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Jabá passa por "profissionalização"
PEDRO ALEXANDRE SANCHESLAURA MATTOS
No rádio, o jabá tem feito o mesmo caminho que seguiu na televisão: a negociação sai aos poucos da clandestinidade para se tornar "operação empresarial".
Antes, para emplacar uma determinada marca de refrigerante numa cena de novela, por exemplo, empresas costumavam fazer acordos informais com um contra-regra ou um produtor.
Em vez de coibir a prática, as TVs passaram a capitalizá-la, criando departamentos de merchandising que oficializaram e organizaram essas negociações.
No caso das AMs e FMs, era comum que gravadoras ou até empresários de artistas pagassem para que os programadores ou locutores executassem suas músicas.
Atualmente, esse esquema fica mais restrito a pequenas emissoras, normalmente em cidades do interior. Em rádios maiores, a execução paga de músicas é acertada em contratos elaborados pelo departamento comercial.
Crise
O avanço acelerado da pirataria de CDs tem agravado a crise das gravadoras -inclusive com o encerramento de atividades da Abril Music, gravadora que tinha política agressiva de inserção comercial. Tal crise vem se refletindo nas rádios, com a redução da chamada verba para divulgação.
Um diretor de uma grande rede de rádio FM de São Paulo, que pediu para não ser identificado, afirmou à Folha que o faturamento com jabá das gravadoras, antes responsável por cerca de 20% da receita da estação, deverá cair neste ano para 5%.
Nesse contexto, ganha força no mercado uma nova classe de profissionais: o "intermediário" de jabá. São produtores musicais que substituem as gravadoras, comprando diretamente espaço nas rádios. Fábio Martins, 28, dono da Rock Shows Produções, na Lapa (São Paulo), faz parte dessa categoria. Ele tem até site na internet com tabela de preço de jabá. Seu "plano básico de divulgação" custa R$ 12 mil e envolve 24 emissoras do interior.
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