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09/06/2009 - 07h53

Pacientes que tiveram câncer na infância tendem a ser fumantes

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FERNANDA BASSETTE
da Folha de S.Paulo

Estudo realizado no Hospital A.C.Camargo, em parceria com o Grupo de Estudos para os Efeitos Tardios do Tratamento Oncológico, sugere que pessoas que tiveram câncer na infância e hoje estão curadas são mais suscetíveis a serem fumantes do que a população em geral.

De acordo com a psiquiatra Célia Lídia da Costa, coordenadora do GAT (Grupo de Apoio ao Tabagista) do A.C.Camargo e autora do estudo, uma das razões para explicar essa situação é que essas pessoas têm a tendência de compensar no cigarro o trauma vivido com a doença -o que os torna mais vulneráveis à dependência psicológica intensa do tabaco.

O levantamento analisou os hábitos de vida de 278 ex-pacientes que tiveram câncer quando crianças e foram tratados no A.C.Camargo.

De acordo com a pesquisa, 31,7% deles afirmaram ser fumantes e todos têm dependência elevada do tabaco associada a altos níveis de ansiedade e prejuízo no convívio social.

A população geral de tabagistas no Brasil (com ou sem câncer) é de 18%, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer). É por isso que os resultados preocuparam a pesquisadora.

"O que nós constatamos é que o tabagismo é um efeito tardio do tratamento oncológico, por causa do estresse sofrido por essas pessoas na infância. Ninguém tinha estudado essa relação antes", diz Costa.

Na opinião da psiquiatra, o número de fumantes entre os ex-pacientes de câncer foi "surpreendente e assustador". "Acho que essa população terá de ser vista de outra maneira e terá de receber orientações nesse sentido. Esse grupo de pessoas deveria estar longe do cigarro, pois ainda há o risco aumentado de o câncer voltar."

Câncer de pulmão

Dados do Inca apontam que 90% dos casos de câncer no pulmão são causados por causa do tabagismo e que, entre os 10% restantes, um terço é de fumantes passivos. Além disso, 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer estão relacionadas ao cigarro.

De acordo com a psicóloga Vera Lúcia Gomes Borges, do Programa de Tratamento do Fumante do Inca, os estudos comprovam que, na população em geral, fatores comportamentais como ansiedade e depressão contribuem para que uma pessoa se torne dependente do cigarro. Mas ela desconhece estudos relacionando o câncer e o tabagismo.

"Se as pessoas que são mais ansiosas e mais depressivas encontrarem o cigarro no meio do caminho, a tendência é que elas se tornem dependentes. Elas usam o cigarro para lidar melhor com a situação. Esses pacientes que tiveram câncer se englobam nessas características da população em geral", diz.

 

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