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10/06/2005 - 10h20

Israel e palestinos se aliam para salvar o mar Morto

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RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

Parece paradoxal: o mar Morto está morrendo. Mas ainda pode ser salvo. E agora as três partes interessadas na sua sobrevivência --a Autoridade Palestina e os governos de Israel e Jordânia-- assinaram um acordo para iniciar estudos sobre a viabilidade de não só salvar o mar mas também melhorar a vida das populações em boa parte da região, com ajuda do Banco Mundial.

O mar interior fica na fronteira entre Israel e Jordânia. Ele tem esse nome porque é salgado demais para permitir a vida de peixes e plantas. E está desaparecendo. Seu ritmo de "morte" é relativamente rápido: seu nível fica 80 cm mais baixo a cada ano. No começo do século 20, sua área era de 950 km2; em 1997 era de 640 km2.

"O mar Morto está secando rapidamente desde o começo dos anos 60 por dois motivos: o uso da água da bacia para irrigação e a evaporação acentuada por conta da indústria de potassa [hidróxido de potássio]", disse à Folha Michael Beyth, cientista-chefe do Ministério da Infra-estrutura de Israel e um estudioso do tema.

O atual projeto foi batizado de "Canal da Paz" --embora não seja um canal (mais propriamente um aqueduto) e a paz ainda seja mercadoria rara na região.

A idéia em estudo é levar água do mar Vermelho ao mar Morto, salvando o lago salgado e provendo água para a agricultura e povoações pelo caminho.

Um acordo preliminar foi decidido faz dias pelo ministro da Água e Irrigação da Jordânia, Raed Abu So'oud; pelo ministro da Infra-estrutura de Israel, Binyamin Ben-Eliezer; e pelo ministro do Planejamento palestino, Ghassan Al Khateb.

O "canal" teria cerca de 80 km de comprimento. "Com a constante redução do nível do mar, o canal se torna cada dia mais importante, para compensar a água perdida pela evaporação e pela manutenção de tradicionais áreas turísticas da região", diz Beyth.

O mar Morto é popular entre turistas. Sua altíssima salinidade faz com que qualquer um consiga boiar sem esforço em suas águas.

Segundo Beyth, a construção do aqueduto levaria dez anos e custaria cerca de US$ 6 bilhões. Só o estudo de viabilidade deve custar uns US$ 30 milhões, pagos provavelmente pelo Banco Mundial.

Vários estudos foram feitos ao longo dos anos. Outros projetos recentes, agora descartados, previam canais ligando o mar Morto ao Mediterrâneo. A ligação mar Vermelho-mar Morto foi considerada a melhor opção. Além de servir para recompor o nível de água, o aqueduto e suas obras paralelas trariam a dessalinização e produção de 800 milhões de metros cúbicos de água potável por ano, diz o cientista israelense.

Ainda há desafios científicos pelo caminho. Resgatar o mar Morto não significa só ligar uma mangueira de água do mar para enchê-lo. É preciso saber exatamente qual tipo de água levar até ele.

Mas o projeto despertou a atenção da comunidade científica da região. E, se bem-sucedido, daria um excelente exemplo de convivência e cooperação para uma das regiões politicamente mais instáveis do planeta.

Especial
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