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Sérgio Petrilli

Quem é ele?

Antonio Sergio Petrilli, 66, médico, casado, três filhos

Organização: Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer)

Ano de fundação:1991

www.graacc.org.br/

*dados de 2012

Um dos principais oncologistas pediátricos do Brasil, o médico Antonio Sergio Petrilli, 66, é cofundador e mentor do Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer). Baseado em um eficiente modelo de gestão e atendimento que envolve a academia, a iniciativa privada e a sociedade em geral, até 2011 ofereceu atendimento gratuito de alto padrão a 4.961 crianças e adolescentes de todo o Brasil com índice de cura de cerca de 70%, além de ter desenvolvido protocolos inovadores no tratamento da doença, que é a que mais mata crianças com mais de 5 anos de idade no país.

Cuidador da infância

Persistência marca a trajetória do médico que mudou a vida de milhares de crianças carentes com câncer

MARIA CAROLINA NOMURA
DE SÃO PAULO

“Uma coisa é a criança morrer porque não há mais nada que se possa fazer. Outra é morrer por falta de recursos, porque o remédio é muito caro e o SUS [Sistema Único de Saúde] ou o hospital não querem pagar.”

Partindo desse pensamento, o médico Antonio Sergio Petrilli decidiu agir.

"'É o prêmio da educação pública brasileira', diz vencedora do Empreendedor Social 2012"

"'Queremos uma mudança social', diz vencedor do Empreendedor do Futuro"

E não mediu esforços para que crianças “ricas ou pobres” fossem curadas com qualidade de vida.

Seu olhar diferente, contudo, era inovador demais para a década de 1970, quando começou a trabalhar no Hospital A.C. Camargo. Com pífios 20% de chance de cura, não se investia nas terapias de câncer infantil.

“Além disso, o tratamento em si era cruel”, lembra. “Elas eram colocadas junto aos adultos, a quimioterapia era ministrada em seus bracinhos com as mesmas agulhas grossas e, pior, suas mães não podiam estar com elas. Imagine uma criança de quatro anos enfrentar tudo isso sozinha?”

Inconformado com a dura realidade e ávido por novos conhecimentos, Petrilli partiu com sua família para Nova York, onde estagiou por um ano no Memorial Sloan-Kettering, referência na área.

Após ter visto o que se podia fazer em termos de tratamento infantil, unindo tecnologia e assistência, voltou ao Brasil obstinado por um sonho: vislumbrava um lugar onde as crianças não perdessem sua humanidade com um tratamento tão invasivo.

Queria que elas ainda brincassem mesmo perdendo seus cabelos; que não parassem de estudar; que não esmorecessem; e, principalmente, que tivessem acesso ao melhor tratamento possível para seu tipo de câncer, sem que sua condição socioeconômica e social fosse determinante.

Persistente e incansável, Petrilli contagiou uma legião de pessoas. Eram médicos, enfermeiros, voluntários e empresários que, unidos, fizeram nascer o Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), que, em um sobrado ao lado da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), oferecia assistência e tratamento ambulatorial a crianças internadas no Hospital São Paulo.

Para ampliar o atendimento, o médico percebeu que era preciso saber lidar com a política dos hospitais e, sobretudo, responder à pergunta: quem vai pagar a conta?Visando à excelência, convidou os empresários-parceiros a participar da gestão do Graacc e fez um curso no Saint Jude Hospital, em Memphis, nos EUA, onde aprendeu a importância da captação de recursos e do gerenciamento profissional.

EMPURRÃOZINHO

Hoje, Petrilli, 66, diz se orgulhar de ver a instituição, centro de referência no tratamento do câncer infantil, ocupar um prédio de oito andares –que está em expansão– e atender mais de 300 casos novos por ano.

“Os avanços da medicina proporcionam 70% de chances de cura nos casos tratados adequadamente. E aqui temos todos os médicos e os equipamentos necessários para oferecê-los.”

Entre um sorriso e um respiro profundo de resignação, Petrilli admite que o Graacc não foi só fruto de vontade, conhecimento e mobilização. “Nós contamos com um empurrãozinho sagrado, que vem do céu, das crianças que não conseguimos salvar.”

Religioso sem falar em Deus, inquieto, teimoso e líder nato, Petrilli, corintiano roxo, aprendeu desde cedo a desempenhar vários papéis, o que lhe permitiu se comunicar com diversos públicos.

