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12/03/2007 - 02h30

Leia os dois textos polêmicos do Folhateen sobre a banda CSS

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da Folha de S. Paulo

Leia os dois textos sobre a banda Cansei de Ser Sexy publicados pelo caderno Folhateen e que resultaram em polêmica.

Reportagem do colaborador Lúcio Ribeiro publicada no dia 26/2/2007

Quase (muito) famosos

LÚCIO RIBEIRO
Colaboração para a Folha de S. Paulo, em Londres

Acredite no hype. Ao mesmo tempo que você recebe nas mãos esta edição do Folhateen, as lojas de disco do Reino Unido começam a exibir nas prateleiras de lançamento de singles o disco "Off the Hook", canção da banda paulistana Cansei de Ser Sexy que sai em em CD, vinil de 7 e 12 polegadas e o rosto da guitarrista Carolina Parra estampado na capa.

A música aparece em CD físico para consumo agora, mas já é tocada bastante na XFM e na Radio One, as duas principais estações jovens de rock da Inglaterra. "Off the Hook" também pôde ser ouvida a plenos pulmões cantada por uma molecada que lotou a turnê que a banda brasileira fez com o grupo Klaxons, a "banda da hora", mais os convidados Sunshine Underground e New Young Pony Club, todos ingleses.

Foram 15 shows de ingressos esgotados por Irlanda, Escócia e Inglaterra, que começou no dia 3 de fevereiro em Dublin e acabou apoteótico na quinta-feira passada, em Londres. O Folhateen esteve nos shows de Liverpool, Manchester, Sheffield e no da capital inglesa.

Será o auge?

Neste último, tão logo a nova diva indie (não estou mentindo) Lovefoxxx largou o microfone e a banda foi abraçada na saída do palco por integrantes dos outros grupos da turnê, o sexteto paulistano foi recebido no camarim com champanhe e a visita de diretores da gravadora americana Sub Pop (a "dona" da banda), da multinacional Warner (que agora quer ser a "dona" da banda) e de jornalistas ingleses.

No meio dos brindes, um segurança local bateu na porta, para avisar que o grupo nova-iorquino !!! (lê-se Chik Chik, Chik) estava na casa e queria subir para dar um "oi".

O Cansei de Ser Sexy -ou CSS para facilitar a vida dos fãs gringos e a carreira internacional- definitivamente vive seu momento "Quase Famosos", como se fosse a banda do famoso filme de Cameron Crowe (2000). De clubinhos de São Paulo para shows lotados nos principais clubes de Londres.

Só que o engraçado é notar que o ano do CSS, que já contabilizou shows no Japão, Nova Zelândia e Austrália desde a virada para 2007, ainda nem começou...

No próximo dia 5 de março, o CSS relança seu primeiro disco em terras britânicas. O CD, homônimo -lançado no Brasil via Trama em 2005 e nos EUA pela já lendária Sub Pop-, ganha um revival comercial por sugestão da gigante Warner, que aconselhou a banda a segurar o segundo álbum para "trabalhar melhor" esse primeiro, que teve lançamento tímido na Inglaterra, antes de a banda "acontecer".

A primeira fornada de "Cansei de Ser Sexy" vendeu em sua primeira tiragem algo em torno de 60 mil cópias somados EUA e Europa, número nada desprezível para uma chamada "banda de internet". A Warner, proprietária de 49% do selo americano que revelou o Nirvana, farejou enfim um potencial na banda brasileira.

O álbum chega de novo às megastores britânicas, e o Cansei de Ser Sexy chega pela primeira vez ao México, para um show em festival local. Após uma curta temporada no Brasil, sem aparições ao vivo previstas, o mês de abril arrasta a banda de volta para a estrada e para o seu maior desafio.

Onde isso vai parar?

O rumo do CSS em abril primeiro é a Europa. Quando o giro por Helsinque, Milão, Barcelona, Lisboa, Madrid, Berlim, Paris, Viena etc. acabar, o combo electropop Lovefoxxx/Adriano/Luiza/Carolina/Ana/Iracema retorna ao Reino Unido e à Irlanda para liderarem sua própria turnê, com o luxo de ter duas bandas novas como convidados de abertura (Tilly and the Wall and Ratatat).

A chamada CSS - Already a Sensation Tour inclui shows em Dublin, Manchester, Edimburgo, Glasgow e dois em Londres, no lendário Astoria.

Comandar uma turnê com dois shows no Astoria tem um significado importante no showbiz britânico.

Se a carreira continuar decolando assim, o único lugar depois para abrigar um show pós-Astoria em clube seria no gigante Brixton Academy. Na agenda da banda na Inglaterra há sessões em rádio e apresentações em programas de TV, incluindo o do músico-apresentador britânico Jools Holland.

A partir daí, o CSS experimenta sua fama indie nos principais festivais de música do mundo. A banda está confirmada para o colossal Coachella, em abril, na Califórnia. Depois virão Lollapalooza (Chicago), Glastonbury, Reading/Leeds Festival e T in the Park (Reino Unido), Benicàssim (Espanha), Roskilde (Dinamarca), Oxegen (Irlanda). Paralelo a isso, o hit do Cansei de Ser Sexy, "Let"s Make Love and Listen to Death from Above", será relançado em single no mês de maio, com um vídeo bônus extraído de um show de Manchester.

