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12/02/2007 - 14h24

Dia de São Valentim celebra santo que nunca existiu

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RICARDO SOCA
da France Presse, em Montevidéu

Namorados de boa parte do mundo trocarão presentes na próxima quarta-feira (14), em comemoração do Dia de São Valentim, um suposto mártir cujo aniversário a Igreja Católica deixou de celebrar a partir de 1969 por duvidar de sua identidade --e até de sua existência.

Nas mais antigas listas de mártires, confeccionadas nos primeiros séculos da era cristã, existem pelo menos três santos com nome de Valentim: dois bispos sepultados em diferentes locais da Via Flamínia, em Roma, e um terceiro que teria sido torturado e morto na África, todos eles lembrados em 14 de fevereiro.

Divulgação
Origem de santo é controversa
Origem de santo é controversa
Os autores da Enciclopédia Católica afirmam que os dados que chegaram até os dias atuais sobre esses três supostos mártires "carecem de valor histórico" por serem escassos, insuficientemente fundamentados e de data muito posterior à época em que se supõe que tenham vivido.

Ao longo dos séculos, esses três Valentins foram se unificando na memória popular, dando lugar assim a um personagem, uma história e uma tradição que não pararam de se enriquecer ao longo dos séculos --até se tornar uma lenda sobre alguém que de fato nunca existiu.

Festa

A festa de São Valentim é muito mais antiga do que o próprio cristianismo. A comemoração se vincula às festas lupercais do Império Romano, rituais pagãos em homenagem a Fauno Luperco (referente a "lupus", lobo, ou Pã para os gregos). Essa entidade "protegia" os pastores e os rebanhos. As festas eram celebradas no dia 15 de fevereiro de cada ano, cinco semanas antes do início da primavera.

Por volta do fim do século 5 d.C., o papa Gelasio 1º acolheu as lendas sobre São Valentim e instituiu sua celebração em 14 de fevereiro, com a finalidade de apropriar para a Igreja a tradição das festas lupercais, que foram extintas.

No decreto papal se explicava que São Valentim era um daqueles "cujos nomes são venerados pelos homens, mas cujos atos só Deus conhece", admitindo assim a absoluta carência de dados verossímeis sobre o assunto.

Lendas

Entre as muitas lendas que surgiram ao longo dos séculos, destaca-se uma segundo a qual Valentim teria sido um sacerdote cristão detido e torturado até a morte em 270 d. C. por ordem do imperador romano Claudio 2º. Segundo essa história, transmitida oralmente e sobre a qual não há nenhum testemunho, o sacerdote se apaixonou perdidamente pela filha de um de seus carcereiros, a quem enviou uma carta apaixonada que assinou como "teu Valentim", dando origem à tradição das cartas que em muitos países os namorados trocam em 14 de fevereiro.

No entanto, vários poetas medievais europeus enalteceram o florescimento do amor nessa data, lembrando que é quando os pássaros começam a formar casais no hemisfério norte. Isso alimentou as versões segundo as quais se tratava de um santo vinculado ao amor romântico. Outros dizem que o santo foi condenado à morte por celebrar casamentos em segrego sob o rito ainda clandestino dos católicos.

Especial
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