"O Mesmo Amor, a Mesma Chuva" é o quarto longa de Campanella
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SÉRGIO RIZZOdo Guia da Folha
Duas décadas na história da Argentina contemplam os personagens de "O Mesmo Amor, a Mesma Chuva" (99), quarto longa-metragem para cinema de Juan José Campanella, diretor de TV nos EUA ("Dragnet", "Law & Order").
O registro dessa crônica lembra o de seu filme mais popular, "O Filho da Noiva" (01): gente comum vive seus pequenos dramas enquanto grandes transformações acontecem no país.
Jorge (Ricardo Darín, de "Kamchatka" e "O Filho da Noiva") é um escritor que sobrevive como autor de contos românticos para uma revista de variedades, chefiada por um amigo (Eduardo Blanco, também de "O Filho da Noiva").
A vida é um pouco besta: estamos em 1980, sob a presidência de outro Jorge, o general Videla. Surge então uma aspirante a pintora (Soledad Villamil) e o filme ganha seu tema romântico.
Ao fundo, a história corre: a Argentina enfrenta o Reino Unido na guerra das Malvinas/Falklands, passa pela redemocratização, elege Raul Alfonsín, frustra-se com ele e embarca na aventura Carlos Menem (que, em "O Filho da Noiva", torna-se pesadelo).
Ótimos diálogos, meia dúzia de personagens convincentes, alguns saltos narrativos habilidosos, um tom que mistura amargura e esperança: receita simples, resultado tremendamente eficaz.
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