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23/01/2004 - 14h07

Pesquisas melhoraram agricultura

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da Folha de S. Paulo

Alface, tomate, berinjela, cebola, repolho, cenoura, couve-flor, brócolis e pepino. A não ser que more em Marte, você provavelmente já comeu alguma dessas hortaliças em sua vida. E, se o fez, deve agradecer a refeição à Universidade de São Paulo, mais especificamente à centenária Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), em Piracicaba.

Hortaliças provêm de climas temperados. Eram de difícil cultivo em um país tropical como o Brasil. As sementes eram importadas. As variedades disponíveis não se adaptavam ao verão brasileiro, só podiam ser bem cultivadas no inverno. Não se podia comer verdura o ano todo.

Essa situação foi mudando a partir de 1945, graças aos trabalhos de genética vegetal de um professor da Esalq, Marcílio de Souza Dias (1915-1974), um bom exemplo de pesquisa aplicada da USP que beneficiou a sociedade. Os cruzamentos selecionados de variedades cada vez mais adequadas às condições do país possibilitaram que os genes mais "abrasileirados" se fixassem nos vegetais.

O brasileiro também pode agradecer à Esalq pela sobremesa e pelo cafezinho. Pesquisadores da escola modernizaram a indústria do açúcar, combateram doenças da cana e ajudaram no melhoramento genético do café.
E, se passar mal com a comida, poderá ser atendido no Hospital das Clínicas, ligado à Faculdade de Medicina e um dos mais importantes do Brasil. Várias gerações de médicos da USP contribuíram para isso.
Um dos mais importantes e simbólicos foi Euryclides de Jesus Zerbini, que realizou o primeiro transplante de coração no país em 1968 (o 17º no mundo). Zerbini criou o Instituto do Coração, um dos centros de excelência da medicina brasileira.

Mais nova que sua colega da capital, criada em 1913, a FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) começou a funcionar nos anos 50. Teve a sorte de ter como primeiro diretor, de 1952 a 1964, um pesquisador, Zeferino Vaz, que depois seria o primeiro reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Vaz atraiu para a FMRP pesquisadores do porte de Maurício Rocha e Silva (1910-1983), o maior nome da farmacologia brasileira, cotado para o Nobel, e um dos descobridores da bradicinina.

A bradicina é um vasodilatador, um peptídio (pedaço de proteína) que permite regular a espessura dos vasos sangüíneos e, assim, controlar a pressão arterial. Essa substância foi descoberta no Instituto Biológico em 1948 por Rocha e Silva, Wilson Teixeira Beraldo, então professor da Faculdade de Medicina da USP (a da capital), e Gastão Rosenfeld, que tinha sido do Instituto Butantan.

Os discípulos de Rocha e Silva em Ribeirão Preto continuaram suas pesquisas. Sérgio Henrique Ferreira demonstrou a presença de fatores potencializadores da bradicinina no veneno da jararaca, descoberta que serviu à indústria farmacêutica para criar medicamentos contra a hipertensão.

Quando se fala na importância da biodiversidade da floresta amazônica, o nome de um pesquisador da USP, hoje aposentado logo surge. Trata-se de Otto Richard Gottlieb, do Instituto de Química da USP, nascido na atual República Tcheca em 1920 e naturalizado brasileiro.

Os estudos pioneiros de Gottlieb sobre química das plantas abriram um novo campo de estudos, conhecido como sistemática bioquímica de plantas. Trata-se de classificar as plantas também pelas substâncias químicas que elas contêm em seu organismo. Gottlieb é um dos raros pesquisadores do país que podem ser considerados "nobelizáveis".
 

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