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Mutantes retornam ao Brasil depois de quase 30 anos
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da Folha de S.Paulo
Em Ribeirão Preto, em 6 de junho de 1978, já em sua fase menos gloriosa, os Mutantes faziam seu último show em solo brasileiro. Reformulada, a banda volta a se apresentar ao vivo no país hoje, como principal atração das comemorações dos 453 anos de São Paulo.
"Queríamos aterrissar no Brasil com um show significativo, que não fosse apenas numa casa de espetáculo. Tocar no Ipiranga tem um valor muito grande", diz o guitarrista Sérgio Dias, sobre o show de hoje.
O evento é gratuito e ocorre no parque da Independência, em frente ao museu do Ipiranga. Começa às 16h com a Nação Zumbi, seguida por Tom Zé (18h) e Mutantes (20h).
Além de Dias, o grupo terá Arnaldo Baptista (teclado) e Dinho Leme (bateria) de sua formação clássica. Zélia Duncan assume os vocais que foram de Rita Lee. Outros músicos (percussionistas, tecladistas, baixista) acompanham e dão apoio à banda no palco.
Uma das questões mais abordadas pelos Mutantes nesse retorno é a recusa de Rita Lee em voltar à banda. Sérgio Dias mostra que o assunto incomoda um pouquinho ao atender ao telefone para a entrevista à Folha com uma voz fina e esganiçada: "Oi, aqui é a Rita, o que você quer saber?", diz ele.
Bem, queremos saber como será o show em São Paulo, se tocarão músicas novas...
"Para que fazer música nova se estamos tocando músicas que não são tocadas por aqui há 30 anos?", responde o guitarrista, já com sua voz normal.
"Tocaremos as grandes pérolas que os Mutantes têm. São as impossíveis." Por quê "impossíveis"? "Porque ninguém consegue recriá-las propriamente", diz Dias. "Quando alguém toca 'Balada do Louco', não consegue fazer o 'tchan' daquela música. Ninguém recria 'Ave Lucifer', 'Dia 36', 'Caminhante Noturno', o buraco é mais embaixo... são canções que possuem passagens instrumentais que são 'encrencas'. Tocaremos todas ao vivo, sem samples."
Assim, o repertório será semelhante ao apresentado no show do Barbican, em Londres, realizado em maio de 2006 e transformado em CD e DVD.
Canções que, no evento londrino, ganharam letras em inglês ("Panis et Circenses", "Ando Meio Desligado") serão apresentadas em português.
"Vamos balancear isso", diz Zélia Duncan. "Todas as músicas do DVD serão cantadas, mas, sendo Mutantes, alguma coisa pode mudar."
"Aquele foi nosso 'off-Broadway'", compara Dias, sobre o show londrino. "Nós nos desenvolvemos. Sofremos influência imediata de onde estámos. Os Mutantes são uma banda aberta. Dizer o que acontecerá de diferente é difícil. Depende muito da, desculpe a expressão, 'vibe' da platéia."
O grupo não descarta receber hoje a participação de Tom Zé. Após São Paulo, a banda faz turnê pelo Brasil. Depois, volta aos Estados Unidos e Europa.
ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO
Quando: hoje, a partir das 16h
Com: Nação Zumbi (16h), Tom Zé (18h), Mutantes (20h)
Onde: parque da Independência (av. Nazaré, s/nº, Ipiranga, SP)
Quanto: entrada franca
Especial
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