De pequeno, ajudava o pai, descendente de italianos, no ofício de colocar pedras ornamentais, e a mãe, de sangue húngaro, na criação de seus cinco irmãos mais novos.

Na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde cursou medicina, era capitão do time de futebol, atuava na atlética e organizava passeatas pela democracia.

“Sempre fui brigão e conciliador.”

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Conheça mais sobre o Graacc

Segundo o estudo “Estimativa 2012 - Incidência de Câncer no Brasil”, do Inca (Instituto Nacional do Câncer), a incidência dos tumores pediátricos no mundo varia de 1% a 3% do total de casos de câncer, sendo que no Brasil encontra-se próxima de 3%. É uma doença considerada rara quando comparada às neoplasias que afetam os adultos. Estimam-se que, em 2012, ocorrerão cerca de 11.530 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos no país do total geral previsto de 384.340 casos novos de câncer. Esse número é relativamente estável ano a ano.

Em alguns países em desenvolvimento, onde a população de crianças chega a 50%, a proporção do câncer infantil representa de 3% a 10% do total de neoplasias. Já nos países desenvolvidos, essa proporção diminui, chegando a cerca de 1%. A mortalidade também possui padrões diferentes. Enquanto, nos países desenvolvidos, o óbito por neoplasia é considerado a segunda causa de morte na infância, correspondendo a cerca de 4% a 5% (crianças de 1 a 14 anos), em países em desenvolvimento essa proporção é bem menor, cerca de 1%, uma vez que nesses países as mortes por doenças infecciosas apresentam-se como as principais causas de óbito.

As últimas informações disponíveis indicam que, em 2009, os óbitos por neoplasias (proliferação celular anormal) para a faixa etária de 1 a 19 anos estavam entre as dez primeiras causas de morte no Brasil. A partir dos 5 anos, a morte por câncer corresponde à primeira causa de morte por doença em meninos e meninas, afirma o Inca. Em geral, a incidência total de tumores malignos na infância é maior no sexo masculino.

As neoplasias mais frequentes na infância são as leucemias (glóbulos brancos), os tumores do sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático). Também acometem crianças o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), o tumor de Wilms (renal), a retinoblastoma (retina do olho), o tumor germinativo (células que vão dar origem às gônadas), o osteossarcoma (ósseo) e os sarcomas (partes moles).

Por apresentar características muito específicas, o câncer que acomete crianças e adolescentes deve ser estudado separadamente daqueles que acometem os adultos. Principalmente no que diz respeito ao comportamento clínico. Esse grupo de neoplasias apresenta, em sua maioria, curtos períodos de latência, é mais agressivo, cresce rapidamente, porém responde melhor ao tratamento e é considerado de bom prognóstico. Desse modo, as classificações utilizadas para os tumores pediátricos são diferentes das utilizadas para os tumores nos adultos.

Graças aos avanços nos últimos 40 anos, em torno de 70% das crianças acometidas de câncer podem ser curadas se diagnosticadas precocemente e tratadas em centros especializados. A maioria terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

Para o alcance de melhores resultados, conclui o Inca, as ações específicas do setor da saúde, como organização da rede de atenção e desenvolvimento das estratégias de diagnóstico e tratamento oportunos, são “fundamentais”. No Brasil, um grande número de crianças não tem acesso a esse tipo de atenção por ser um tratamento caro e complexo. Muitas crianças não são diagnosticadas precocemente e existem poucos centros especializados em oncologia pediátrica no país.

O Graacc nasce em 1991 “para garantir a crianças e adolescentes com câncer de todo o país todas as chances de cura, com qualidade de vida, independentemente de sua condição social ou região de origem”.

O candidato, por meio da criação do Graacc em 1991, não pode ser considerado pioneiro em tratamento de referência de câncer infantil em termos gerais. Sua iniciativa foi inspirada no modelo norte-americano, sobretudo no hospital St. Jude Children’s Research, criado há 50 anos e ainda considerado a principal referência mundial no tema. No Brasil, destaca-se como iniciativa pioneira o Centro Infantil Boldrini, de Campinas (SP), com mais de 30 anos de existência.

