Bush, Blair e UE são alguns dos candidatos ao Nobel da Paz
da France Presse, em Oslo (Noruega)O presidente norte-americano, George W. Bush, o premiê britânico, Tony Blair e a União Européia são alguns dos aspirantes ao prêmio Nobel da Paz de 2004, anunciou hoje o Instituto Nobel, que encerrará no próximo domingo (1º) o prazo para receber as candidaturas.
Como acontece todos os anos, o prazo para a inscrição de candidatos termina no dia 1º de fevereiro. Milhares de padrinhos --parlamentares e ministros de todos os países, pessoas já premiadas ou professores universitários, entre outros-- podem submeter a candidatura de sua preferência.
"Recebemos muitas candidaturas", declarou à Geir Lundestad, diretor do instituto e influente secretário do comitê encarregado de escolher o vencedor.
"Muitos nomes novos são propostos pelos presidentes e chefes de governo, outros por personalidades menos conhecidas", disse, apesar de não revelar a identidade dos candidatos, como reza a tradição.
No entanto, alguns nomes são conhecidos, já que os padrinhos têm o direito de revelar a identidade das pessoas que propõem.
Bush e Blair
Esse é o caso de Bush, assim como de Blair. Os dois nomes foram propostos por iniciativa de Jan Simonsen, deputado norueguês sem partido político que já integrou o Partido do Progresso (populista).
Simonsen acredita que os dois governantes devem ser recompensados pela ousadia de terem adotado a decisão "necessária" de iniciar uma guerra contra o Iraque sem o apoio da ONU (Organização das nações Unidas).
Diante da incapacidade das potências ocupantes de encontrar armas de destruição em massa no Iraque, depois que a suposta existência das mesmas foi usada como principal motivo para a intervenção militar, as possibilidades de vitória de Bush e Blair parecem remotas.
Outro aspecto que diminui ainda mais as chances dos dois é o fato de o Comitê do Nobel, composto por cinco membros eleitos pelo Parlamento da Noruega, ter criticado diversas vezes a política externa do governo Bush.
UE
A candidatura da UE foi apresentada pelo ex-premiê norueguês Thorbjoern Jagland, que considera a ampliação do bloco no próximo dia 1º de maio a oportunidade ideal para reparar um esquecimento histórico, já que o Comitê do Nobel nunca premiou o processo de integração do continente.
Porém, as possibilidades da UE também são bastante reduzidas, já que o comitê é bastante cético em relação à integração da Europa. Não se deve esquecer que a Noruega não integra a UE e premiar o bloco poderia ser visto como uma tentativa de influenciar nos assuntos internos do país.
Entre outros candidatos conhecidos ou prováveis estão a colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada em seu país pelas Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (Farc) e o ex-governador de Illinois (EUA) George H. Ryan, que comutou as penas de morte em seu Estado por condenações de prisão.
Também estão cotados o cubano Oswaldo Paya e o grupo de pressão para o combate contra a Aids Treatment Action Campaign e seu presidente, o sul-africano Zackie Achmat.
O nome do premiado só será anunciado em outubro, na cidade de Oslo.

