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19/10/2006 - 09h17

PT impôs agenda a Alckmin, dizem cientistas políticos

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da Folha de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT conseguiram impor sua agenda nos últimos dez dias, apoiados no tema das privatizações, e forçaram o candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) a um discurso defensivo que favorece o voto da continuidade em Lula, dizem cientistas políticos ouvidos pela Folha.

Esse seria um dos principais fatores a explicar o aumento da diferença nas intenções de votos favorável a Lula de 11 para 19 pontos --entre as duas últimas pesquisas Datafolha--, afirma Marcus Figueiredo, professor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro).

Para ele e para a cientista política Argelina Figueiredo, também do Iuperj, Alckmin se viu forçado a declarar, no segundo turno, que não privatizará e que não fará modificações no Bolsa Família --o que, em última instância, significa repetir e dar aval para o discurso do presidente Lula.

"Se ele diz que vai fazer o que o outro faz, vamos ficar com quem já faz e está garantido", afirma Argelina, expondo o que considera ser o raciocínio do eleitor, convertido em votos para o petista.

Marcus Figueiredo diz ver ainda um outro problema para o PSDB na origem do aumento da desvantagem nas intenções de voto para Alckmin. Segundo ele, um fator a reforçar os boatos de que os tucanos "privatizariam tudo" estaria na própria declaração de Alckmin, durante o debate da TV Bandeirantes, de que, se eleito, venderia o AeroLula.

"Passou a idéia de que ele iria, de fato, vender tudo", declara o analista. "Isso correu entre os eleitores, de boca em boca."

Mesmo o discurso ético tucano, afirma Argelina, termina por se tornar vazio na ausência de fatos novos. "Essa denúncia da corrupção ficou um pouco vazia. Fala-se sempre, mas os fatos são sempre os mesmos."

Marcus Figueiredo lembra que a taxa de consolidação do voto indicada pelo Datafolha divulgado ontem é muito alta (90% para Alckmin; 91% para Lula), e que "só uma coisa muito grande seria capaz de mudar essa eleição".

"Se acontecer um segundo ou um terceiro dossiê no colo do Lula, isso pode abalar a candidatura dele", afirma. "E não só a candidatura, mas poderia também deflagrar uma crise institucional."

Bomba atômica

Também para o professor emérito de ciência política da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Fábio Wanderley Reis, apenas um fato novo mais impactante ainda que a divulgação das fotos do dinheiro usado por petistas para a compra do pretenso dossiê prejudicial aos tucanos, no final do primeiro turno, seria capaz de virar o jogo a essa altura.

Um fato, ele diz, de proporções "muito intensas", "uma espécie de bomba atômica". O que ele considera difícil. "É improvável que haja um estoque tão grande de erros [dos petistas]", afirma Reis.

"O voto parece consolidado e a tendência, creio, é até de que cresça a vantagem de Lula", diz o cientista político. Para ele, "Alckmin devia fazer como os EUA na Guerra do Vietnã [recomendação feita pelo senador republicano George Aiken]: declarar vitória e sair fora".

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