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Jorge Furtado refaz caminho de seus longas anteriores
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do Guia da Folha
São muitos os cineastas que passam a vida refazendo, com variações, o mesmo filme, de John Ford a Woody Allen. Jorge Furtado está no caminho. "Houve uma Vez Dois Verões" (02) trazia um adolescente tímido se esforçando para ganhar o coração da amada, como em "O Homem que Copiava" (03). "Meu Tio Matou um Cara", seu terceiro longa para cinema, retoma a mesma história, levemente disfarçada sob o manto de trama policial. Viver e amar em Porto Alegre, parte 3.
Duca (Darlan Cunha, o Laranjinha da série de TV "Cidade dos Homens") é filho único de um casal de classe média. A rotina da família se altera quando Éder (Lázaro Ramos), seu tio, aparece dizendo que matou o ex-marido da namorada. O relato, confuso, deixa lacunas. Para preenchê-las, Duca empreende uma investigação paralela à da polícia, com raciocínio de jogador de videogame ou leitor de romances policiais: amador, mas eficiente.
Enquanto brinca de detetive, ele cria um pouco mais de cumplicidade com a melhor amiga, Isa (Sophia Reis). Duca é apaixonado por ela, mas ela gosta do novo aluno da escola onde estudam, Kid (Renan Gioelli). O problema se agrava quando as duas tramas, a policial e a romântica, se entrelaçam. No conto que deu origem ao filme, também escrito por Furtado, a ciranda entre os adolescentes tem espaço um pouco menor. Aqui, ganha melhor acabamento.
Não é, como talvez muitos esperem do diretor do curta "Ilha das Flores" (89), um drama com grandes ambições. Fala de jovens e quer também se dirigir a eles, na tentativa de brigar por faixa de mercado que o cinema nacional ocupou nos anos 80, com "Bete Balanço" e congêneres. Sua representação do cotidiano é cuidadosa nos detalhes e afetuosa ao recriar a adolescência como um tempo de descoberta, mas também de dor e frustração.
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