por esse mundo mais velho e interessante que brincar de boneca. A partir dos 10 anos entendi que para fazer um link com esse mundo eu tinha que interagir de alguma forma. Foi quando me descobriram cantando.

Folha - Você escreverá um livro sobre política?
Fafá - Quando comemoramos 20 anos das Diretas, alguém perguntou se eu não ia escrever um livro. Vivi isso com todos os seus percalços, de dentro. Depois o Aecinho [Aécio Neves, governador de Minas Gerais] fez aquele evento em Minas, com todos os personagens das Diretas, e me pediram para cantar o hino nacional. Isso foi mexendo com a minha memória. Aí eu fui almoçar com o Millôr [Fernandes] e ele disse: "Eu acho que você devia escrever, com esse seu jeitão". Conheço gente de todas as esferas, níveis, facções e opções. O nome [do livro] é idéia do Millôr:"Sem Anos de Solidão". Maravilhoso.

Folha - Já começou a escrever?
Fafá - Tem muita coisa escrita. Minha história, que eu me lembro, começa em São Paulo, no final de 1962. Peguei 1964 aqui. Começo a contar a minha vida a partir de um fato político.

Folha - O livro começa em 1964?
Fafá - A minha memória, a narrativa, começa a partir de 64. Foi a coisa mais impressionante quando ficamos uma semana sem aula. Eu tinha sete anos. E eu disse para a professora: a gente não veio à aula por causa da revolução, os militares tomaram o poder. E ela disse: que revolução? Não houve nada de tomada de poder. Cadê o seu pai? Essa coisa da política era conversada lá em casa sem nenhum tipo de panfletagem. Papai não era comunista. Lá em casa todo mundo vinha e o pau comia. Eu sempre penso a vida como uma ação política. De ação, não disso que virou hoje, a banda podre.

Folha - Há prazo para terminar?
Fafá - Eu gostaria de fazer isso no princípio do ano que vem. Não gosto de datas datadas. Eu gosto da contramão. Você consegue entender? Qualquer caminho reto é menos criativo, menos arriscado, e absolutamente conseqüente dentro de uma previsibilidade. Gosto dessa coisa nômade, de pessoas de diferentes olhares. Isso é minha vida.

Folha - O foco do livro é a política?
Fafá - São 30 anos de olhares, os mais diversos, e participando de coisas muito fortes. A parte das Diretas é fortíssima. Durante uma época, diziam que eu era oportunista. Eu ficava arrasada. Queria ser amada por todos. Depois passa. Depois de 30 anos de carreira, tudo vai se acalmando. Agora eu posso fazer um disco de grandes sucessos como uma seqüência da minha vida, e não como uma solução. Ninguém agüenta 30 anos de estabilidade!

Folha - Há famas que te incomodaram ao longo da carreira, como a de oportunista na época das Diretas. E a de brega?
Fafá - A coisa mais violenta que eu sofri foi uma campanha sórdida, alimentada pela imprensa e por setores de esquerda e de direita, depois que eu fiz a campanha das Diretas e apoiei Tancredo. Me chamavam de pé frio. Passei dois anos sem trabalhar. Nunca fiz campanha política ganhando dinheiro. Nunca tive filme patrocinado por partido nenhum. Nunca fiz campanhas fabulosas e milionárias para apoiar um candidato. Tudo que eu fiz sempre foi muito sincero. E talvez essa sinceridade tenha exigido um preço muito alto.

Folha - Você nunca recebeu cachê em campanhas?
Fafá - Não. Nas Diretas nem um tostão no bolso. Nada. Quem resiste a tudo isso não pode mais se incomodar com qualquer coisa. Eu rezava para fazer show. Foi a primeira vez na vida que eu pedi mesada para o meu pai, de 1985 a 1987. Aí fui para Portugal em 1986. Ai eu liguei o botão do foda-se, botei a plaquinha do poupe-me e continuei a minha vida.