Entretanto, o empreendedor social apresenta, por intermédio do Graacc, extensa lista de inovações na forma de tratar o câncer infantil, contribuindo ativamente com mudanças nos protocolos de tratamento, visando diminuir o impacto na vida dos pacientes:

  1. Em 2008, o Graacc foi pioneiro no mundo ao anunciar um novo procedimento para tratamento de craniofaringioma (câncer cerebral). Com uma bombinha, os médicos aplicam no tumor um medicamento que mata as células cancerígenas, reduzindo seu volume em até 97%. A descoberta rendeu ao hospital prêmio da International Society for Pediatric Neurosurgery, e o tratamento começou a ser adotado na Itália, na Inglaterra e no Canadá;
  2. A unidade de transplante do Graacc se destaca no país pela capacidade de realizar transplantes em crianças pequenas, inclusive em bebês, apontam os entrevistados; O hospital realiza uma técnica diferenciada de lavagem das células em transplantes de medula óssea com células congeladas, reduzindo o potencial tóxico do procedimento, aumentando a segurança do paciente e as chances de sucesso;
  3. O Graacc desenvolveu, em parceria com a Unifesp, um novo método no combate ao retinoblastoma (tumor na retina), que consiste na implantação de um cateter na artéria ocular para levar os medicamentos quimioterápicos diretamente ao tumor. A técnica reduz os efeitos colaterais e aumenta as chances de preservar os olhos;
  4. A organização se coloca como líder no Brasil em pesquisas e descobertas do tratamento do osteossarcoma (câncer ósseo), sobre o qual desenvolve pesquisas, mantém um grupo de estudos com a Unifesp e outros hospitais e participa do Projeto Genoma do Câncer, da Fapesp;
  5. É o único centro médico que faz todos os tipos de transplante de medula óssea em crianças;

Outra inovação se dá na área de tratamento ambulatorial das infecções das crianças imunodeprimidas, com possibilidades de oferecer a desospitalização, com mais qualidade de vida e sucesso do tratamento.

Ainda que inspirada no modelo do hospital St. Jude (EUA) e com congêneres no Brasil, como o Centro Infantil Boldrini, a gestão do Graacc pode ser considerada inovadora por primar pela excelência, tendo desenvolvido um modelo próprio e eficiente de atuação, atestado pelos avaliadores do prêmio.

Como bem resume o candidato: “A base dos bons resultados conquistados está na união equilibrada de três elementos: conhecimento acadêmico, representado pela Universidade Federal de São Paulo; administração focada em resultados, assegurada pela participação de empresários; e integração da sociedade, por meio do apoio financeiro e do trabalho voluntário”.

Não há indícios de pontos fracos ou ameaças que coloquem em risco a continuidade do trabalho do Graacc na área de oncologia pediátrica.

A organização apresenta um histórico de crescimento contínuo ao longo de seus 21 anos de existência, tendo começado em uma pequena casa que antecedeu a construção do atual hospital, de 11 andares, e hoje conta com um audacioso projeto de expansão até 2016.

O relacionamento com colaboradores, parceiros, patrocinadores, beneficiários e comunidade é aberto e transparente, com atendimentos e/ou prestação de contas por meio de canais como site, e-mail, telefone, newsletters, departamentos de telemarketing, imprensa, recursos humanos e documentos institucionais, como um Relatório Anual de Atividades de alto nível.

A organização apresenta CRM (gestão de relacionamento com clientes e parceiros) de alto nível e credita parte de seu sucesso a esse diferencial.

O candidato e sua equipe participam ativamente de redes de pesquisa nacionais e internacionais na área de oncologia pediátrica, sobretudo em transplante de medula óssea, neuroblastoma e osteossarcoma.

Contudo, não apresenta inserção relevante em redes estruturadas de empreendedores sociais e organizações do Terceiro Setor.

Atualmente, contam-se no site 121 parceiros, entre empresas de todos os portes, órgãos públicos, instituições de ensino e organizações do Terceiro Setor. A diversificação e a boa gestão permitem bom nível de solidez/ fidelidade nas parcerias e diminuem a volatilidade dos apoios. Um exemplo é a parceria com o McDonald’s, iniciada em 1993 e presente até hoje.

