Autópsia independente de George Floyd indica asfixia e difere de relatório da polícia

Promotoria de Minneapolis cita conjunto de fatores para morte, incluindo doenças subjacentes

Minneapolis | Reuters

Médicos independentes apontaram nesta segunda (1º) que a morte de George Floyd foi um homicídio e que ele morreu por "asfixia mecânica”, o que difere do relatório preparado pela polícia anteriormente.

As informações foram divulgadas por dois médicos contratados pela família de Floyd, Allecia M. Wilson, da Universidade de Michigan, e Michael Baden, um ex-examinador da cidade de Nova York.

"Não apenas o joelho no pescoço de George foi a causa de sua morte, mas também o peso dos outros dois policiais nas costas, que não apenas impediram o fluxo de sangue em seu cérebro, mas também o fluxo de ar em seu cérebro", disse Antonio Romanucci, advogado da família, em entrevista coletiva em Minneapolis, cidade onde o crime ocorreu.

Memorial onde George Floyd morreu, em Minneapolis
Memorial onde George Floyd morreu, em Minneapolis - Stephen Maturen -1º.jun.2020/Getty Images/AFP

Segundo Baden, Floyd —o homem negro cuja morte após violência policial na semana passada provocou protestos em ao menos 70 cidades dos EUA— não tinha condições médicas subjacentes que contribuíssem para sua morte. As informações lhe foram passadas pela família da vítima.

As conclusões desta segunda diferem das divulgadas pelo médico do condado de Hennepin, em Minnesota. Segundo o profissional, a autópsia "não revelou achados físicos que sustentassem o diagnóstico de asfixia traumática ou estrangulamento".

Na denúnca criminal, os promotores haviam sugerido que comorbidades estariam envolvidas na morte de Floyd, como doença arterial coronariana e hipertensão.

"Os efeitos combinados de Floyd ser contido pela polícia, suas condições de saúde subjacentes e quaisquer intoxicantes em potencial em seu sistema provavelmente contribuíram para sua morte", afirma a denúncia.

Derek Chauvin, o ex-policial que aparece em vídeo prensando o pescoço de Floyd, foi preso na sexta-feira (29) pelas autoridades de Minneapolis. No domingo (31), foi transferido para uma prisão de segurança máxima, onde espera julgamento, marcado para o dia 8.

O agente já foi objeto de 18 inquéritos disciplinares, dos quais 16 foram encerrados sem nenhum tipo de punição. Ele foi demitido da polícia logo após o episódio vir à tona.

O promotor responsável pelo caso, Mike Freeman, disse que Chauvin será inicialmente acusado pelo equivalente no Brasil a homicídio culposo —quando não há intenção de matar. Segundo ele, com o avanço das investigações é possível que novas acusações sejam feitas contra o ex-agente de segurança.

Os outros três policiais que estavam presentes quando Chauvin ajoelhou no pescoço de Floyd —e que não intervieram— foram cúmplices de sua morte, disse o chefe do Departamento de Polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, para a CNN.

Se um deles tivesse agido, talvez Floyd não tivesse morrido, completou.

Os agentes, que também foram demitidos da polícia depois da divulgação do caso, devem em breve ser acusados formalmente.

Floyd foi assassinado durante uma abordagem conduzida por quatro policiais brancos na segunda-feira (25) por suspeita de usar uma nota falsa de US$ 20 em uma loja de conveniência em Minneapolis.

As imagens e a voz estremecida de Floyd, dizendo que não conseguia respirar, foram registradas por uma pessoa que passava pelo local em um vídeo que viralizou.

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