Ainda não cansou?

Em setembro, é a vez de sair o quarto single do CSS retirado do álbum de estréia, "Music Is My Hot Hot Sex". E, em princípio, os "lados B" e as faixas exclusivas para os diversos formatos dos singles lançados no mercado exterior serão retirados do "CSS Suxxx", o EP ao vivo que veio de bônus no lançamento do disco no Brasil pela Trama.

Cansado de ser sexy? No meio de tudo isso, a Sub Pop tenta fazer circular o nome de seus pupilos pelos EUA e exige uma turnê de no mínimo dez apresentações norte-americanas, que deve acontecer em alguma brecha de datas em junho e ainda incluir o Canadá.

Quando os festivais de verão acabarem e o frio voltar a soprar no final do ano, o CSS deve aparecer em mais datas de shows pela Inglaterra e pelo Japão. Depois é preparar o segundo disco, com previsão para ser lançado no começo de 2008.

E aí, sim, se o CD dois emplacar, você terá um monte de novas chances para se cansar do Cansei...




Coluna "Escuta Aqui" (Folhateen) de Álvaro Pereira Júnior publicada em 5/3/2007

CSS e Coldplay navegam no hype

ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR
Colunista do Folhateen

Na semana passada, o Folhateen deu reportagem de capa para a banda paulistana Cansei de Ser Sexy. Com ajuda do computador quântico inaugurado mês passado no Canadá, calculei que essa foi a 106.575 vez que a Folha publicou um texto festivo e favorável a esse grupo brasileiro que faz muito sucesso no circuito indie europeu.

Ainda na semana passada, duas resenhas sobre os shows do Coldplay em São Paulo chamaram a atenção. Uma de Sylvia Colombo, na Ilustrada, outra de Luís Antônio Giron, no site da revista "Época". Ambas exemplares destoantes do clima de quermesse e oba-oba que reina em nossa imprensa cultural. Eram críticas demolidoras, e muito bem fundamentadas, à banda de Chris Martin. "Sessão arrastada de lamúrias coletivas", disparou a Sylvia. "Estilo semigospel", avaliou Giron.

No início de seu texto, Giron reclamou do entusiasmo com a que imprensa paulistana, especialmente a on-line, embarcou na onda dos fãs e se ajoelhou diante do Coldplay. E alertou: "O entusiasmo da platéia não tem nada a ver com o que se passa de fato no palco".

Essa observação nos leva de volta à cobertura laudatória que cerca cada passo do Cansey de Ser Sexy. A banda é o máximo porque o público vibra loucamente. A banda é o máximo porque a imprensa indie britânica a eleva aos céus. Objeto e meio se dissolvem num plasma indistinguível. A música? Quem se lembra dela?

É delicado, neste momento, falar de CSS. Não quero me juntar à legião de invejosos que não aceitam o sucesso da banda e, mesquinhamente, ficam daqui do Brasil torcendo contra. No ano passado, quando as meninas saíram para a turnê americana, dei meus parabéns e escrevi que só isso -tocar em clubes bacanas dos EUA- já era mais do que qualquer banda independente brasileira tinha conseguido.

Mas a excursão americana era só o início. O CSS aconteceu mesmo na Europa. Com os contatos certos e muita disposição, a banda caiu nas graças da máquina de hype: o semanário "NME", a revista "Les Inrocks" e mesmo a grande imprensa de Londres simpatizaram com o CSS. Os reflexos não demoraram a chegar ao Bananão (obrigado, Ivan Lessa).

Tudo isso, é claro, acompanhado pela Folha da maneira mais superlativa. A turnê americana pelos EUA foi tratada como glória absoluta (escondida lá embaixo num texto, a informação de que um show chegou a ser cancelado por falta de público). A chegada à Europa foi descrita de modo não menos triunfal.

Curiosamente, na reportagem do Folhateen, vemos que a Warner quer relançar o primeiro disco do CSS, agora com um esquema mega. Mas para que isso, se, como nos ensina a imprensa brasileira, o jogo já está ganho, EUA e Europa só falam no CSS, só pensam no CSS?

Vou explicar: porque o sucesso do CSS, embora real, inédito e legítimo, é menor do que pode parecer, visto aqui do Brasil. O CSS, por enquanto, bombou no circuito indie europeu, não muito mais do que isso. Algumas críticas publicadas, especialmente nos EUA, foram bem negativas, destacando a falta de nuances do vocal da Lovefoxxx, a pouca coesão das composições, a produção simplória, as letras infantis e o fato de o som ser bastante derivativo de Tom Tom Club e Le Tigre, para ficar só em dois exemplos (e para usar uma palavra branda, "derivativo").

É claro que tudo isso pode mudar: eles podem arrebentar nos festivais europeus de verão, podem ficar famosos no mercado que interessa (os EUA), tocar no programa do David Letterman, abrir a turnê de um artista grande com simpatias pelo Brasil (Beck, por exemplo), ganhar rios de dinheiro, faturar um Grammy...

Tudo isso, é claro, a Folha vai ter de cobrir. E, aí sim, terá razão.

Especial
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