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Custo do estádio dobrou em quatro anos

COPA Análise aponta irregulares em compra e transporte de materiais, entre outras; reforma custaria R$ 700 mi em 2010

FILIPE COUTINHO DE BRASÍLIA

A reforma do estádio Mané Garrincha, a arena mais cara da Copa do Mundo, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões, segundo análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Segundo levantamento feito por técnicos do tribunal, o superfaturamento é resultado de uma série de irregularidades, como compra indevida de material, cálculo equivocado no custo de transporte, além de abono de multa pelo atraso na entrega da obra e atraso na solicitação de descontos na cobrança de impostos prevista em lei.

Os contratos analisados pela área técnica do tribunal dão pistas de como o custo do estádio dobrou desde o início da obra, passando de R$ 700 milhões, em 2010, para os atuais R$ 1,4 bilhão.

Um dos exemplos para entender o gasto excessivo "sem mais esforços", segundo os técnicos, é o cálculo de transporte de materiais pré-moldados no canteiro de obras.

A fábrica dessas peças fica a 1,5 km do estádio, na capital federal, mas o custo de transporte foi calculado como se tivessem sido transportados de Goiânia a Brasília, uma distância de 240 km.

O custo de transporte cobrado do governo do DF foi de R$ 592 por metro cúbico desses materiais, quando para os auditores deveria ser de apenas R$ 3,70. Somente neste caso, o prejuízo estimado foi de R$ 879 mil.

"Sem mais esforços, percebe-se que os custos foram superestimados, pois o transporte de pré-moldados ocorre dentro do próprio canteiro de obras. A utilização de custo de transporte Brasília-Goiânia' é totalmente inadequada para o serviço, não merecendo comentários adicionais para a reprovação do método", diz o relatório.

O superfaturamento de R$ 431 milhões em discussão pelo tribunal é o somatório das irregularidades apuradas em cinco processos. Os valores apontados na auditoria ainda podem aumentar porque o cálculo foi feito com base em análise de julho de 2013.

Em janeiro, após a apresentação do relatório da área técnica, o tribunal abriu prazo de 30 dias, acrescidos de mais 90 dias, para o governo do DF justificar os gastos.

Depois disso, os auditores vão analisar as explicações e definir o valor final que deve ser considerado excessivo.

O documento será enviado ao relator do processo, conselheiro Manuel de Andrade, que poderá diminuir os valores ou mantê-los ao levar à votação no plenário do tribunal.

Desde que o Mané Garrincha começou a ser reformado para a Copa do Mundo, em 2010, o Tribunal de Contas do DF já conseguiu diminuir os custos da obra --seja com abatimento no contrato ou alterações nas licitações-- em exatos R$ 179.754.554,20.

Isso somado ao prejuízo potencial em discussão agora, o valor final que pode ser economizado no processo de reforma do estádio chega a R$ 611 milhões.

DESPERDÍCIO

Na avaliação dos auditores, há casos de escolhas feitas pelos engenheiros da obra, com o aval do governo, que elevaram o orçamento.

Responsável por 19% do custo da obra, serviços relacionados ao fornecimento de aço foram considerados ineficientes pela auditoria.

Na obra, foi aplicado o método convencional de corte e dobra, causando um desperdício de 12% de aço e um prejuízo total de R$ 62 milhões.

Os auditores chamam atenção: a mesma empreiteira, com a mesma técnica, teve um desperdício de apenas 5% no estádio de Manaus. Já em Cuiabá, foi utilizado o método sugerido pelos auditores, e não houve perda de aço.

Há ainda críticas à forma com que o governo do DF gerenciou a obra. Planejado para ser entregue em dezembro de 2012, o estádio só foi inaugurado, com atraso, em 2013.

Segundo os auditores, o consórcio responsável pela obra deveria ser multado em R$ 35 milhões por causa do atraso, mas nada foi feito.

A análise também apontou atraso de 14 meses para serem pedidos ao governo federal descontos em impostos, previstos em lei. Isso fez com que o DF deixasse de economizar outros R$ 39 milhões.


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