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Abate acidental de ave guará por pesquisador cria conflito entre biólogos
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RAFAEL GARCIA
DE SÃO PAULO
O abate acidental de dois guarás - aves famosas por sua bela cor rosada - colocou em conflito a comunidade brasileira de ornitólogos contra a Secretaria de Meio Ambiente e o Conselho Regional de Biologia do Paraná.
A situação de confronto teve início após o biólogo Louri Klemann Jr., mestrando na UFPR (Universidade Federal do Paraná), voltar de Guaratuba com os animais mortos.
| Maurício Leonardi/Wikimedia Commons | ||
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| O guará, ave da espécie que teve dois indivíduos abatidos acidentalmente por pesquisador no Paraná |
Tendo licença do Ibama para coletar dois pássaros diferentes -o tapicuru-de-cara-pelada e o caraúna-de-cara-branca- o pesquisador diz ter se confundido e abatido guarás. A aves abatidas estão na lista de espécies ameaçadas da região, apesar de estarem se recuperando.
"Devido à distância com que foram feitas as coletas, à luminosidade desfavorável durante a manhã daquele dia (com a presença de névoa) e à grande similaridade entre os juvenis de guará e exemplares de caraúna-de-cara-branca, houve um erro de identificação da espécie", escreveu o biólogo em ofício. O documento foi entregue ao Museu de Capão da Imbuia, em Curitiba, instituição que deveria receber as aves.
Os animais, porém, acabaram apreendidos pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná), que apreendeu os animais. "O pesquisador também será autuado e a multa poderá chegar a R$ 50 milhões", afirma comunicado.
A decisão provocou reação da comunidade de ornitólogos. Cientistas dizem que Klemann Jr. sofre perseguição ideológica por parte de autoridades contrárias a prática da coleta em biologia. O abate controlado de animais, dizem, é crucial para estudar a ecologia das espécies.
"Boa parte da política ambiental brasileira é planejada com base na distribuição de das espécies que ocorrem no país", afirma Alexandre Aleixo, pesquisador do Museu Goeldi, em documento emitido pela Sociedade Brasileira de Ornitologia. E casos de coleta acidental, diz, não são passíveis de multa, desde que sejam notificados.
O Conselho Regional de Biologia, que no início criticou Klemann Jr., está agora apurando o caso para decidir como agir.
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