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08/10/2003 - 15h48

Estudos mostram que o perdão faz bem para a saúde

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GUSTAVO HENRIQUE RUFFO
da Folha Online

Será realizada em Atlanta, nos EUA, nos próximos dias 24 e 25 deste mês, a primeira "Conferência sobre o Perdão", um evento no qual serão apresentados os resultados de pesquisas sobre os efeitos do ato de perdoar na saúde daqueles que o fazem.

O evento é fruto de uma iniciativa ainda maior, a "Campanha por Pesquisas sobre o Perdão", idealizada por médicos do Estado de Virginia, nos EUA, e comandada por Everett L. Worthington Jr., diretor executivo da entidade e chefe do departamento de Psicologia da Virginia Commonwealth University.

"A Campanha por Pesquisas sobre o Perdão foi criada como uma entidade sem fins lucrativos em 1998 para levantar fundos para essas pesquisas. A Fundação John Templeton e outras duas fundações conseguiram US$ 3 milhões, um doador anônimo doou US$ 1 milhão e a campanha conseguiu arrecadar mais US$ 2,4 milhões, algo fundamental para financiar grandes pesquisas sobre esse tema", disse Worthington à Folha Online.

Larga escala

Questionado se era necessário que houvesse financiamento para que os cientistas se interessassem em pesquisar o perdão, Worthington disse: "Já havia um bom número de pesquisas sobre isso, mas a campanha permitiu que fossem feitos projetos numa escala maior".

No site da entidade, o Forgiving.org, há depoimentos de apoio à iniciativa de Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2002, e do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, que é um dos coordenadores da campanha, famoso por sua luta contra o apartheid e pela libertação de Nelson Mandela.

A declaração do arcebispo no site é emblemática no sentido de chamar a atenção para o lado prático de algo geralmente visto como mera conduta moral: "Perdão e reconciliação não são atividades etéreas, espirituais ou de outro mundo. Elas têm a ver com o mundo real, são realpolitik porque, num sentido muito real, sem perdão não há futuro".

Razões práticas

E é isso que a campanha tem a intenção de fazer: mostrar como o perdão se reflete em ganhos de qualidade de vida e saúde financiando estudos de organizações renomadas, como as universidades Stanford e Duke, que verifiquem os efeitos do perdão. Muitos deles serão divulgados na conferência, mas alguns deles já estão saindo.

O primeiro é um estudo do centro médico da universidade Duke, que mostrou que pessoas com dores crônicas nas costas sentem menos dores quando conseguem perdoar pessoas que as magoaram, além de experimentarem menos problemas psicológicos, como ódio e depressão, que aqueles que não perdoaram. Foram analisados 58 pacientes e foi aplicada uma técnica budista para estimular o perdão por parte dos pacientes.

Outro estudo, da universidade estadual de Idaho, ligou o perdão a uma baixa na pressão sanguínea e no nível de cortisol (resultante de uma resposta do corpo ao estresse) a partir de um grupo de 98 pessoas de camadas sociais e econômicas médias e baixas e que buscou ser o mais heterogêneo possível em termos raciais.

O perdão ajudaria a melhorar a qualidade de vida até de pacientes que tiveram lesões na coluna. Segundo um estudo da Universidade de Michigan, realizado com 140 pacientes acima de 16 anos, dos quais 52% eram paraplégico e 48% tetraplégicos, aqueles que conseguiram se perdoar ou perdoar os outros dizem ser mais satisfeitos com suas vidas, apresentam mais saúde e têm mais hábitos saudáveis.

É possível aprender

Como diz Jimmy Carter em sua declaração no site, "perdoar é uma das coisas mais difíceis que um ser humano pode fazer", então pesquisadores da Universidade Stanford realizaram um estudo que demonstrou ser possível aprender a perdoar, atitude que, pelos estudos da entidade, aumenta a saúde física, mental e a vitalidade.

Um grupo de 259 pessoas que tinham conflitos e mágoas não resolvidos, com médias de idade de 41 anos, foi treinado a perdoar por seis semanas, durante sessões de 90 minutos cada. Os métodos utilizados foram palestras, apresentações de imagens, discussões cognitivas e conversas.

Os pacientes tiveram uma diminuição de 70% nos sentimentos de dor, de 13% no grau de ódio que sentiam, 27% nos sintomas físicos --como dores nas costas, tontura, dor de cabeça e de estômago, entre outros--, 15% menos estresse emocional e um aumento de 34% na vontade de perdoar as pessoas que as tinham ferido.
 

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