Máquina de CDs quer acabar com pirataria
PEDRO ALEXANDRE SANCHESda Folha de S.Paulo
Um inventor paulista radicado em Campo Grande (MS) diz que tem a fórmula para acabar com a pirataria: uma máquina de fabricar CDs. Segudo Nelson Martins, 58, a confecção instantânea e personalizada baratearia o produto e seria uma forma de inclusão social: "Em vez de combater os piratas, vamos atraí-los para a legalidade".
Martins e seu sócio, o empresário Fernando Bezerra, procuraram o músico Lobão, que fez a ponte entre eles e Gilberto Gil. O ministro da Cultura se entusiasmou e nesta semana levou Martins e Bezerra à Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia, que estuda a proposta. Eles dizem precisar de um investimento de R$ 600 milhões para instalar 20 mil máquinas em todo o Brasil.
Suas máquinas funcionariam com um cartão de tipo telefônico, em que o consumidor adquiriria créditos e escolheria quantas e quais faixas incluir no CD. O crédito mínimo, para uma faixa apenas, custaria R$ 0,50.
"Muitas vezes o consumidor quer uma música e tem que comprar um CD por R$ 28 para tê-la. Acaba preferindo o camelô pirata", afirma Martins.
As máquinas teriam reservatório de 34 mil fonogramas, obtidos de gravadoras e artistas independentes. A Associação Brasileira dos Produtores de Discos nega afirmação de Martins de que teria sido procurada para conhecer o projeto. Mas diz que a iniciativa é "interessante, desde que os direitos autorais sejam previamente negociados".

