Genoino nega acusações e diz ter sido denunciado por presidir PT na época
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O deputado José Genoino (PT-SP), ex-presidente do PT, negou nesta segunda-feira, em depoimento à Justiça Federal de Brasília, envolvimento no escândalo do mensalão e afirmou que foi denunciado por comandar, à época, a legenda. "Fui denunciado pelo que eu era, não pelo que eu fiz", disse.
Genoino disse ainda que nunca houve acordo para pagamento de apoio a legendas aliadas ao governo e o empresário Marcos Valério. Também negou que tenham sido realizadas reuniões para eventuais negociações no Palácio do Planalto ou em outros locais do governo.
No entanto, ele disse que, ao assumir a presidência do partido em 2003, foi informado sobre os problemas financeiros da legenda. "Tinham dívidas e altas despesas, tendo em vista a não-atualização das contribuições e dívidas dos diretórios estaduais."
O deputado afirmou também que era atribuição do secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT, Delúbio Soares, administrar e organizar o orçamento do PT.
Segundo o petista, os partidos aliados jamais requisitaram apoio financeiro. "Nunca me solicitaram nem falaram em vantagem material por apoio ao governo."
Genoino disse considerar como amigos pessoais o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e Delúbio Soares, todos denunciados por envolvimento no esquema.
Pela manhã, a Justiça ouviu João Paulo Cunha. Os interrogatórios foram solicitados pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Amanhã, devem ser ouvidos Paulo Rocha (PT-PA), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP).
Mensalão
O STF acatou a denúncia contra todos os 40 acusados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza de envolvimento com o mensalão --esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político.
Entre os denunciados estão os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e Anderson Adauto (Transportes), o empresário Marcos Valério, os deputados João Paulo Cunha e José Genoino, além do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias do mensalão.
O ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, autorizou juízes federais de oito Estados e do Distrito Federal a interrogar e receber a defesa prévia dos réus no processo.
Leia mais
- Em depoimento à Justiça, João Paulo Cunha nega envolvimento com mensalão
- STF dá prazo de 60 dias para réus do caso mensalão serem ouvidos
- STF converte inquérito do mensalão em ação penal; réus serão interrogados
- Livro reúne balanço de bens de políticos
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar