Peça de 2.800 anos reacende disputa por templo em Jerusalém
da Folha OnlineO Instituto Geológico de Israel, ligado ao Ministério Nacional de Infra-estrutura, confirmou ontem ao jornal "Haaretz" que um pequeno artefato de pedra, com inscrições em fenício, seria do século 9 a.C.
Segundo o geólogo israelense Shimon Ilani, testes de carbono comprovam a datação. Também teriam sido encontrados grãos microscópicos de ouro, os quais existiriam no Monte do Templo, em Jerusalém, na mesma época, segundo a história judia.
A tabuleta foi exposta ao público há alguns meses, mas o dono --um colecionador israelense de Jerusalém-- não quis se identificar.
Seu advogado, David Zailer, disse que a peça foi encontrada durante uma reforma no Monte do Templo ou Esplanada das Mesquitas, como é chamada pelos muçulmanos. O diretor do Grupo Islâmico, que administra o complexo, nega que a peça tenha sido descoberta na área.
A mesquita é um dos três locais mais sagrados para os muçulmanos. A peça, se autêntica, pode acirrar a disputa pela região, já que cléricos muçulmanos afirmam que os judeus nunca pisaram no local.
Para os judeus, o templo foi construído pelo rei Salomão e destruído 400 anos depois, em 586 a.C., pelos babilônios. Para os muçulmanos, o califa Omar ibn-Khattab ordenou que a área fosse limpa no ano 638, para a construção de "uma casa de oração".
O local já foi palco de violentos conflitos entre judeus e muçulmanos. Em 2000, uma visita de Ariel Sharon, atual premiê de Israel, desencadeou a segunda Intifada, levante palestino contra a ocupação israelense.
Semelhanças
A peça, com o tamanho de um talão de cheques, conteria falas do rei Joás, que governou Jerusalém há 2.800 anos, semelhantes às encontradas na Bíblia, no Segundo Livro dos Reis, capítulo 12, versículos 1 a 6 e 11 a 17.
No texto, o rei pede ao sacerdote do templo que obtenha "dinheiro sagrado (...) para comprar pedras de calçamento e madeira e cobre e trabalhadores para realizar a tarefa com fé". Se o trabalho fosse bem-sucedido, "o Senhor" protegeria "suas pessoas com bençãos".
Com agências internacionais

