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27/12/2004 - 09h18

Gero Camilo envereda para a TV em minissérie

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THIAGO STIVALETTI
free-lance para a Folha

Qualquer espectador que vá de vez em quando ao cinema ver um filme brasileiro conhece o cearense Gero Camilo. Com um currículo quase tão extenso quanto o de Matheus Nachtergaele na produção recente, participou de alguns dos maiores sucessos de público e crítica dos últimos anos, como "Cidade de Deus" e "Bicho de Sete Cabeças".

Em 2004, foi a vez do ator e diretor de 34 anos, radicado em São Paulo há dez, se impor como dramaturgo. Quatro peças de sua autoria passaram pelos palcos paulistanos neste ano. "Aldeotas", que conta a história de um poeta que retorna à sua aldeia, teve o maior número de indicações ao Prêmio Shell (quatro), sendo duas para Camilo nas categorias ator e autor. "A Procissão", sobre um homem que sai em busca da terra prometida e volta em forma de estrela, foi seu primeiro texto, escrito ainda no Ceará.

Com "As Bastianas", pela primeira vez ele não foi responsável pela montagem --a Companhia São Jorge de Variedades escolheu seu texto para encenar. E houve ainda "Entreatos", duas crônicas urbanas pinceladas de humor e ternura extraídas de um livro seu publicado em 2002, "A Macaúba da Terra", que acabaram virando três no final da temporada.

Em alguns de seus textos, prevalece a busca da identidade e da religiosidade no sertão nordestino. "Foi o ano mais agitado da minha vida. Ultimamente descobri um lugar diferente como artista. Passei da fase da ansiedade, do desespero de ser visto, de encontrar a minha função de ator dentro da sociedade; hoje já me delicio com a liberdade de criação", diz.

A paixão pelos palcos surgiu já aos 13 anos, quando começou a dar oficinas de teatro em comunidades carentes da periferia de Fortaleza. Na época, ele já militava no movimento estudantil e nas alas da igreja progressista. "Quem vai ao teatro é a classe média, eu não tinha acesso a ele. Mas a experiência de interpretar é espontânea, brota de dentro."

Camilo passa longe dos clássicos e defende um teatro contemporâneo que exprima com maior força as questões do homem de hoje. O vento de renovação do cinema brasileiro nos últimos anos o inspira no teatro. "O sucesso do cinema nacional recente aconteceu não só pelos avanços de produção, mas pela capacidade de discurso com o público", afirma.

"O teatro também pode se revigorar dessa maneira, se aproximando do profundo das pessoas. Ele não pode passar a mão na cabeça. Tem que estabelecer uma relação de conflito, dar um sopapo carinhoso no espectador."

Neste ano, Camilo passou longe dos sets de filmagem, mas iniciou há algumas semanas sua primeira grande experiência na televisão. E pelas mãos de um defensor da qualidade estética na TV, o diretor Luiz Fernando Carvalho ("Lavoura Arcaica"). Na minissérie "Hoje É Dia de Maria", que estréia em janeiro na Globo, ele interpreta Zé Cangaia, um nordestino que aparece no caminho da protagonista, uma menina que está "em busca das franjas do mar".

"Apesar de toda a qualidade da série, não é como no cinema. É um trabalho feito dentro de uma indústria, onde há outros projetos sendo tocados ao mesmo tempo. Mas trabalhar com o Luiz é bom porque ele não deixa a sua obra ser engolida pela engrenagem", afirma o cearense.

Experiência radicalmente diferente foi seu primeiro papel em Hollywood, no thriller de ação "Chamas da Vingança", estrelado por Denzel Washington, que estreou em outubro. O diretor Tony Scott o convidou depois de vê-lo em "Cidade de Deus". Filmado em 2003, "Chamas" traz Camilo numa pequena participação como um seqüestrador mexicano. "O roteiro no início me interessou, mas nunca sabemos como uma história vai ser traduzida em imagens. O resultado não me agradou muito, porque o filme alimenta o belicismo dominante."

Projetos para 2005? Novos filmes ainda não estão certos, mas "Aldeotas" e "A Procissão" voltam aos palcos. Como bom militante, Camilo batalha por um espaço para seu grupo de teatro, a Companhia Buraco. E ainda deve gravar o CD do musical "Cantos de Cozinha", ao lado dos cantores Ceumar, Tata Fernandes, Kléber Albuquerque e Rubi. Como ele mesmo diz, nada como transitar em todos os braços das artes.

Especial
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