Orçamento anual (2012): R$ 71.589.356

Patrocinadores (por ordem de investimento):
McDonald’s; Editora Mol; Droga Raia; Taveri Participações; American Express do Brasil; Shopping Eldorado; C&C Casa e Construção; Fundação Orsa; Comexport Com. e Exportação; BioLab; União Química; Eurofarma; Instituto Ayrton Senna; Metroprom Feiras e Emp.; Sindepark; Novartis; Fumcad (Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente); Prefeitura de São Paulo (doação do terreno do hospital); Governo do Estado de SP (doação do terreno da Casa de Apoio); Governo Federal (emendas parlamentares); Banco Safra; Banco Bradesco; JHSF; Outros.

O candidato é uma das principais referências no país no combate ao câncer infantil e lidera uma equipe que participa ativamente em prol do aumento dos índices de cura de diversos tumores.

Cerca de 90% dos pacientes são encaminhados pelo SUS, 9% são atendidos por convênios, e 1% tem atendimento particular.

Perfil socioeconômico pesquisado pela instituição aponta que (2001 e 2010):

  1. 60% dos pacientes são do sexo masculino;
  2. 47% têm de 0 a 5 anos; 38%, de 11 a 20 anos;
  3. 30% residem na Grande São Paulo;
  4. 43% dos pais estavam empregados;
  5. 60% das mães realizavam trabalho doméstico;
  6. 78% das famílias tinham renda familiar de até três salários mínimos, sendo que 18% recebem um salário mínimo;
  7. 54% dos pacientes estavam matriculados na escola;
  8. 33% das famílias tinham renda per capita de até R$ 127, e 30%, de R$ 128 a R$ 228.

Segundo registros, em 2011 o Graacc atendeu 2.780 crianças e adolescentes e recebeu 358 casos novos. É o maior número de novos casos na história da instituição. Vale ressaltar que o tratamento em geral dura vários anos, o que explica o número acumulativo de atendimentos.

Podem ser considerados dois grupos de beneficiários indiretos da instituição:

  1. Os familiares da criança atendida;
  2. Os alunos da Unifesp.

O Graacc opera em regime de hospital-escola da Unifesp, por meio de parceria técnico-científica. Com isso, beneficia pacientes com os resultados das atividades nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, enquanto forma mestres e doutores e dissemina tratamento de qualidade e conhecimento avançado em oncologia pediátrica para outras regiões do país.

A sede do Graacc se localiza na Vila Mariana, bairro da zona sul de São Paulo, onde se concentra todo o atendimento realizado.

Em 2011, recebeu pacientes das cinco regiões do país, de 19 Estados: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Crianças de países vizinhos na América do Sul estavam em fase de tratamento durante a visita de avaliação, em julho de 2012.

A localização foi escolhida por conveniência (local de moradia e vivência profissional do empreendedor social), onde está o campus da Unifesp.

De 2000 a 2010, além de São Paulo, o Graacc registra atendimento a pacientes dos mesmos 18 Estados acima listados e dos seguintes países: Bolívia, Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

Pela natureza do trabalho, um hospital de alta complexidade, a replicação do trabalho de forma integral não acontece em escala.

A disseminação do diagnóstico precoce da doença ocorre com palestras para a sociedade e divulgação em ações e meios de comunicação.

O efeito multiplicador se dá também com o ensino na disciplina de pediatria da Unifesp. O hospital forma novos profissionais especializados em oncologia pediátrica constantemente. A maioria deles é de fora de São Paulo e, segundo o candidato, muitos voltam às suas localidades de origem, onde disseminam os conhecimentos e técnicas aprendidos no Graacc.

Como um hospital-escola, o Graacc participa ativamente de redes de pesquisa científica ligadas à oncologia pediátrica, com as quais compartilha as descobertas realizadas, sobretudo por meio de artigos e publicações acadêmicas. Interage com frequência com instituições congêneres, como o Inca (Instituto Nacional do Câncer) e o Instituto Boldrini. Tem parceria com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, de São Paulo, que se inspirou no Graacc para a criação de sua quimioteca.

A organização mantém manuais operacionais com as normas e os procedimentos técnicos. Sistematiza o conhecimento científico por meio de publicações acadêmicas.

Três projetos desenvolvidos pelo Graacc influenciaram diretamente políticas públicas ou outros hospitais pediátricos no país, segundo o finalista.

