Brasil
07/06/2008 - 08h06

Operação do Ibama flagra bois e pista de pouso em área intocável no Pará

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JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém

Em uma operação no Pará para desocupar 16 fazendas em duas unidades de conservação, áreas legalmente intocáveis, agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) encontraram milhares de cabeças de gado e uma propriedade com pista de pouso e até um pequeno porto fluvial.

Segundo a legislação, em unidades de conservação como o Parque Nacional da Serra do Pardo e a Estação Ecológica da Terra do Meio, onde ocorre a operação, só é permitido a visita e a pesquisa, e mesmo assim com autorização do órgão.

A ação, que conta também com agentes da Polícia Federal e FNS (Força Nacional de Segurança), está sendo cumprida desde anteontem por equipes que vão de fazenda em fazenda entregar os mandados de desocupação. Os ocupantes terão 30 dias para ir embora.

Apenas em uma delas, os fiscais estimam que haja mais de 1.000 cabeças de gado. No total, pode chegar a 5.000 animais, criados de maneira extensiva, ou seja, sem utilização de tecnologia avançada, o que aumenta a necessidade de área desmatada.

Segundo o coordenador da operação, Paulo Maués, os bois e vacas das duas unidades de conservação não se enquadram na designação "bois piratas", criada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, nesta semana, para os animais que, uma vez encontrados em áreas desmatadas ilegalmente, serão marcados e apreendidos.

Maués disse que, como a ação está sendo feita com base em ordens da Justiça anteriores à legislação que autoriza a apreensão de bois, eles continuarão com seus donos, devendo apenas serem removidos.

Boa parte das 16 fazendas foi criada há três ou cinco anos, o que o Ibama considera uma ocupação recente. Como estão em regiões isoladas e longe das estradas vicinais, têm dificuldade em transportar o gado.

Por isso, em uma delas, à beira do rio Xingu, os agentes encontraram um porto e uma pista de pouso para aeronaves pequenas. Outras têm sedes bem estruturadas, que podem se tornar no futuro bases para o Ibama, de acordo com Maués. A operação deve terminar na semana que vem.

Comentários dos leitores
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Tenho pela certeza que o sr. Reis sabe o que diz. Não posso recriminá-lo pelas suas palavaras, pois vivo na Amazônia e sei exatamente o que acontece nos dois extremos, do degradador e do ambientalismo, muitas das vezes radical. Não podemos negar que há pessoas sem nenhum preparo para respeitar as questões ambientais, mas também não podemos negar que a pobreza causa muito mais impacto negativo, seja socialmente como ambiental, portanto tenho que respeitar a opinião do Sr. Reis, pois Londres, Paris, Amsterdã, entre outras cidades ricas da Europa, Oceania, Canadá e EUA estão no topo do ecologismo, sendo modelos de preservação ambiental, depois de esgotarem seus recursos naturais, sendo assim foi fácil recuperar um Tâmisa, um Sena, mas veja se a indústria parou? Aqui na Amazônia existem pessoas sérias, existem fazendas de gado, muito melhores, na questão ambiental, do que muitas que conheci em São Paulo, existem muitas áreas agrícolas que respeitam as APP's, o que a gente não vê no oeste do Paraná. Então saudações ambientais sr. Reis e que Deus sempre o ilumine. sem opinião
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oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
Esta é uma coisa razoavel que o Presidente Lula disse nestes ultimos dias de avalanches politicos negativos.
O Meio Ambiente é um bem de todos, produtores ou não. E nada mais justo que haja participação da classe produtora nas decisões para preservação ambiental , pois essa matéria sempre aconteceu de forma unilateral e eu sou testemunho disso, pois estou na area ambiental a 30 anos e com segurança digo que se essas areas não interagirem jamais teremos preservação de verdade.
Não devemos esquecer que o desenvolvimento é uma necessidade imediata de qualquer ser humano, seja ele ambientalista ou produtor, pois ambos respiram, comem, trabalhão. ao contrario das consequencias ambientais causada pelo desenvolvimento insutentavel que leva tempos para ser percebido levando varias gerações as vezes para se manifestar. Portanto a educação ambiental e a aplicação de leis adquadas feitas com a participação de ambas as partes seriam o ideal para os bons resultados na luta pela preservação ambiental.
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Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
O problema não é desmatar, e sim o que o pessoal vai vazer da vida depois de desmatar a Amazônia. Vai viver de quê?
Aqui no sudeste e sul do país o que aconteceu foi um desmatamento desinfreado que não trouxe vantagem alguma.
Quem ganhou muito dinheiro com o desmatamento acabou vendendo sua propriedade e foi pra cidade viver de aluguel de imóvel.
Quanta área aqui no sudeste e sul é mal utilizada pelo produtor rural. Agora as áreas desmatadas valem menos que as áreas com reserva legal e APP.
O problema todo é renda para as pessoas, enquanto uma árvore valer mais deitada do que em pé não existirá preservação ambiental aqui no Brasil.
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