Folha - Você disse que pensa na vida como um ato político. O momento atual é de absoluto descrédito com a classe política, mas contraditoriamente os brasileiros se interessam pelo tema. O que explicaria isso, na sua avaliação?
Fafá - O Kotscho [Ricardo Kotscho, jornalista] disse algo fabuloso: a campanha das Diretas é impossível de ser reeditada. Estávamos no final do processo da ditadura, onde o jovem estava convencido de que a política não estava com nada. Através dessa caminhada pelo Brasil nós resgatamos a crença de que era possível fazermos a mudança. Na seqüência da esperança, o Tancredo vem pelo Colégio Eleitoral como uma possibilidade de transição, morre, o Sarney assume e, na seqüência, Collor é eleito. Acho que o Brasil começa a engatinhar politicamente.

Folha - Qual importância da eleição do Lula?
Fafá - A coisa mais importante da eleição do Lula é o Brasil ter apostado num brasileiro, do interior, de Pernambuco, num igual. Isso é um salto do povo brasileiro. Uma referência interna. É fundamental apostar num igual. A partir daí, temos os cacoetes e as manobras da política desnudados. Uma elite muito incomodada. Uma realidade sórdida, porque não esperávamos que o PT fizesse a mesma trajetória dos outros.

E o momento agora é de uma interrogação muito grande. O Brasil cada vez mais amadurece politicamente. São tirados todos os véus. Ou será que o primeiro mensalão foi esse? Fala sério, né. Nós sabemos que não. Os mensalões existem há muito tempo, como manobras de muitos momentos políticos, infelizmente. Só espero que isso, pela última vez, seja lavado. Vejo o Brasil cada vez mais atento, discutindo e falando de política. O que me preocupa, por exemplo, é quando o Roberto Jefferson fala do mensalão e alguns ídolos populares, que falam aos teens, dizem que ele é a salvação do país. Espera aí!

Folha - O que explicaria o boom de campanhas que estimulam o voto nulo, sobretudo na internet?
Fafá - Eles [os jovens] estão desacreditados pela maior esperança que encontraram pela frente. Apostou-se no PT, numa postura que o partido foi incorporando, de vestal, da santa no bordel: 'estamos aqui, mas isso jamais nos contaminará'. E o que se provou é que não. Acho tudo isso saudável para a democracia. Só mexendo nela é que a gente aprende a lidar com ela. Acho tudo isso muito saudável para o processo democrático: a pregação do voto nulo, as denúncias... A internet é hoje um veículo fabuloso. Na época das Diretas nós tínhamos os painéis nas ruas dizendo 'Não vote neles!'. A internet faz isso dentro da tua casa.

Folha - E você não se desencantou com a política?
Fafá - Eu não. Acho que a única solução é a política, é a vontade política de se fazer. A coisa do desvio de verbas, a violência do desvio de verbas, é como matar a criança na barriga da mãe. É tão brutal. Eu não consigo entender como é que alguém tem essa cara de pau de roubar tanto e depois passar mal quando é descoberto. Espero que todos passem mal e morram, para que a gente comece a entender o país fabuloso que é o Brasil. Vai haver muita depuração, mas nós vamos transformar o Brasil num grande país.

Folha - Imagino então que você não vai anular seu voto?
Fafá - Não.

Folha - E já se definiu?
Fafá - Não. Estou olhando. Não voto nulo e nem faço voto útil. Nunca fiz. Tem uma situação que eu vou contar no livro, naquele célebre debate do Lula com o Collor em 89. Eu estava enlouquecida aqui. Foi uma noite de telefonemas. Eu liguei para o Chico [Buarque], para o [Mário] Covas, para o Fernando Henrique. Eu acredito nisso. E vou acreditar a vida toda que é possível trazer gente honesta para esse país, é possível que haja pessoas que possam transformar o Brasil numa Austrália.

Folha - Você já foi próxima do PT?
Fafá - Não, desde 1985 eu sai fora. Eu cheguei ao comício de 25 de janeiro junto com o PT. O PMDB e pessoas ligadas ao Montoro me brecaram porque diziam que eu não tinha uma ligação histórica com a esquerda. E o Lula disse: ela vem com a gente. Quando eu apóio o Tancredo no Colégio Eleitoral, determinadas alas do PT, das esquerdas, ficaram muito chateadas comigo.

