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Comentário: "Volta" traz Björk em bola de neve de referências
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da Folha Online
Björk está de volta. E talvez ela nem saiba que "Volta", título de seu 6º disco de estúdio (excluindo duas trilhas sonoras para filmes), tem um significado pertinente em português, neste caso.
O disco foi lançado na Europa, Estados Unidos e Japão no dia 7 de maio, e deve chegar às lojas brasileiras no dia 18. Muito já se falou sobre a colaboração do "produtor do momento" norte-americano Timbaland. Boatos deram conta até de classificar o trabalho como "o disco de hip hop da Björk". Mas quem acompanha o trabalho da cantora soube, ao ler coisas do tipo, que se tratava de pura besteira.
O álbum pode ser entendido como uma bola de neve, uma junção de elementos marcantes presentes nos discos da cantora desde seu primeiro trabalho solo ("Debut", 1994).
| Reprodução |
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| Capa de "Volta", da cantora islandesa Björk |
Somos então, com a ajuda dos metais, transportados à melancólica "Anchor Song", do álbum "Debut". A relação com a terra em que vive, os conflitos de uma vida repleta de mudanças geográficas e a necessidade de se estabelecer em algum lugar são temas sempre presentes nas letras da cantora.
Em "Homogenic" (1997), o disco começava com "Hunter", uma espécie de marcha eletrônica, com toques de suspense e letra cheia de ameaças feitas por uma Björk "caçadora". Aqui, a primeira música é "Earth Intruders", também uma marcha, mas desta vez mais nervosa e pesada, onde as ameaças somos nós mesmos, os "invasores da Terra".
Participações e ausências
Para acompanhar isso tudo, além dos "beats" de Timbaland, a percussão pungente do grupo Konono Nº 1, do Congo, feita a partir de objetos encontrados no lixo, como pedaços de carros.
Os metais dramáticos e cinematográficos já presentes na trilha sonora de "Drawing Restraint 9" (2005), "filme-arte" do marido da cantora, Matthew Barney, também reaparecem em "Volta", em faixas como "Wanderlust" (cujos "beats" secos lembram os de "Homogenic") e "Vertebrae by Vertebrae".
Björk, desta vez, dispensou o coral formado por moças-esquimós "encontradas" na Groenlândia presente em "Vespertine" (2001) e deu lugar a um naipe de metais completo, também formado por mulheres (desta vez loiras e islandesas).
| Frank Franklin II/AP |
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| Bjork retorna em seu 6º disco de estúdio |
E atenção às duas canções com participação do cantor Antony, da banda Antony & The Johnsons, de Nova York. "Dull Flame of Desire" e "My Juvenile" são duetos, raridades na carreira da cantora, mas aqui totalmente compreensíveis: a voz de Antony é fantástica e emocionada. E visualmente o cantor é tão ou mais "excêntrico" que Björk. Fica fácil entender o convite.
Referências
E a lista de referências continua. Instrumentos de corda típicos da China e Japão, barulhos de água e de chuva, uma guitarra irritada em "Declare Independence" (à qual logo se junta uma batida suja e rápida, lembrando a "sujeira" de "Pluto", presente em "Homogenic"). A bola de neve só aumenta. Björk sabe o que faz e não renega o passado: pelo contrário, volta a ele constantemente, renovando e reciclando, simultaneamente.
Atualmente em turnê pelos Estados Unidos, outra característica importante em sua trajetória continua: o cuidado dado à sua imagem, desde a escolha dos fotógrafos, diretores, estilistas e designers até os cenários dos shows. Seu "dedo" é aparente em tudo o que faz, ao mesmo tempo dando o toque pessoal e apontando as direções. O design da capa e do encarte ficaram, mais uma vez, a cargo dos franceses do "m/m (paris)".
O primeiro clipe, "Earth Intruders", pode ser assistido em sites como o YouTube. Nele, um exército de homens dos quais vemos apenas os vultos destroem tudo por onde passam, enquanto, no fundo, a cantora alerta: "Nós somos os invasores da Terra / Nós somos os atiradores certeiros". E não somos?
"Volta"
Artista: Björk
Gravadora: Universal
Quanto: R$ 30, em média
Especial
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