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22/09/2003 - 04h24

Livro infantil de Madonna encanta apenas pelo visual

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TATIANA BELINKY
Especial para a Folha de S.Paulo

Há muito tempo, na década de 70, eu fui colaboradora da Ilustrada, com duas colunas semanais de comentários, tipo "crítica", uma de teatro e outra de literatura infanto-juvenil.

Mais tarde, depois de fazer uma porção de outras coisas, sempre ligadas à criança, convidada em 1985 por uma grande editora, passei a escrever e a ver publicados meus próprios textos infanto-juvenis. O que significa que, de repente, de "estilingue" virei "vidraça" --alvo da apreciação crítica dos outros-- até hoje.

Qual não foi, pois, a minha surpresa quando recebi um inesperado telefonema da Folha de S.Paulo, me pedindo uma matéria sobre um livro infantil que acabara de sair pela editora Rocco.

Um livro infantil de autoria de nada menos que... Madonna! Aquela mesma, cuja megafama não é exatamente devida à sua atuação na área infanto-juvenil...

Enfim, nada como um dia depois do outro, e eis-me aqui, numa "recaída", às voltas com um elegante volume, de vistosa e lustrosa capa dura branca, ilustrada, como o resto do livro, por Geffrey Fulrinari, com tradução de João Ximenes Braga, cuja qualidade não posso julgar, já que desconheço o original.

O título do livro é "As Rosas Inglesas" --não sei por que, já que a história não poderia ser mais americana, apesar de lembrar bastante os contos de fadas do populário clássico europeu.

Essas "Rosas Inglesas" são quatro garotas típicas da, digamos, classe média americana, sem nada de muito original. A não ser o "nó dramático" da história, que é o crime, ou melhor dizendo a inveja do quarteto, da outra menina, a Binah, que é mais bonita, mais inteligente, melhor aluna e melhor esportista do que elas. E que, apesar dessa "bacanidade", é uma garota triste e solitária.

O que dá para entender em se tratando das quatro "Rosas", que, com medo da concorrência, não querem nada com ela. Mas não dá para entender por que as outras garotas, e principalmente os garotos, não ligam para ela e a deixam isolada --o texto não explica.

Não vou contar a história toda. Mas vou contar que, após um sermão da mãe, acontece a interferência de uma rechonchuda e "disneyana" fada madrinha, que lhes proporciona um sonho, o que as faz cair em si e se arrepender da sua injusta mesquinhez.

Isto depois que elas descobrem que a linda e boa Binah é uma verdadeira gata borralheira na casa do seu próprio pai --mas sem madrasta, o que não seria "politicamente correto", claro...

O "happy end" é convencional e bem moralista. E a história toda não é nada empolgante: um tanto espichada e morna. Não pude deixar de me lembrar do que certo dia me disse uma esperta garotinha de sete anos: livro que não dá pra rir, não dá pra chorar, não dá pra ter medo, não tem graça.

E é isso que falta no texto de Madonna --neste livro que não é ruim nem é bom, antes pelo contrário. Mas, como já disse acima, o "objeto" livro é elegante, bonito e atraente. E as muitas ilustrações, sem nada de genial, são engraçadinhas, bem no espírito do todo.

Tatiana Belinky, 84, é escritora, tradutora e autora de livros infantis como "Um Caldeirão de Poemas" (2003)

As Rosas Inglesas
Autora: Madonna
Tradutor: João Ximenes Braga
Editora: Rocco
Quanto: R$ 32 (48 págs.)
 

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