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05/12/2004 - 10h24

Criacionismo ganha fôlego contra Darwin em escolas dos EUA

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PASCAL BAROLLIER
da France Presse, em Washington (EUA)

A teoria da origem das espécies de Charles Darwin, raramente contestada pelos cientistas, tem sido duramente atacada pela direita religiosa norte0americana, que deseja introduzir no ensino o criacionismo, idéia de uma inteligência superior na origem do mundo.

A teoria de Darwin --segundo a qual homem e alguns primatas têm um ancestral comum-- é questionada pelos membros mais religiosos dos conselhos escolares locais, como o da pequena cidade de Dover, Pensilvânia, onde os professores de biologia têm que ensinar aos alunos de 14 anos que existe uma força criadora superior.

A decisão adotada em outubro foi até agora o maior avanço da corrente "criacionista", que defende a teoria de que os animais e plantas foram criados isoladamente, espécie por espécie.

No seio deste grupo, uma tendência de aparência mais progressista aceita a idéia de uma evolução, atribuindo-a entretanto a uma força inteligente.

"Em 2004, houve vários problemas assinalados no ensino da teoria da evolução em 24 Estados, mas felizmente nenhuma das lei antievolucionismo apresentadas em cinco Estados foi aprovada", declarou Eugenie Scott, diretora do Centro Nacional para a Educação Científica, com base em Oakland, na Califórnia.

Mais poder

Depois da eleição de George W. Bush para um segundo mandato na Casa Branca e o avanço dos conservadores nos planos regional e federal, "a direita religiosa se sente muito poderosa, pensa que seus pontos de vista vão de vento em popa e que ela deve se mostrar mais agressiva na apresentação de suas idéias. Vão atacar ainda mais pesado nos próximos anos", prevê Scott.

O sistema educacional norte-americano é totalmente descentralizado. As escolas particulares elaboram seus programas livremente e no sistema público, apenas 22 Estados estabelecem uma lista de manuais recomendados. Na maioria dos lugares, a liberdade de escolha é total.

O ataque de grupos religiosos contra Darwin não é novo. A primeira ação judicial neste sentido remonta a 1925, com o caso John Scopes, nome de um professor condenado em Tennessee.

Mas os exemplos de um crescimento do movimento se multiplicam. Na Geórgia, no condado de Cobb, o conselho educativo local acrescentou avisos nas apostilas de ciências prevenindo que seu texto contém informações sobre a evolução. "A evolução é uma teoria, não um fato a respeito da vida", escreveram. Um grupo de pais não gostou da medida e entrou com um processo contra ela.

Em Dover, os professores de biologia do colégio devem apresentar aos alunos uma teoria sobre uma "força superior". E os estudantes podem optar por uma apostila alternativo chamada "Sobre os pandas e os homens", que fala sobre a hipótese de uma inteligência divina na concepção do mundo.

Para os defensores do "criacionismo", a teoria da seleção natural apresentada por Darwin não é capaz de explicar a perfeição do código genético nem o equilíbrio natural da vida sobre a Terra.

Entre os que fornecem embasamento científico ao movimento está o Discovery Institute, baseado em Seattle (Washington), que reúne pesquisadores céticos quanto à afirmação dos neodarwinistas de que os mecanismos automáticos de seleção natural e mutações genéticas explicam a complexidade da vida.

Como que para reforçar a polêmica, pendendo a balança para o lado dos evolucionistas, a revista National Geographic dedicou a matéria principal do mês de novembro à pergunta "Darwin se enganou?". Os cientistas entrevistados pela publicação são unânimes: não, sua teoria continua sendo o fundamento da biologia moderna.
 

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