Monólogo "Baile" é desprovido de dramaturgia consistente
BETO LANZAda Folha de S. Paulo, em Curitiba
Monólogo é sempre um risco. É o momento de realização ou o caminho para o limbo na trajetória de um artista. A atriz Vanessa Rodrigues resolveu correr o risco: escreveu , dirigiu e atua no monólogo "Baile dos Miseráveis".
A peça, exibida no Festival de Teatro de Curitiba, é um libelo contra tudo que cheira a consumo. Um texto que pretensiosamente refuta toda sorte de ícones que sejam causas "das misérias humanas", como diz a autora. Um discurso político, desprovido de uma dramaturgia consistente, que não sustenta suas boas intenções.
A encenação é modesta, lança mão de alguns objetos que não tem outra função senão de dar suporte para o trabalho da atriz. Os demais elementos, exceto o impactante figurino, seguem o mesmo caminho, não acrescentam nada visualmente, pelo contrário, chegam a ser enfadonhos.
O ponto relevante da peça é o esforço da atriz em sua performance, é louvável a coragem e o entusiasmo (comovente em alguns momentos) com que Vanessa Rodrigues escancara suas idéias, mas o risco não vale a pena.
Avaliação:
Especial