A minha relação com o Lula nunca foi abalada. Depois que eu mudei [para Portugal], cada um seguiu o seu caminho. Mas a turma ia jantar na casa dele nos finais de semana, ou eles faziam reunião na minha casa ali na Haddock Lobo. Não o José Dirceu. Mas o Lula, Genoino, Djalma Bom, Devanir. Ainda era clandestino. Ficavam na minha casa, na sala, e eu ia dormir. Nunca me filiei a nenhum partido, nunca sai como candidata a nada porque eu acho que meu palanque, no palco, é muito maior, muito mais amplo, sem compromissos com dogmas. Na eleição do Collor, chegaram a espalhar que eu o apoiei. E eu não apoiei ninguém. Votei no Lula, mas não fiz campanha para lado nenhum. Eu entendi que o meu papel era ali, cidadão.

Folha - Hoje você não tem mais nenhum contato com Lula?
Fafá - Estive com ele na eleição [2004], em Belém. Ele foi fazer campanha para a candidata dele e eu estava no outro lado. E no ano passado eu fui fazer um show em Brasília, no lançamento do Tanto Mar, e me ligaram do Palácio do Planalto. Fui lá e conversamos amenidades. Foi antes da crise.

Folha - Você conheceu na intimidade vários políticos, inclusive do PT. Como reagiu quando veio à tona o mensalão, a crise toda?
Fafá - Eu fiquei muito triste quando todas as insinuações chegaram ao Genoino. Eu gosto muito do Genoino. Não sei se é aquilo, se não é. Fiquei triste por ele, pela história dele. Me lembro que eu chorei.

Folha - Genoino merece seu voto a deputado federal?
Fafá - Não conversamos. Eu terei que dar uma olhada nessa história toda. Se ele tiver alguma responsabilidade sobre aquilo, não. Fiquei triste. Acho muito difícil crer que Genoino tenha parte naquilo. A gente não escolhe família. O irmão dele não é ele. Particularmente, gosto muito dele.

Folha - O envolvimento do PT em corrupção te chocou?
Fafá - Chocado é um termo muito forte quando se fala de política. Chocada eu fico com o bombardeio no Líbano, com o Hizzbollah e Israel. Quando se fala em política é complicado.

Folha - É crível a justificativa de que o presidente Lula não tomou conhecimento do mensalão?
Fafá - Eu estou há muito tempo fora do Brasil. Não tenho condições, hoje, de fazer uma análise profunda da política brasileira. Mas eu me divirto muito vendo esse processo todo. Porque vejo pessoas sem qualquer gabarito para dizer ai posando agora como vestais.

Folha - Político é ingrato?
Fafá - O ser humano, de maneira geral, é ingrato. O político sintetiza a sociedade. O ser humano demonstrar gratidão é muito difícil. Porque a gratidão é o reconhecimento, em determinado momento, de que você foi necessário ao outro.

Folha - É possível hoje distinguir direita e esquerda? O que você acha de ver Lula ao lado de Sarney, Jader Barbalho e outros políticos?
Fafá - É uma miscelânea. A grande decepção que o PT trouxe é porque, talvez por imaturidade, por falta de jogo de cintura, ingenuidade ou sei lá o que, prometeu que jamais se misturaria, entre aspas, com A, B, C e Z. E política é uma grande aliança. Onde é a força do Lula? Ele chegou a rincões, por seu estilo, por seu carisma, muito mais que qualquer outro político. Essas pessoas foram tocadas. Então, quem vier vai ter que chegar a elas. Não dá mais para fingir que elas não existem, que elas não são importantes. Nem que seja como massa de manobra de voto. Infelizmente.

Folha - Em 84 você disse, em entrevista a Ruy Castro, o que achava de vários políticos. Chamou Ulysses de demagogo,Tancredo de adorável. Queria que falasse com a mesma abertura sobre alguns políticos hoje.
Fafá - Ok, manda bala.

Folha - Começamos com o óbvio.
Fafá - O Lula! Ai, meu deus! Deixa ele por último!

