SPFW traz look individual versus massificação do jeanswear
ERIKA PALOMINOda Folha de S. Paulo
Em seu terceiro dia, a São Paulo Fashion Week mostrou anteontem uma das faces da moda brasileira. Maxime Perelmuter e Reinaldo Lourenço injetam força criativa e talento no mercado.
Ellus, Iódice e Zoomp, representantes de um modelo de negócios instalado nos anos 80, quando fizeram fama e fortuna, vêm rebolando para criar diferenciais, bater seus concorrentes e se manter em evidência, num varejo difícil e competitivo.
A armadilha é complexa: trendsetters buscam em pequenas marcas seus looks individuais, rejeitando a própria estrutura das grandes marcas, em um fenômeno que se repete, com menos dinheiro, no mundo global dos bens de alto luxo.
Como conseguiram lidar com o momento nesta São Paulo Fashion Week? A Zoomp tenta encontrar o seu caminho e se reestruturar, e mostra uma coleção comercial, com uma personalidade anos 60, com uma amostra diversificada e acessível, que tem seu melhor momento no jeans cinza, futurista. De fato, novo.
A Iódice consegue se mover, criando uma imagem mais fashion, ganhando no camuflado, nos vestidos de seda transformados em agasalhos e macaquinhos, e também nos jeans com recortes e jogo de paetês, com a bem-vinda presença da top Caroline Ribeiro, radicada em NY.
A Ellus é que se empastela, repetindo idéias de seu verão, acionando um imaginário brega, num desfile forçado que se ressente de sofisticação e investimento. Salva-se... o jeans, com fivelas, escuro e fashion. E só.
Do outro lado, aquele dos looks individuais, o carioca Maxime Perelmuter, 24, brilha em uma estréia adulta, provando por que é um dos mais promissores estilistas do momento, misturando tudo à moda grunge, com a nonchalance dos surfistas.
O estilista Reinaldo Lourenço reforça sua personalidade com um futurismo retrô de espírito rock, atraindo a atenção para a figura do estilista, o grande intérprete das sensações e aspirações contemporâneas, criador de imagens e desejos. Agora sim.

