BBC Brasil
17/04/2008 - 14h37

Seqüestrador de Betancourt diz sentir "remorso" em carta a Sarkozy

DANIELA FERNANDES
da BBC, em Paris

Um dos seqüestradores de Ingrid Betancourt, refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), enviou uma carta ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, em que expressa "remorso" por ter participado da operação de captura, há mais de seis anos, da ex-senadora franco-colombiana.

Nolberto Uni Vega, um dos seqüestradores de Betancourt, está preso em Combita, no norte da Colômbia. Ele deixou as Farc em 2003 e cumpre pena de 34 anos de prisão. Na terça-feira (15), Vega conversou com jornalistas no presídio e anunciou ter escrito uma carta ao presidente Sarkozy.

Um dos jornalistas recebeu a carta, com a missão de levá-la para a mãe de Betancourt, Yolanda Pulecio, que deve entregá-la ao presidente francês.

Até o momento, o secretariado do Palácio do Eliseu, sede da Presidência, e a célula diplomática do governo responsável pelo dossiê Betancourt disseram à BBC "não ter nenhum conhecimento sobre a existência dessa carta". Provavelmente, pelo curto período de tempo, o documento ainda não teria chegado à França.

"Admiração"

"Tenho muita admiração por Ingrid Betancourt", disse Vega aos jornalistas. "Sua família, seus filhos, seu marido, muitas pessoas estão sofrendo."

O ex-guerrilheiro afirmou que o seqüestro de Betancourt não foi planejado pelo alto comando das Farc. Segundo Vega, a ex-candidata à Presidência da Colômbia foi parada, no dia 23 de fevereiro de 2002, em uma barreira em uma estrada do país.

"Tínhamos ordem de parar qualquer personalidade política com projeção nacional", afirmou Vega.

De acordo com o seqüestrador, Ingrid Betancourt, que estava em campanha para as eleições presidenciais, teria pensado inicialmente que se tratava de uma barreira do Exército colombiano na estrada.

Medo

Ingrid Betancourt teria ficado com medo ao constatar que os homens, vestidos com uniformes, eram, na realidade, guerrilheiros das Farc.

"Seu rosto mudou de cor", disse Vega, que contou ter passado um dia na companhia de Betancourt antes que ela ficasse sob a guarda de outros guerrilheiros.

A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, se recusou a comentar o "remorso" expressado pelo seqüestrador.

No início de abril, a França enviou uma missão humanitária à Colômbia para tentar entrar em contato com Ingrid Betancourt, que estaria com problemas de saúde. Mas as Farc se recusaram a permitir o encontro e, após vários dias de espera em Bogotá, o avião retornou à França.

Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. sem opinião
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O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
BOA URIBE! sem opinião
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