Folha - Ok. Geraldo Alckmin.
Fafá - Foi um dos políticos que mais me impressionou ultimamente. Tinha idéia de picolé de chuchu total, e eu conheci o Alckmin no ano passado, numa solenidade em Tiradentes, em Minas, junto com o Aecinho. Fiquei muito impressionada com ele. Há muito tempo, desde a época aura dos grandes políticos, Diretas, PMDB autêntico, PDT e tal, que não via alguém com tanta firmeza.

Folha - Heloísa Helena.
Fafá - A Heloísa é adorável, mas uma menina. Ainda tem muito chão pela frente. O papel dela nessa eleição é bacana, pode levar ao segundo turno, que é uma reflexão melhor.

Folha - Cristovam Buarque.
Fafá - É um professor maravilhoso, de dignidade rara. Não vejo qualquer chance dele, mas vejo como uma chance de quem vai pensar na hora do voto.

Folha - Aécio Neves.
Fafá - Aecinho aprendeu todas as lições com Tancredo. Mas é completamente diferente. Tancredo era uma águia política. Foi o homem que participou de todos os grandes momentos da história e não chegou ao poder. Acho que isso foi a coisa mais dolorosa de todo o processo. O Aecinho, que naquela altura ninguém dava nada por ele, era um playboy, um bon vivant. Conseguiu construir no governo de Minas uma equipe que toca o Estado com muita competência. Tem tido uma ação mineira aos moldes do avô, de costura e discrição. A grande estratégia do Aecinho é fazer com que quem esteja na festa esteja trabalhando, e quem esteja trabalhando esteja na festa. (risadas) Mais mineiro impossível!

Folha - Roberto Freire.
Fafá - Foi meu primeiro voto para Presidente. Disse isso ao Lula e ele ficou arrasado. Roberto é impecável, sério. Posso falar do Fernando Henrique?

Folha - Claro.
Fafá - Fernando está melhor agora que na Presidência. Esse tempo fora da Presidência cria uma liberdade onde está a plenitude dele. É um intelectual, um homem interessante, engraçado, bem humorado. E no papel de atirador de pé está ótimo. Pessoas como Fernando Henrique jamais saíram e jamais sairão da política. Se ele volta num cargo eletivo, aí não sei. Mas a inteligência dele faz falta.

Folha - Já que estamos nos ex-presidentes, e José Sarney?
Fafá - Sarney e Antonio Carlos Magalhães têm uma parceria muito afinada, há tantos anos transitando pelo poder, com poder de fato e de direito. Só que o Sarney é mais discreto na ação. Isso faz com que ele seja um costureiro e se mantenha há tantos anos. É um político profissional. E acho que tem sido um grande conselheiro para o Lula!¦

Folha - Vamos então para o Lula?
Fafá - Eu me lembro do Lula, o Lula Lula. O grande mérito dele foi ser eleito sendo o Lula. Enquanto ele teve medo e foi controlado pelos intelectuais do PT não chegou a lugar nenhum, porque não era ele, e ele não falava na linguagem que queria. Eu não consigo não gostar do Lula. Embora tenha muitas restrições a determinadas posturas dele. Restrições que tenho em relação à postura de muitos políticos. Espero que se ele se reeleger forme um governo onde tudo o que o trouxe ao governo esteja representado. Inclusive os intelectuais e os políticos de outros partidos, que deram sustentação ao PT, para que pudesse existir.

Folha - Em 97, quando cantou para o Papa no Vaticano, você evitou abordar temas polêmicos, como o aborto. Você é a favor?
Fafá - Eu sou pela descriminalização do aborto. Tudo tem solução pela educação. Sem educação não adianta nada. Não adianta legalizar, descriminalizar, se você não consegue preparar uma cabeça para entender como se prevenir.

Folha - E no caso das drogas?
Fafá - Legalização das drogas? Acho que a legalização cuidada. Ao invés de penalizar o dependente químico, você deveria conseguir cuidar dele de uma forma decente. A vontade tamanha de transgressão você não vai tirar do jovem nunca. A droga era usada nos anos 70 para abrir a percepção, para as pessoas se conhecerem, para a gente se entender melhor. Agora, a comercialização do barato é que fez com que esse bando de caretas imensos achem que consumir droga, qualquer que seja a porcaria que vendam, é bacana, entendeu?