Inspirada na brinquedoteca, a lei 11.104/2005, da então deputada federal Luiza Erundina, tornou obrigatória a instalação de brinquedotecas em hospitais públicos e privados com unidades pediátricas no Brasil.

Tanto a brinquedoteca quanto a quimioteca foram adotadas por outros hospitais públicos, entre os quais o HSE (Hospital dos Servidores do Estado/RJ) e o Instituto Boldrini (SP).

Já o Escola Móvel, cuja metodologia ganhou corpo dentro do Graacc, foi reconhecido pelo Ministério da Educação, porém ainda não se tornou política pública, a despeito do alto potencial que apresenta.

O candidato até o momento não foi responsável direto pela criação de leis, tampouco foi responsável direto pela criação de programas de governo em quaisquer esferas públicas.

A instituição mantém parcerias públicas de diversas maneiras, seja por convênios com municípios e Estados para a realização e prestação de atendimentos/procedimentos médicos, seja por aportes financeiros destinados pelo SUS, por doações (como o terreno cedido pela Prefeitura de São Paulo) ou por emendas parlamentares.

O candidato eleva o nível dos serviços prestados pelo poder público por meio do atendimento via SUS das crianças e dos adolescentes com câncer. Diversos hospitais públicos –entre eles o próprio Inca (Instituto Nacional do Câncer), do Rio– encaminham casos de alta complexidade para o Graacc.

1) Tratamento integral e humano

O Graacc trabalha com um sistema de “catraca livre”, em que todos os pacientes que chegam ao hospital são atendidos.

Na visão do candidato, o tratamento do câncer infantil envolve a totalidade e a singularidade de cada criança. O atendimento segue o conceito de “resgate da cidadania”, em que se criam condições para o paciente ser tratado como merece, com uma ação personalizada e humanizada. Os aspectos materiais, sociais e espirituais do paciente e de sua família como condição vital para a cura são considerados em todo o processo.

A participação de equipes multidisciplinares amplia o tratamento, envolvendo simultaneamente atividades de pesquisa, ensino, extensão, terapias de apoio, de reabilitação e de serviço social. O Graacc destaca nesse processo o papel da enfermagem, de forma a permitir que o paciente passe pelo tratamento com o menor nível de estresse e sequelas possível.

2) Pesquisa

O Graacc desenvolveu método próprio de atendimento baseado nas características de um hospital-dia, com tratamento ambulatorial que visa mostrar que “o câncer vai além do tumor”. Uma de suas filosofias é atuar “no limite do conhecimento científico”, oferecendo a seus pacientes reais chances de cura. Essa preocupação com a pesquisa, aponta o empreendedor social, é a razão das taxas de sobrevida de cerca de 70%, iguais às de grandes centros de referência dos EUA, da Europa e do Japão.

3) Modelo tripartite

a) com a Unifesp

Desde 1998, o Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP/Graacc/Unifesp) corresponde ao setor de Oncologia Pediátrica da Unifesp, vinculado ao Departamento de Pediatria.

A parceria assegura ao Graacc suporte técnico e científico. Também impulsiona a criação de conhecimento e a qualidade da assistência integrada multidisciplinar e das pesquisas genéticas, clínicas, cirúrgicas e biológicas sobre o câncer infantil. Colabora, assim, para criar novos protocolos terapêuticos e elevar os índices de cura.

Para os alunos da Unifesp, o trabalho conjunto proporciona a experiência prática no hospital, aperfeiçoando a qualificação dos novos profissionais, que ajudarão a difundir tanto as técnicas de prevenção e tratamento do câncer infantil em todo o país como as noções do diagnóstico precoce. A universidade em si ganha com a agilidade nos processos operacionais.

b) Gestão empresarial

A participação da iniciativa privada, por meio dos executivos voluntários que atuam na administração, confere ao Graacc um caráter empreendedor e assegura a aplicação de boas práticas de gestão. Definição de metas e estratégias de atuação, monitoramento dos avanços e controle de orçamento fazem parte do dia a dia da instituição. Profissionais de saúde e do Terceiro Setor também participam da tomada de decisões, colaborando para enriquecer, com diferentes visões, a atuação da instituição.

c) Sociedade civil

O engajamento da sociedade na gestão reforça o foco na humanização do tratamento, por meio do trabalho e do envolvimento dos voluntários, que tornam o tratamento acessível a qualquer criança, independentemente de sua condição econômica e social.

