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06/10/2006 - 18h22

Estudo polonês afirma que nazistas usavam corpos humanos para fazer sabão

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da France Presse, em Varsóvia

Durante a ocupação da Polônia, os invasores nazistas usaram "substâncias" dos corpos de prisioneiros dos campos de concentração para fabricar sabão, revelou nesta sexta-feira um estudo realizado pelo Instituto de Memória Nacional (IPN) e que traz à tona pela segunda vez nesta semana os horrores do nazismo.

"Nós concluímos que, sem sombra de dúvida, o sabão foi produzido usando substâncias obtidas de corpos humanos no instituto de anatomia da Academia Médica de Danzig, chefiada pelo professor Rudolf Spanner", disse à AFP Paulina Szumera, funcionária do IPN. Danzig é o nome em alemão para a cidade polonesa de Gdansk.

"Fizemos nossa investigação para calar as vozes que negavam que isto tivesse acontecido", afirmou. No trabalho de pesquisa do instituto, cientistas poloneses estudaram uma barra de sabão apresentada como evidência durante os julgamentos de Nuremberg contra criminosos nazistas depois da Segunda Guerra Mundial, que estava nos arquivos da Corte Internacional de Justiça de Haia, disse Szumera.

A TV polonesa TVN24 citou declarações de investigadores do IPN, segundo os quais os prisioneiros do campo de concentração nazista de Stutthof, no norte da Polônia, e da prisão municipal de Gdansk foram usados para fabricar sabão.

Também foram usados os corpos dos pacientes de um hospital psiquiátrico de Gdansk, disseram os investigadores à TVN24. Alguns quilos de sabão foram produzidos pelos nazistas em Gdansk e utilizados para limpar o laboratório do professor Spanner, acrescentou o IPN. Extrato de amêndoas era adicionado ao sabão para lhe dar um aroma agradável.

Sabões normalmente são fabricados a partir de gorduras e óleos que reagem com detergente (hidróxido de sódio). Esta é a segunda vez nesta semana que os horrores cometidos por nazistas vêm à tona. Na quinta-feira, autoridades alemãs informaram a descoberta, no oeste da Alemanha, de covas coletivas contendo pelo menos 50 esqueletos, 22 deles de crianças, supostamente mortas por nazistas.

Os restos foram encontrados em duas covas de um cemitério católico na cidade de Menden por investigadores que trabalhavam em evidências fornecidas por testemunhas da época da guerra, disse Ulrich Maas, promotor da cidade de Dortmund.

Em uma das covas, os restos de 22 crianças foram encontrados empilhados uns sobre os outros juntamente com os de dois adultos. A outra continha os corpos de um homem e de uma mulher. Maas disse haver suspeitas de que os mortos, principalmente as crianças, eram portadores de deficiências submetidos à eutanásia durante a Segunda Guerra Mundial.

A promotoria de Dortmund tenta provar a teoria e os resultados de exames de DNA feitos nos restos devem sair no fim do mês. Sob o regime nazista, o médico pessoal de Adolf Hitler, Karl Brand, que era o encarregado do programa de eutanásia do regime, tinha um hospital perto do cemitério.

Mais de 70 mil pessoas portadoras de deficiências ou consideradas fisicamente fracas foram assassinadas pelos nazistas, a maioria por injeção de gás ou líquidos venenosos.

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