Bovespa encerra 2003 com ganhos de 97,3%
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SÉRGIO RIPARDOda Folha Online
Após três anos de perdas, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou 2003 como o investimento mais rentável. Em 12 meses, o principal índice da Bovespa acumulou ganhos de 97,3%. No último pregão do ano, o Ibovespa subiu pela quinto dia seguido e encerrou em alta de 0,87%, aos 22.236 pontos, novo recorde na história do índice, que completa 36 anos de criação na próxima sexta-feira.
Essa alta expressiva refletiu, em parte, a recuperação dos preços das ações, que amargaram fortes quedas nos últimos anos, principalmente com a crise de desconfiança que afugentou os investidores estrangeiros no ano passado com a especulação sobre as eleições presidenciais.
No ranking mundial de 2003, a Bovespa teve a terceira maior alta, perdendo para as Bolsas da Tailândia (114,3%) e da Argentina (105%).
Neste ano, os investidores estrangeiros voltaram a aplicar seu dinheiro em ações de empresas de países emergentes, como o Brasil, porque apostam que as companhias vão lucrar mais nos próximos anos e pagar dividendos maiores aos acionistas.
Essa crença decorre da avaliação de que a economia global, liderada pelos EUA, voltará a crescer, ou seja, haverá aumento dos investimentos, da produção das empresas, da oferta de emprego e do consumo das famílias -- apesar dos riscos do quadro externo, como ameaças terroristas, por exemplo.
Por enquanto, os indicadores apontam que a recuperação da economia ainda é tímida. Por isso, os investidores alimentam expectativas de que o governo vai continuar cortando as taxas de juros, a fim de baratear e estimular o crédito nos próximos meses.
Com os sucessivos recordes de alta da Bovespa, muitas pessoas físicas decidiram colocar seu dinheiro em ações, com a esperança de multiplicar suas economias. Elas já respondem por cerca de 30% do volume de negócios.
Cerca de 110 mil pessoas físicas operaram na Bovespa neste ano, segundo o superintendente da corretora do Santander Banespa, João Carlos Pimenta.
No entanto, analistas alertam que o mercado de ações possui um grau elevado de risco e que investidor tem de aplicar visando retornos no longo prazo.
Especialistas não descartam que, em caso de saída de recursos dos estrangeiros, as ações passem a cair, prejudicando as aplicações das pessoas físicas, como ocorreu no início do ano, antes de estourar a guerra no Iraque.