As contribuições financeiras de pessoas doadoras asseguram recursos essenciais ao funcionamento do hospital, permitindo a manutenção da qualidade e a ampliação dos atendimentos. A maioria dos hospitais que atende crianças do SUS não consegue fazê-lo de forma adequada pelo déficit financeiro. O Graacc utiliza o benefício de ser uma entidade filantrópica bem administrada para buscar recursos nos diferentes setores da sociedade e, assim, manter a sustentabilidade da organização, mesmo atendendo 90% de déficit do SUS.

1) Escola Móvel

Projeto reconhecido pelo Ministério da Educação, em que alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio frequentam, no próprio Graacc, aulas ministradas por professores das diferentes licenciaturas. A abordagem segue as indicações curriculares das escolas de origem dos pacientes, em uma releitura para o momento escolar que o aluno vive. A Escola Móvel ministra cerca de 8.000 aulas por ano, para aproximadamente 500 crianças e adolescentes, incluindo preparação para vestibulares e concursos públicos.

Os professores participam de um processo de especialização em atendimento escolar hospitalar, recebendo 30 horas semanais de atividades (20 horas em atendimento escolar hospitalar e 10 horas em formação nas áreas de educação e saúde). O curso é de dois anos e forma professores para atuarem em outros hospitais pediátricos.

2) Espaços humanizados: Quimioteca e Brinquedoteca

A Quimioteca é um ambulatório onde desde 2004 crianças e adolescentes recebem a quimioterapia, que corresponde à etapa mais difícil do tratamento do câncer infanto-juvenil. São atividades lúdicas, a fim de conseguir um comportamento mais receptivo ao tratamento e contribuir com a melhora da qualidade de vida nessa etapa. As atividades da Quimioteca são planejadas e orientadas por uma ludotecária, auxiliada por voluntários. São atendidas, em média, cerca de 70 crianças por dia, somando-se as que fazem quimioterapia, outros tratamentos complementares e transfusões.

Construída em 1998 com recursos do Instituto Ayrton Senna, a Brinquedoteca é um ambiente decorado de forma lúdica, onde as crianças participam de atividades multidisciplinares e têm à disposição centenas de brinquedos. Familiares e acompanhantes contam com oficinas e orientação pedagógica. Em média, 124 pacientes utilizam o local diariamente, enquanto aguardam consultas ou procedimentos médicos.

3) Oficina das Mães

Tem como objetivo proporcionar novas oportunidades de desenvolvimento pessoal e inserção social através do trabalho manual. Oferece noções básicas de costura, bordado e outras formas de artesanato. São atividades que ampliam o repertório, reforçando os valores e o saber da cultura de origem. É sobretudo um momento de socialização, troca de experiências e vivências.

4) Casa Ronald McDonald

A instituição mantém a Casa Ronald McDonald São Paulo, inaugurada em 2007 em parceria com o Instituto Ronald McDonald, para hospedar pacientes de fora de São Paulo e oferecer às crianças a oportunidade de concluir o tratamento com mais conforto e segurança.

Em um terreno de 1.500 m² doado pelo Governo do Estado de São Paulo, a casa tem 30 suítes para as crianças e seus responsáveis. As instalações atendem cerca de 60 pessoas diariamente e contam com brinquedoteca, sala com televisão e videogames, computador com internet, biblioteca, adoleteca, cozinha e lavanderia. A renda obtida com o McDia Feliz contribuiu, em 2011, com 50% dos custos de manutenção da casa.

Depoimentos

“Fiz residência no AC Camargo e o dr. Petrilli era um dos meus chefes. Naquela época, ele já se distinguia dos outros porque ‘perdia seu tempo’ em nos ensinar tudo. Então, na hora do almoço, ele dava aulas de pediatria, de procedimentos de oncologia, de atendimento à criança, tudo o que você poderia imaginar. Mas, ao mesmo tempo, ele também nos fazia chorar de tanta cobrança. Nunca aceitava ‘não’ como resposta. Se, por exemplo, não havia plaquetas para fazer uma transfusão, ele simplesmente não aceitava. Dizia: ‘você já ligou para o Departamento de Estado, para a Presidência da República? Você vai conseguir essas plaquetas”.