Folha - Você já teve problemas com drogas? Você declarou numa época que tinha parado de cheirar.
Fafá - Problemas não. Eu já usei de tudo, como qualquer pessoa da minha geração. Todos nós experimentamos. Quem têm 50 anos e não experimentou, começou cheirar aos 40, o que é muito pior! Porque só pegou coisa ruim.

Folha - Mas houve um momento em que você se obrigou a parar?
Fafá - Ué, quem não tem essa consciência, bicho, ou está maluco, ou ficou no meio do caminho, ou não foi para lugar nenhum. Eu já sou esfuziante, já nasci aditivada! Eu adoro um bom vinho, um bom champanhe e água. E está ótimo.

Folha - E o tema estética? Sempre foi algo polêmico na sua vida.
Fafá - Eu cheguei com os meus peitos, e não tinha que ter peito. Agora tá todo mundo com um maior que o meu. Eu cheguei gordinha...Meu peso sempre foi, a vida toda, entre 70 a 75 quilos. Meu peso ideal é 70. Agora estou com 72, ralando pra chegar nos 70. Hoje eu faço natação. Tenho qualidade de vida muito maior.

Não tomo mais remédio nenhum. Faço naturopatia, antroposofia. Ao invés de ortopedista vou ao osteopata. A partir da morte do meu pai eu repensei a minha vida toda. Comecei a me preocupar com seqüência da minha vida. Fui para yoga, reiki, volto às receitas da minha mãe e da minha tia dos índios do Pará. Não como fritura, gratinados. Mas adoro um vinho, né querida! Faço uma coisa fantástica, que é hidrocoloterapia. De todos os tratamentos que fiz, esse é o melhor. É uma lavagem profunda.

Folha - O que você acha da ditadura da estética?
Fafá - Um horror! Acho maravilhoso que se fale em bulimia, porque não está distante da gente. Já fiz umas duas lipos, todo mundo já sabe disso. Nunca sei o que eu faria hoje ou amanhã. Acho que a pessoa tem que estar bem consigo. A plástica não soluciona nada. Só resolve o estético. Não vai te dar um namorado novo. Quando a gente chega aos 50, entende com mais tranqüilidade ainda que não adianta usar cinta porque todo mundo sabe que está apertada. (risadas). Isso dá a maior liberdade. As rugas fazem parte. Um dia eu botei botóx e queria morrer. Cara, primeiro eu tive uma dor horrorosa. Depois fiquei sem mexer a testa um seis meses. E depois uma febre horrível. Eu disse: meu deus, para que isso? Onde isso vai me levar?

Folha - E redução de mama, já fez?
Fafá - Não, olha só para o tamanho deles (olha, aponta e dá risada). Me propuseram emagrecer para ser alguém na vida, e com 17 anos eu disse que não. Tudo o que pertence ao meu foro íntimo é decidido em particular. O que é pertinente à minha vida profissional, eu posso discutir abertamente com você. As questões particulares, se eu estou namorando, se eu fiz aborto, isso tem a ver comigo. E eu me dou o direito de me preservar. Quando alguém quer se melhorar e acha que esteticamente pode conseguir auto-estima, é problema de foro íntimo.

Folha - A sua vontade de entrar na política tem retorno?
Fafá - Não sei. Eu digo que hoje não. Mas não sei. Em determinado momento quase fui candidata. Hoje não. Ainda continuo gostando muito de política. Sempre vou gostar.

Folha - Que música combina com o Lula?
Fafá - Não sei. Tem a música que combina com esse momento que estamos vivendo. Não é com o Lula, nem é o PT, nem o PSDB. Eu acho que a música é: Vai passar nesta avenida... (canta).

Especial
  • Leia a cobertura especial das eleições 2006
  •  

    Publicidade

    Publicidade

    Publicidade


     

    Voltar ao topo da página