Brasil
20/09/2007 - 18h55

Em Manaus, Chávez critica Congresso por demora em aprovar entrada no Mercosul

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da Efe, em Manaus

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a criticar os Congressos do Brasil e do Paraguai pelo atraso em referendar a entrada do seu país no Mercosul. Chávez chegou hoje a Manaus (AM) para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Nós temos dignidade, e não ficaremos nos arrastando nem implorando a ninguém", disse ele, ao sentenciar que a Venezuela "continuará trabalhando" em favor da integração, mesmo que não entre no Mercosul.

Ele disse que a exclusão da Venezuela do Mercosul seria uma vitória do "império" contra a América do Sul. "Caso a Venezuela não entre no Mercosul, será uma vitória do império, mas uma vitória com mais danos ao vencedor", afirmou.

Em agosto, Chávez criou polêmica ao dar até o final do ano de prazo para os Congressos brasileiro e paraguaio regularizarem a entrada da Venezuela no Mercosul. Depois, ele recuou e negou que tenha dado um ultimato. "Não dei um ultimato a ninguém. Que ultimato posso dar ao Congresso do Brasil ou ao Congresso do Paraguai, que são soberanos?", perguntou Chávez em seu programa "Alô Presidente" no início de agosto.

Essa não foi a única polêmica envolvendo Chávez e o Congresso brasileiro. No final de maio, ele disse que o Senado brasileiro agia "como um papagaio" do Congresso americano e que era mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que o seu governo devolver a concessão ao canal oposicionista RCTV. "O Congresso brasileiro está agora subordinado ao de Washington", disse Chávez. "O Congresso do Brasil deveria se preocupar com os problemas do Brasil. O Congresso é dominado pelos movimentos e partidos da direita, que estão tentando que a Venezuela não entre no Mercosul."

As declarações de Chávez, feitas em cadeia nacional de televisão durante assinatura de acordos com uma delegação do Vietnã, foram uma resposta ao requerimento aprovado pelo Senado brasileiro com um pedido para que ele devolva a concessão ao canal, que terminou no domingo e não foi renovada.

Pena

Chávez disse que sente "pena" e "vergonha" pela demora na concretização de projetos propostos por ele --como o Gasoduto do Sul e o Banco do Sul-- e na aprovação, pelos Congressos do Brasil e do Paraguai, da entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul.

"Mais que chateado, me sinto triste e envergonhado", declarou Chávez, antes de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Chávez afirmou que por trás dos atrasos e dos desencontros, "está a mão do império [Estados Unidos]", que quer impedir a união latino-americana.

O líder venezuelano sustentou que a única intenção da Venezuela é compartilhar suas enormes reservas de gás e petróleo com o resto da América do Sul, mas alertou que os EUA "conspiram" contra esses projetos para manter a região "submetida".

Sobre o Gasoduto do Sul --um projeto para levar gás venezuelano até a Argentina passando por território brasileiro--, Chávez disse que "não é possível entender a resistência" existente em certos setores do Brasil.

Ele admitiu, no entanto, que há impedimentos "burocráticos" ainda não superados por ambas as partes --em referência à Venezuela e ao Brasil--, que devem prejudicar as primeiras fases do projeto.

Além disso, Chávez alertou que existem outras "alternativas", como a construção de unidades de regaseificação de gás liquidificado, que segundo ele, já começaram a ser estudadas com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner.

O presidente venezuelano insistiu, no entanto, na "necessidade" do gasoduto e alertou que, se os outros países se opuserem a isso, "um dia baterão à porta da Venezuela".

Banco do Sul

Chávez também mencionou as dúvidas e ressentimentos que persistem em setores brasileiros em relação ao Banco do Sul. Ele disse que esta nova instituição entrará em funcionamento em novembro, com Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia.

"Tomara que conte também com Brasil, Paraguai e todos os países da América do Sul", disse Chávez, que afirmou, no entanto, que a Venezuela não "pode esperar mais" para levar o projeto à frente.

"Falamos com Kirchner, com [o presidente equatoriano Rafael] Correa e com [o presidente boliviano] Evo Morales. Estamos prontos para começar em novembro", disse.

Segundo Chávez, a sede do Banco do Sul será em Caracas. Ele acrescentou que "não serão necessárias mais reuniões, porque tudo está pronto e não se pode esperar mais", principalmente depois das turbulências financeiras ocorridas nas últimas semanas, devido ao que qualificou de "conduta irresponsável" do governo dos EUA. "Temos que nos proteger, pois não sabemos quando a bolha especulativa explodirá."

Com Folha Online e Folha

Comentários dos leitores
O Pacificador (148) 18/11/2009 20h02
O Pacificador (148) 18/11/2009 20h02
"Presidente de TV diz que Chávez faz de tudo para levá-lo à prisão..."
E continuará fazendo...
Essa gente, odeia a imprensa livre e os direitos individuais.
A Argentina, segue pelo mesmo caminho perigoso.
O Brasil, está aos poucos sendo cercado por um "muro" de populistas e demagogos da pior espécie.
O triste é saber, que tem muita gente aqui, que adoraria ir pelo mesmo caminho dos comunistas bolivarianos.
Vão sonhando, vão sonhando...
sem opinião
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Santos Júnior (290) 18/11/2009 01h00
Santos Júnior (290) 18/11/2009 01h00
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer erigir para si um pedestal onde possa aparecer ante a Europa e os Estados Unidos como o grande patrono da governança latino-americana. Auto-suficiente e com um visível tom de desprezo, seu anúncio inconsulto feito em Londres ante os editores do Financial Times, no sentido de que ele "reunirá" em 26 de novembro Hugo Chávez e Álvaro Uribe em Manaus "para que resolvam suas diferenças", é um insulto à Colômbia e uma piada à realidade do que está ocorrendo no continente.
Depois de ter apoiado, por ação ou omissão, o expansionismo totalitário do chefe de Estado venezuelano, Lula quer dar-lhe uma virgindade e apresentá-lo como uma vítima dos Estados Unidos e da Colômbia.
É bom o sr Lula tirar o cavalinho da chuva que a festinha está prestes a terminar.
2 opiniões
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J. R. (1157) 17/11/2009 20h30
J. R. (1157) 17/11/2009 20h30
O lucro do petróleo venezuelano está indo também para a educação, hoje no dia do estudante universitário houve uma passeata nas maiores cidades venezuelanas em comemoração ao sucesso da inclusão ao curso superior de mais de 2 milhões e meio de bacharéis, sendo que em 1999 haviam apenas 166 mil. Um povo com formação saberá defender seus direitos, além de fazer o país crescer em todos os sentidos, deixando a criminalidade e a pobreza. Lula deveria olhar mais para o processo educativo venezuelano como possível modelo para o Brasil, cuja educação está crescendo apenas pelas mãos da iniciativa privada. A melhor maneira de fazer um país crescer de fato é apenas pela educação, e o lucro do petróleo, que é astronômico no Brasil, dado o preço dos combustíveis, é uma boa alavanca para o nosso processo. A Venezuela de fato passa por uma transformação, só não vê quem não quer ver. 1 opinião
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