Brasil
22/04/2008 - 17h18

Irritados com presidente da CPI, governistas ameaçam desprezar oposição nas investigações

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online

A base aliada do governo promete desprezar os sub-relatórios elaborados por parlamentares da oposição na CPI dos Cartões Corporativos se não houver mudanças na distribuição das sub-relatorias entre governo e oposição. Os governistas estão irritados com a presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que cedeu à oposição as duas sub-relatorias mais visadas na comissão: sistematização e fiscalização de gastos.

"Se as sub-relatorias não forem construídas no processo de entendimento, eu vou ignorar os sub-relatórios e trabalhar na minha linha. (...) Como as sub-relatorias foram criadas para auxiliarem no meu trabalho, tenho o peso de fazer as indicações", reagiu o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Os governistas argumentam que houve "quebra de acordo" da parte de Serrano na distribuição das sub-relatorias --uma vez que a senadora não ouviu a comissão para decidir quem ficaria com cada uma das quatro criadas pela CPI.

"Infelizmente, a presidente está tentando tirar poderes do nosso relator. Para mostrar que queremos apurar as irregularidades, aceitamos criar sub-relatorias, mas na indicação dos sub-relatores ela [Serrano] não respeitou a proporcionalidade para tirar força do relator", disse o deputado Sílvio Costa (PMN-PE).

Os governistas indicaram o senador Gim Argello (PTB-DF) para a sub-relatoria de sistematização e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) para a de fiscalização de gastos. Serrano, porém, não seguiu as indicações e decidiu que Argello ficará com a sub-relatoria de controle de mecanismos de auditoria e Quintella com a de aperfeiçoamento legislativo --ao contrário do sugerido pelos governistas.

Os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ) foram indicados pela presidente da CPI para as sub-relatorias de sistematização e fiscalização de gastos, respectivamente, as mais visadas na comissão.

Para os governistas, Serrano age de acordo com orientações "superiores" da oposição. "Ela funciona por controle remoto. Fazemos acordos genéricos, mas ela segue a orientação que quiser", disse Quintella.

Acordo

Sérgio disse que, com maioria na CPI, a base aliada poderia ter impedido o acesso aos gastos sigilosos do governo federal com os cartões corporativos, assim como poderia não ter concordado com as sub-relatorias. O relator disse que a oposição aceitou o acordo de liberar o acesso aos dados sigilosos para mostrar o interesse nas investigações --embora tenha admitido que a base aliada "não tem pressa" para a análise dos dados.

Os governistas já ameaçam convocar uma reunião administrativa da CPI para rediscutir a atuação da comissão. "Nós poderemos coletar cinqüenta por cento das assinaturas, mais uma, convocando reunião extraordinária para debater esses pontos", disse o relator.

A base aliada também ficou irritada com o fato da oposição já ter iniciado a análise do material sigiloso no TCU (Tribunal de Contas da União) sem esperar pela indicação dos governistas que vão ao tribunal estudar os documentos. "Eles poderiam ter tido a delicadeza de nos esperar, para irmos todos juntos ao TCU", protestou Costa.

Os governistas indicaram Costa e os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Carlos Willian (PTC-MG) e Manato (PDT-ES) para analisarem os dados sigilosos no TCU. A oposição, por sua vez, escolheu os deputados Índio da Costa (DEM-RJ), Vic Pires (DEM-PA), Augusto Carvalho (PPS-DF) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) para integrarem a comitiva que vai acompanhar os dados sigilosos no TCU.

Comentários dos leitores
Alexandre Da Silva (1) 05/07/2008 17h34
Alexandre Da Silva (1) 05/07/2008 17h34
A única punição nestes casos é a exoneração? E o dinheiro gasto, quem devolve aos cófres públicos? CADEIA NELES!!!!!! 1 opinião
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Carla M. (63) 28/06/2008 22h10
Carla M. (63) 28/06/2008 22h10
SAO PAULO / SP
O PT das injustiças sociais.
Aumenta o Bolsa Família em 8%, acima da inflação.
Um programa eleitoreiro, que estimula aos que se conformam em viver na miséria, sim porque, os que se sujeitam receber essa esmola por tempo indeterminado, por absoluto conformismo, jamais será alguém na vida.
Essa esmola eleitoreira é um péssimo exemplo ao país, é um incentivo ao trabalho sem carteira assinada, e tudo as custas do dinheiro suado de quem trabalha.
O PT que sempre defendeu a divisão de rendas, faz com que o país assista o crecismento de novos milionários neste país, são poucos com muito, vivendo da especulação, em detrimento de muitos que trabalham e que pagam as contas.
Assistimos micro-empresários lutando arduamente para manter as portas abertas, quase pagando para trabalhar, com margem reduzida de lucro, em consequência da carga tributária escabrosa, intolerável.
Por outro lado, quem nunca contribuiu com um único centavo sequer, é privilegiado com o assistencialismo eleitoreiro do bolsa familia, ou com aposentadorias dos companheiros invasores do MST.
A regulamentação da tributação sobre riquezas prevista na constituição está como sempre esteve: Aguardando!
Só quero ver o que o PT dirá em suas propagandas políticas para as próximas eleições, qual será a desculpa oferecida, pois para àqueles que tanto ajudam no crescimento deste país, trabalhando arduamente, não mais acreditam em nenhuma desculpa sequer desse partido de ideologias baratas.
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Carla M. (63) 28/06/2008 19h53
Carla M. (63) 28/06/2008 19h53
SAO PAULO / SP
PT quem te viu e quem te vê!
Quanta decepção, quem poderia imaginar que o PT hoje pudesse tolerar todos os desmandos com o dinheiro do povo.
Nossas instituições democráticas estão totalmente abaladas.
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