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Juca Kfouri

Apesar de você

A nova seleção, como as anteriores vencedoras, deve seu sucesso aos jogadores e ao seu técnico

INTELIGENTE E IRREVERENTE, o ex-zagueiro Juninho, da seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, dizia que o time sempre entrava em campo perdendo para qualquer rival quando chegava para jogar e o primeiro que descia do avião, ou do ônibus, da delegação era Nabi Abi Chedid, o manda-chuva da CBF na Copa seguinte, no México, em 1986.

Os anos passaram e a situação permaneceu inalterada, embora Ricardo Teixeira fosse menos presente e mais discreto, porque jamais gostou de futebol, mas apenas do que rendia.

Daí um frio ter percorrido a espinha de quem viu José Maria Marin ser o primeiro a descer do ônibus que conduziu o time ao Maracanã no domingo passado.

E era a campeoníssima Espanha quem estaria pela frente.

Felizmente, nem eram passados dois minutos quando as coisas ficaram iguais e no intervalo o time brasileiro já tinha virado o desassossego.

Não se negue a Marin ter trazido Felipão de volta à seleção, num erro típico da velha cartolagem que tira dos ombros qualquer responsabilidade ao transferi-la para as costas largas de um treinador vitorioso.

Marin errou sim ao interromper o trabalho de Mano Menezes que já dava frutos e ao se eximir para botar Felipão no fogo.

Dois erros não fazem um acerto, por mais que tenha dado certo.

Deu certo porque Felipão foi capaz de reestabelecer a aliança com seus comandados que viram nele o que ele é, um comandante carismático e religado pela obsessão de voltar a ser ganhador, sem abandonar o estilo paternal de quem vende confiança aos que confiam nele, sejam os jogadores, sejam até os cartolas, essas pragas com as quais os profissionais têm de conviver para sobreviver em seus ofícios.

Felipão é leal e guarda para ele, a sete chaves, as críticas de quem conhece os bastidores do futebol.

Mal comparando, não é uma situação diferente do jornalista capaz de exercer dignamente seu ofício num veículo viciado.

Daí ter mais valor ainda o sucesso das equipes brasileiras, sempre em desvantagem quando jogam contra representantes de um futebol mais bem organizado e, eventualmente, mais fiscalizado e transparente.

Daí, também, não haver contradição do brasileiro que protesta nas ruas e apoia a seleção nas arquibancadas, mesmo elitizadas. Porque o Brasil, como disse Antônio Carlos Jobim, não é para principiantes.

Ao contrário, mesmo chamados de alienados por muitos ativistas em torno dos estádios, não foram poucos os torcedores que, dentro deles, faziam questão de manifestar solidariedade aos manifestantes.

O tom do hino em altos brados seria prova disso. E que o time se contagiou é o próprio time quem admite. Apesar de Marin, que segue sendo objeto de vaias e não pode aparecer no telão dos estádios.


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