Iraquianos pedindo asilo em países ricos "dobram em 2007"
da BBC
O número de iraquianos buscando asilo político nos países industrializados quase duplicou no ano passado, ajudando a reverter a tendência de queda registradas nos últimos cinco anos, revelou um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado nesta terça-feira.
Mais de 45 mil iraquianos pediram asilo em 43 países industrializados em 2007, 98% acima dos quase 23 mil registrados no ano anterior, afirmou o levantamento anual da agência das ONU para os refugiados (Acnur).
Com isso, o total de pessoas pedindo asilo nos países industrializados somou 338 mil no ano passado --10% a mais que em 2006, quando o número de refugiados foi o menor em 20 anos, 306 mil.
"A tendência de queda nos pedidos de asilo foi anulada no ano passado por um grande aumento no número de solicitantes de asilo provenientes do Iraque", disse a Acnur em comunicado. "Se os iraquianos fossem excluídos da análise, o aumento seria de apenas 2%."
Fração
O Iraque é hoje o principal país de origem de solicitantes de asilo nos países industrializados. Os próximos na lista são Rússia (18,7 mil, a maioria da Tchetchênia), China (17,1 mil), Sérvia (15,3 mil) e Paquistão (14,2 mil).
Entretanto, os iraquianos nos países industrializados são apenas 1% dos cerca de 4,5 milhões de pessoas deslocadas pela guerra internamente e nos países vizinhos.
Entre estes estão cerca de 2 milhões de iraquianos que cruzaram as fronteiras de países como Síria e Jordânia, não incluídos neste levantamento.
Neste aspecto, a situação iraquiana guarda semelhança com o que ocorre na Colômbia, país americano que no ano passado enviou mais pedidos de asilo para os países industrializados: 6,5 mil ou 7% a mais que no ano anterior.
Mas o número de colombianos em necessidade de proteção é muito maior nos países vizinhos: 250 mil no Equador e 200 mil na Venezuela. Há ainda 20 mil no Brasil. Internamente, cerca de 3 milhões de colombianos são deslocados pela violência, estima a Acnur.
Apesar do aumento no número de pedidos de asilo nos países industrializados em 2007, o fluxo ainda é cerca de metade do registrado em 2001, quando 655 mil pessoas se candidataram a receber proteção internacional nesses países.
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