09/08/2005
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09h37
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Belo Horizonte
No princípio, a música. "Onqotô", coreografia que marca os 30 anos do Grupo Corpo, foi criada a partir de trilha sonora composta por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik. No princípio da música, o Big Bang. A parceria, que sela três décadas de amizade, é fruto de uma conversa entre os dois sobre a expressão inglesa.
Wisnik e Caetano se conheceram em 1975, quando o baiano lançava o disco "Jóia", e o paulista, em breve passagem pelo jornalismo, o entrevistou para o jornal "Movimento". "A entrevista virou uma conversa que continuou ao longo do tempo", diz Wisnik.
A trilha para o Corpo também foi extensão de uma conversa. "Quando fomos convidados para fazer música para dança, voltou à tona uma conversa sobre o fato de que a expressão Big Bang tem a ver com expressões da cultura anglo-americana: o cinema e o "bangue-bangue'; a música e a "big band", o tempo do império britânico e o Big Bang, a cultura de massa e o Big Mac", diz Wisnik. "A aceitação dócil da expressão Big Bang como nomeação do início do universo o compromete com o império americano."
Diante da questão, Wisnik lembrou-se da frase de Nelson Rodrigues: "O Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada". "Fla-Flu pode ser até mais convincente. A sonoridade é mais mansa que a do Big Bang, sem deixar de conter o choque." Na ocasião, Caetano pensou em tratar o assunto em texto, mas Wisnik achou que ele não escreveria. "Se você teve uma idéia incrível, faça uma canção. Está provado que só é possível filosofar em alemão", brinca Wisnik com a letra de "Língua", de Caetano. "A idéia deveria ser transformada em música", diz.
O mote Big Bang ecoa na trilha de "Onqotô". "Um movimento inicial de cujo fundo se pode escutar", diz Wisnik. Entre as nove músicas, está um poema de Gregório de Matos. "Um poema em ecos, que conversa com o tema."
Versos da estrofe final do canto primeiro de "Os Lusíadas", de Camões, também foram musicados. "Tão Pequeno" é interpretada por Gracie, que não é cantora profissional, para dar uma "dimensão pedestre", remetendo à busca pelo chão, presente na peça.
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LUCIANA ARAUJOEnviada especial da Folha de S.Paulo a Belo Horizonte
No princípio, a música. "Onqotô", coreografia que marca os 30 anos do Grupo Corpo, foi criada a partir de trilha sonora composta por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik. No princípio da música, o Big Bang. A parceria, que sela três décadas de amizade, é fruto de uma conversa entre os dois sobre a expressão inglesa.
Wisnik e Caetano se conheceram em 1975, quando o baiano lançava o disco "Jóia", e o paulista, em breve passagem pelo jornalismo, o entrevistou para o jornal "Movimento". "A entrevista virou uma conversa que continuou ao longo do tempo", diz Wisnik.
A trilha para o Corpo também foi extensão de uma conversa. "Quando fomos convidados para fazer música para dança, voltou à tona uma conversa sobre o fato de que a expressão Big Bang tem a ver com expressões da cultura anglo-americana: o cinema e o "bangue-bangue'; a música e a "big band", o tempo do império britânico e o Big Bang, a cultura de massa e o Big Mac", diz Wisnik. "A aceitação dócil da expressão Big Bang como nomeação do início do universo o compromete com o império americano."
Diante da questão, Wisnik lembrou-se da frase de Nelson Rodrigues: "O Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada". "Fla-Flu pode ser até mais convincente. A sonoridade é mais mansa que a do Big Bang, sem deixar de conter o choque." Na ocasião, Caetano pensou em tratar o assunto em texto, mas Wisnik achou que ele não escreveria. "Se você teve uma idéia incrível, faça uma canção. Está provado que só é possível filosofar em alemão", brinca Wisnik com a letra de "Língua", de Caetano. "A idéia deveria ser transformada em música", diz.
O mote Big Bang ecoa na trilha de "Onqotô". "Um movimento inicial de cujo fundo se pode escutar", diz Wisnik. Entre as nove músicas, está um poema de Gregório de Matos. "Um poema em ecos, que conversa com o tema."
Versos da estrofe final do canto primeiro de "Os Lusíadas", de Camões, também foram musicados. "Tão Pequeno" é interpretada por Gracie, que não é cantora profissional, para dar uma "dimensão pedestre", remetendo à busca pelo chão, presente na peça.
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