NAJLA SABA , 58, médica e companheira de equipe

“As negociações com o Petrilli não são fáceis. Além de ele ter uma visão técnica muito boa e saber convencer todo mundo da necessidade de investimento para a compra de um remédio muito caro ou um equipamento, por exemplo, ele é um ótimo gestor. Por isso, temos que dar o nosso melhor como empresários para mostrar que a nossa visão também tem seus fundamentos. Afinal, os objetivos aparentemente distintos -o nosso é o crescimento do Graacc enquanto instituição e o dele é o tratamento com tecnologia de ponta– são os mesmos, que é a cura da criança com câncer e a melhoria de sua qualidade de vida.”

SÉRGIO AMOROSO, 58, presidente do Conselho de Administração e da Diretoria do Graacc e presidente do Presidente do Grupo Orsa

“Eu tinha muito interesse em saber o que é que meu pai fazia. Na época da casinha eram menos casos e o envolvimento pessoal acabava sendo maior, algumas crianças faziam mesmo parte da nossa família, iam a churrascos em casa. Com a gente, ele sempre foi bastante rígido e exigia que déssemos o nosso melhor. Eu me lembro de uma vez, quando era adolescente e estava no 1º colegial, em que disse para ele que eu ia repetir de ano já que estava adiantada. E ele disse que não toleraria preguiça, mas que não tinha problema nenhum em ter uma filha burra. Aí, eu fiquei bem brava e passei de ano com notas muito altas.”

RENATA PETRILLI, 37, chefe do departamento de psicologia do Graacc e filha de Petrilli

“Precisamos do doador para viabilizar o direito da criança de ter acesso a todos os recursos que existem para ter o tratamento mais eficaz e eficiente. Porque a gente sabe que não é suficiente curar o câncer. É preciso curar o câncer e devolver à sociedade um paciente íntegro, que seja ativo. Não posso devolver um paciente que ficou tão traumatizado que vai ser um adulto incapacitado por questões psicológicas, inseguro ou que não vai conseguir exercer uma atividade. E a gente via muito isso no passado, pacientes que não constituíram família porque não conseguiram afugentar seus fantasmas. Vimos tantas famílias que se desfizeram durante o tratamento. Na época, não tínhamos o conhecimento de entender que o câncer vai além do tumor. Porque você é outra pessoa depois de conviver com essa experiência que é avassaladora.”

CARLA DIAS, 51, gerente de enfermagem do Graacc

“Ele é obstinado e apaixonado pela causa. Quantas vezes, antes de viajarmos, ele passou pela casinha e ficou lá conversando com cada um dos pacientes, com os médicos, querendo saber tudo o que tinha acontecido na noite anterior. E eu ficava com as crianças no carro, dava uma volta com elas, inventava brincadeiras e tomávamos lanche porque a gente nunca sabia o quanto ele ia demorar lá.”

HELOISA PETRILLI, 65, mulher do empreendedor

“Sou amiga dele há uns 40 anos. Ele sempre foi o pediatra dos meus sete netos e vai nascer uma bisneta que tenho certeza que vai para o Petrilli. Ele é fora de série. Uma pessoa maravilhosa, transparente, e tem uma força fantástica. Não esmorece de jeito nenhum. A dedicação que ele tem com as crianças é impressionante porque, além de médico, ele é amigo, carinhoso, explica tudo para elas. Ele não esconde nada e passa uma confiança incrível.”

LÉA DELLA CASA MINGIONE, 80, uma das fundadoras do Graacc e presidente da Casa Ronald McDonald de São Paulo

, 80, uma das fundadoras do Graacc e presidente da Casa Ronald McDonald de São Paulo

ROSANA FIORINO PUCCINI, chefe de pediatria da Unifesp

“Eu tive um problema particular, meu filho teve câncer infantil e hoje é um homem curado, e por isso conheci o dr. Petrilli. Com o tempo, ficamos amigos e ele me falou do Graacc e de tudo o que a instituição representava para as crianças com poucas condições socioeconômicas. Posso dizer que ele sabe convencer as pessoas a colaborar e a participar dessa causa, a vestir a camisa e não a tirar mais.”

FERNANDO DE CASTRO MARQUES, 58, vice-presidente da Diretoria e membro do Conselho de Administração do Graacc e presidente da União Química
 
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