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15/11/2006 - 10h03

Biografia e DVD levam Milton Nascimento de volta a Três Pontas

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LUIZ FERNANDO VIANNA
da Folha de S.Paulo, no Rio

Milton Nascimento anda vivendo um paradoxo: faz há mais de três anos a maior turnê de sua carreira, já tendo cantado em lugares como Hong Kong e Finlândia, e diz nunca ter ido tanto a Três Pontas desde que deixou, nos anos 60, a pequena cidade mineira onde cresceu. Os pólos do paradoxo se unem em dois lançamentos.

No DVD "Pietà", ele registra o show homônimo e apresenta, nos extras, os Meninos de Três Pontas, jovens que descobriu no ano passado e com quem quer fazer seu próximo disco.

Na biografia "Travessia - A Vida de Milton Nascimento", a jornalista trespontana Maria Dolores relata em detalhes a infância e a adolescência do cantor e acompanha os caminhos que o fizeram se tornar um nome internacional.

"Todo mundo diz que eu não falo nada, mas a Maria conseguiu extrair. Quem é honesto recebe sempre coisas boas", diz Milton, 64, cuja família é próxima da de Dolores, 28. Biógrafa e biografado garantem que nada foi censurado, ainda que ele tenha feito uma revisão final nos originais.

"Achei muito boa a história da infância, entrevistei o pai do Milton e resolvi contar essa parte da vida dele, que pouca gente conhece", diz Dolores.

Milton nasceu no Rio, filho da doméstica Maria do Carmo. O pai não assumiu a função, e a mãe morreu de tuberculose dois anos depois do parto. O menino, que chegou a ser levado para a casa da avó materna em Juiz de Fora, acabou criado em Três Pontas por Lília, da família para a qual Maria do Carmo trabalhava, e seu marido, Josino Campos.

Só aos 45 anos o cantor legalizou sua adoção, mas foi criado como filho pelo casal, que lutou contra o preconceito racial para que Milton tivesse uma ótima educação. Foi Lília --a homenageada de "Pietà"-- quem inventou o apelido Bituca, por causa das caras feias que o menino fazia. Josino está vivo.

"Meu pai estava reclamando que eu não ia mais a Três Pontas depois que minha mãe morreu. Passei a ir sempre. Mas fiquei assustado quando vi a cidade no mapa do livro "Música do Brasil" [de Chris McGowan e Ricardo Pessanha]. Pensei: depois de mim e do Wagner [Tiso], que músico de peso há em Três Pontas?", conta Milton.

Pablo e outros filhos

Foi com esse pensamento e a ajuda de um primo de Tiso que ele começou a conhecer jovens músicos da cidade. Acabou reunindo-os sob o título Meninos de Três Pontas, que cantam com ele e Lenine em "Paciência" --parte dos extras de "Pietà"-- e deverão gravar um disco com o padrinho.

"As pessoas falam: "Ah, seu filho...". Em vez de um filho, tenho milhares que vou semeando por aí. Sempre que alguma coisa me toca, quero trazer para perto. É assim na música, na vida, no palco", diz. Pablo nasceu em 1972, fruto do relacionamento com Káritas, socialite paulistana. Milton conta no livro que as ameaças do regime militar o obrigaram, por segurança, a se afastar do filho, com quem não retomou o contato.

A paixão platônica por Elis Regina, o alcoolismo nos anos 70, as agruras financeiras, a proximidade da morte por causa da diabetes e o desejo de deixar a carreira nos anos 90 são outros temas do livro.

Para 2007, além de um trabalho com o coreógrafo norte-americano David Parsons, Milton espera melhoras políticas. "A reeleição é uma chance que o Lula tem de tirar essa mancha que está sobre todos nós e fazer um negócio que o povo brasileiro mereça. Tenho esperança, mas por enquanto é só", afirma.

DVD Pietà
Gravadora: Som Livre
Quanto: R$ 40, em média
Quando: (show de lançamento) sex. e sáb., às 22h, no Canecão (av. Venceslau Brás, 215, Rio, 0/xx/21/2105-2000); de R$ 60 a R$ 100

Travessia - A Vida de Milton Nascimento
Autora: Maria Dolores
Editora: Record
Quanto: R$ 53 (406 págs)

Especial
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